12 março 2010

Falta de comparência

 



 


As sondagens que têm saído nos últimos dias, mesmo com valores percentuais diferentes, apontam, no entanto, para as mesmas conclusões:



  • José Sócrates e o PS não descem nas sondagens porque os cidadãos não vislumbram alternativas credíveis, nem à direita nem à esquerda.

  • A estratégia de desgaste pessoal, com ataques ao carácter do Primeiro-ministro não resulta. Ao contrário da opinião publicada, as pessoas já entenderam que há uma tentativa de golpe de estado através da intriga e da manipulação dos media.

  • Nenhum dos candidatos à liderança do PSD é entendido como hipótese de governo, pela ausência de discurso político, pela demagogia e pela aridez de ideias. O PSD parece continuar a travessia do deserto, digladiando-se e entretendo-se em lutas de facções, sem qualquer preocupação pelo país.

  • À esquerda, o BE e o PCP têm feito aquilo que para o seu eleitorado seria impensável – unirem-se à direita. Por muito que desaprovem as medidas do governo, os eleitores destes partidos já perceberam que são partidos que apenas sabem ser contra, não rejeitando alianças espúrias, apenas para continuarem a monopolizar os protestos e a capitalizar os descontentamentos.


Apenas com discussão política de alternativas e ideias para a governação haverá lugar à alternância no poder. A enorme responsabilidade dos partidos da oposição não parece acordar as consciências dos seus militantes e dirigentes. Porque a democracia constrói-se com debate a sério e que tem sido praticamente inexistente, por falta de comparência.

 

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