03 junho 2010

Nódoa de petróleo


 


Esta difusa e subterrânea ladainha que tudo vale a favor da pátria começa a corroer a liberdade com que avaliamos e debatemos as várias opções políticas, económicas e culturais. A Constituição não pode servir de escudo intransponível para umas coisas e de papel datado e descartável para outras.


 


As alterações fiscais, por muito prementes e inadiáveis que sejam, têm que ser tecnicamente bem feitas e por gente competente. Não é aceitável um Ministro desculpar-se com o os rigores da crise, pelo atropelo Constitucional.


 


Na verdade, a percepção de que a vida portuguesa se passa em áreas estanques e não miscíveis é cada vez mais aguda. Ao ouvir e ler repetidamente que há enormes buracos orçamentais no SNS perante a apatia e a falta de rasgo dos responsáveis governativos que, com o seu silêncio e incapacidade, fazem coro com os que, devagar devagarinho, vão incutindo na população a óbvia impossibilidade de pagar o estado social; ao assistir às escassas camadas de população que nem sequer põem a hipótese de ter os seus filhos a estudar no ensino público, como se este fosse feito para as classes sociais mais desfavorecidas, filhos de servos que serão servos, sinto alastrar uma nódoa de petróleo de inexorável perda de liberdade, do regresso do autoritarismo, da aristocracia dos eternos poderosos.


 

2 comentários:

  1. ACÁCIO LIMA13:11

    COMENTÁRIO AO POST DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS- "NÓDOA DE PETRÓLEO"


    Numa outra linguagem, este post, torna claro, que estamos a assistir, uma nova ofensiva visando o Estado Providência, o Estado Social. Linguagem menos burilada, mas mais directa.

    A tentativa de fazer passar a mensagem que “há uma impossibilidade de pagar o Estado Social” é uma variante, da clássica mensagem de “Vivemos acima das nossas possibilidades”, propalada pelo “Compromisso Portugal” dos Carrapatosos e Marcelos.

    Esta ofensiva das teses conservadoras, que regressa em força, centrada na demolição do Estado Social, numa preferência pelo Liberalismo Individualista, dos Passos Coelho, no esconjuro de soluções onde a Solidariedade e riscos compartilhados, é central.

    A tese Liberal, do “Salve-se quem puder”.

    Mas, nesta ofensiva de pendor conservador, temos ,que ela se reveste de novas formas, multifacetadas, podendo-se caracterizar três vertentes confluentes, no seu fluir:

    01- Dos que vão dando a ideia de que não interiorizaram os conceitos bases da Constituição e do Estado de Direito;

    02- Dos que persistem em regeitar a Racionalização do uso das infraesturas, materiais e humanas, optando pelo continuado desperdício, e torpedeando Vocações dadas por comprovadas;

    03- Dos que, tout court, preferem o individualismo egoista, e o avulso das soluções dos”cheques” para solver as Prestações de Cuidados de Saúde e Prestações na Educação, e não só.

    O que torna a situação de difícil resolução é esta CONFLUÊNCIA das três vertentes que apontei.

    Se restarem dúvidas, a pedido, “Chamo os Bois pelo Nome”.

    A Pátria e a Crise têm as costas largas. Mas à custa dos”Direitos, Liberdades e Garantiais, Individuais”.

    Cordiais e Amistosas Saudações Democráticas, Republicanas e Socialistas de

    ACÁCIO LIMA

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  2. (Silencioso, mas sempre presente).

    Sofia,
    Imagino quanto lhe custou escrever este poste, depois de uma missão quase impossivel a combater 'a mancha' que há muito ameaçava alastrar.
    Tenhamos esperança de que a nódoa de petróleo se possa autoregenerar, transformando-se em benzina.
    Abraço
    jrd

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