12 junho 2010

À deriva (1)

 


Sem qualquer explicação, prévia ou adicional, da ARSLVT ou do Ministério da Saúde, tivemos todos conhecimento da decisão do encerramento das urgências pediátricas nos Hospitais Distritais de Setúbal (HDS) e do Barreiro (HDB), no período nocturno entre 15 de Junho e 15 de Setembro.


 


Sou totalmente favorável à racionalização dos escassos recursos existentes na saúde, nomeadamente em recursos humanos. Se não há número suficiente de Pediatras e de Neonatalogistas que assegurem uma assistência de qualidade nesses hospitais e/ou se o número de casos não justifica a existência de equipas de urgência nesses hospitais, parece-me até muito bem que sejam concentradas as urgências num único hospital, neste caso o Hospital Garcia de Orta (HGO), desde que os médicos que trabalham nos HDS e HDB cumpram as suas horas em serviço de urgência no HGO, reforçando as equipas que aí trabalham. Noutros países, como França, as urgências gerais na cidade de Paris estão concentradas, formando-se equipas com os profissionais de todos os hospitais. É óbvio que, para que isto seja viável, têm que ser acautelados os transportes em ambulâncias devidamente equipadas, não só em meios técnicos como humanos.


 


Mas alguém percebeu de facto o que se está a passar? Esta é uma medida que serve apenas para o período de Verão ou será permanente? O número de casos é diminuto só em época de Verão? Há número suficiente de profissionais nos restantes meses do ano? Estas medidas inserem-se nalgum plano geral ou são conjunturais e pontuais? Será que a ARSLVT e o Ministério da Saúde não consideram esta alteração na organização dos serviços prestados à população suficientemente importante para virem esclarecer e acalmar as populações?


 


E esta medida serve apenas para as urgências pediátricas da margem sul? E as da margem norte? E para os serviços de urgência de adultos, não se justificariam medidas semelhantes?


 


Afinal, que orientações políticas existem no Ministério da Saúde? Só a pandemia de gripe A justificava comunicados contínuos e permanentes conferências de imprensa?

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