Li com muita atenção a entrevista de Fernando Nobre ao DN e ouvi a mesma entrevista na TSF.
Mantenho as minhas dúvidas. Apesar de ser verdade que os actos falam pelo seu posicionamento político, que as suas ideias se podem situar na área do centro-esquerda, tenho sempre alguma desconfiança de quem se apresenta contra o sistema.
Por um lado eu entendo, e é verdade, que Fernando Nobre não tem responsabilidades na governação do país e que, portanto, pode apresentar-se como uma pessoa que vem de novo, de fora do bloco central de interesses, como cidadão suprapartidário movido por imperativos de cidadania. Neste aspecto tem enormes semelhanças com a primeira candidatura presidencial de Manuel Alegre, apoiada por um movimento de cidadãos, independentemente dos partidos a que pertenciam. Com a vantagem de Fernando Nobre ser, de facto, alguém que vem da sociedade civil e não das estruturas partidárias.
Por outro lado o sistema de que Fernando Nobre fala é o regime democrático. Os partidos políticos não podem ser encarados como um mal menor da democracia, sob pena de começarmos a pensar que são descartáveis. Tenho sempre muita desconfiança no discurso populista de quem se encontra virginalmente fora do combate político.
No geral penso que foi uma boa entrevista. Gostei de ouvir Fernando Nobre falar das suas diferentes opções das alterações fiscais, da sua preocupação expressa pelos mais desfavorecidos, da sua defesa do estado social e da necessidade de uma melhor e maior regulação financeira, assim com as críticas a Manuel Alegre e a Cavaco Silva. Não sei é se o cargo para que se candidata lhe dá possibilidade de ser um interventor activo sem que interfira na governação, que lhe está obviamente vedada.
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