01 dezembro 2009

Ausência de debate económico

 


Não tenho dúvidas de que a situação do país é difícil e complicada. Basta ouvir no rádio que há mais de 10% de desempregados para sentirmos que a crise não é apenas um estribilho de espectáculo de que se servem os media, os políticos, os empresários, os sindicatos, os reformados, os jovens, enfim, a crise é uma sombra perpétua no horizonte de todos os cidadãos.


 


De todos? Não, não de todos. Como sempre são os que têm menos formação, os mais pobres, os mais velhos, os mais excluídos, aqueles que vêem fechar as empresas, fechar as oficinas, aqueles a quem a mensalidade das casas, as propinas e os livros, a vida, pesa cada vez mais ao fim do mês, os que sempre sentem mais a crise.


 


Ontem ouvimos os mesmos senhores de sempre, sérios, honestos, de cara fechada e semblante preocupado, com as mesmas frases, os mesmos avisos, as mesmas ideias ou falta delas, a ocupar uma grande parte do serão com a impressão negativa do que já todos temos: não há solução.


 


João Salgueiro, António Carrapatoso, Alexandre Patrício Gouveia, João César das Neves, Jacinto Nunes e Augusto Mateus, um painel de economistas predominantemente de direita (apenas Jacinto Nunes e Augusto Mateus fizeram parte de governos socialistas), repetiram à exaustão aquilo que eles e os seus partidos dizem há mais de 10, 20 anos.


 


Não há outros economistas? Não há outras teses, outras propostas, outras formas de olhar para os problemas? Onde estão os jovens economistas de esquerda? Não existem? Em Junho e Julho deste ano subscreveram-se três documentos públicos contra e a favor dos investimentos públicos em grandes obras públicas. Onde estão essas pessoas com visões diferentes das que são sempre convidadas para dizer sempre as mesmas coisas?


 


Não há verdadeiro debate sobre economia. Há a política económica que a direita preconiza. Não conhecemos outro tipo de alternativas. Não se lhe dá voz.




(Também aqui)

 

1 comentário:

  1. Eu queria saber se, na social-democrata Europa os bancos vão devolver o dinheiro EMPRESTADO, como já começou a acontecer nos intoleráveis conservardores EEUU. O nosso "socialismo" (e não falo do partido, mas sim das ideias que embebem a Europa) nos leva a dar dinheiro aos bancos para que ninguém fique pobre, para evitar despedimentos nos bancos. E, uma vez superado o problema, o deficit passa a ser "do povo". E lá vamos nós pagar novamente.
    Pois bem, eu voto na "direita" yankee...

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