25 março 2010

Um dia como os outros (47)

 



(...) Neste vale tudo (violação do segredo de justiça, conversas escutadas, câmaras e microfones escondidos, lixo vasculhado, fontes anónimas invocadas, afirmações sem provas, testemunhos falsos, interesses inconfessados), não apenas os fins justificam os meios - mas os meios tornam-se fins. Arendt viu nisso um grave sintoma da doença totalitária. A democracia passa a ser um corpo com próteses totalitárias. Esta mecânica tem os seus operadores em magistrados, inspectores, políticos, jornalistas, comentadores, colunistas, bloggers. Tudo feito, é claro, em nome da "liberdade de informação" e da "transparência". Os atentados à liberdade foram sempre cometidos invocando uma outra liberdade. Quem se opõe a este Big Brother mediático-jurídico é chamado de censor, inimigo do jornalismo livre, vassalo do poder, como se não tivessem poder os que dizem opor-se ao poder (deviam ler Foucault para perceber o que é o poder). (...)


 


Via Léxico Familiar

1 comentário:

  1. Onde Sofia escreve "próteses"(totalitárias...)eu tenho preferido "metástases".Apontando às mais perigosas,as judiciárias,mantidas "...porque a Constituição as não proíbe..."como explicou não sei aonde um "juíz - versão cripto-sindical"...E nas quais os "inocentes úteis" da vulgata são "pastoreados"por iluminados "úteis não inocentes"...
    Só por fragilidade democrática se não leva às últimas consequências o estipulado no artº16º-2 da CRP que remete para a Convenção Europeia dos Direitos do Homem...(Lei 65/78,s.e.o.o.,cuja génese presumo que pode obter familiarmente...)

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