11 junho 2010

Veteranos


 


Não acompanho as críticas feitas a António Barreto pelo discurso que proferiu nas cerimónias de ontem. Pelo contrário, penso que foi um discurso corajoso e justo e que há muito já deveria ter sido feito.


 


As Forças Armadas e os seus militares estão subordinados ao poder político. É a este que se devem pedir responsabilidades pelo envolvimento das Forças Armadas nos vários teatros de guerra. Os regimes e as motivações são diferentes mas o dever dos militares é sempre o mesmo. A eles o povo deve respeito e reconhecimento pela sua função, pela sua dedicação, pelo sacrifício da própria vida.


 


Os comportamentos desviantes e os crimes de guerra deverão ser como tal olhados e resolvidos. Não se podem julgar os militares pelos crimes que alguns cometeram. Mas não é disso que trata a homenagem que todos nós, como colectivo, devemos aos veteranos. É mais uma ferida que deve ser curada, distinguindo o patriotismo de ideologia, a determinação de fanatismo, o cumprimento de um dever de obediência acéfala.


 


Sou familiar de militar e talvez por isso este assunto me toque mais profundamente. Mas a memória mais antiga que tenho do 10 de Junho é a cerimónia de entrega de medalhas e condecorações aos militares, muitos a título póstumo. Não me esquecerei nunca dos pais, das mulheres, dos filhos, das lágrimas deles e das que via em casa, da sensação de que, amanhã, a dor poderia estar mais perto. Estes militares serviram o país, não um qualquer regime político. Assim como o fazem agora na Bósnia, em Timor ou noutro qualquer local para o qual sejam chamados. Foram também os militares que, mais uma vez arriscando tudo, devolveram ao povo a soberania.


 


Nota 1: Ler Os ex-combatentes, por Daniel Oliveira, no Arrastão.


Nota 2: Ler 10 de Junho; Portugal e os Militares, por Alexander Ellis, via Mainstreet.


 

6 comentários:

  1. Absolutamente de acordo.

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  2. Cristina Loureiro dos Santos19:10

    Várias vezes gostava de ser eu a escrever os teus textos. Esta é uma delas. Também faz parte das minhas memórias mais antigas a longa cerimónia do 10 de Junho, com a enorme parada militar, as crianças pequenas vestidas de marinheiros, as mulheres de preto a chorar, e nós as duas coladas à TV a ver a entrega de medalhas e as lágrimas da mamã, e posteriormente, as nossas próprias lágrimas. Penso que no início chorávamos ao ver a tristeza da nossa mãe (além de toda aquela cerimónia pesada e solene)...
    É mesmo uma das memórias marcantes da minha infância, referentes à guerra.
    Ao ler o teu texto, elas voltaram, nítidas, tal como eram.
    Fui ler o discurso do Prof. António Barreto. É, como de costume, admiravelmente bem escrito, com as palavras certas, pleno de justiça e significado, e, como dizes, bastante corajoso.

    Obrigada pelo teu texto.
    Beijinhos :*

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    Respostas
    1. PINK10:04


      Para muita gente rendeu e de que maneira!

      Parece que mais ninguem foi a guerra e sabe de estrategia militar...

      Desculpem.



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    2. O mínimo que se pode dizer do seu comentário é que é extremamente infeliz. Qualquer outro que vise ofender gratuitamente será apagado.

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    3. PINK10:18


      Nao deixo de acompanhar com atencao e afecto o seu blogue,enquanto me der o que procuro,independentemente de qualquer remoque.

      Sempre convivi saudavelmente com outros pontos de vista,censuras . E'o confronto saudavel com a diversidade que nos enriquece e fortalece fisica e moralmente, e nos da' a certeza de nunca sermos capazes de excluir ninguem, como tb. nos obriga ,por outro lado ,a nao calar o que pensamos, mesmo que seja injusto. A reacçao, se for elegante e assertiva, so' pode enriquecer as caminhadas.



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    4. Pink , eu convivo muito bem com opiniões diferentes e discordâncias mas não convivo com comentários insultuosos. Considero o seu comentário inicial ofensivo tal como o Pink , pois se o não considerasse não teria pedido desculpa preventivamente.

      Espero que continuemos a conviver na divergência elegante e assertiva.

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