08 novembro 2009

Da corrupção

 



 


Sempre que se fala em corrupção, na promiscuidade entre o estado, as empresas públicas, privadas e os partidos políticos, tráfico de influências, enriquecimento ilícito e todo o manancial de jogo sujo entre os poderosos, fico com a sensação de que a sociedade se desliga dessas pessoas, como se elas não fizessem parte da mesma sociedade.


 


É muito fácil encontrar responsáveis, sendo eles bem visíveis nos interesses que se protegem e encobrem dos dois grandes partidos clientelares portugueses, PS e PSD, o chamado bloco central, porque foram eles que assumiram e arcaram com a responsabilidade de nada mudar. Mas não nos enganemos com os pequenos partidos, que apenas são moralmente irrepreensíveis até terem oportunidade de o não ser.


 


Porque a cultura da nossa sociedade não pune verdadeiramente a corrupção. Esta palavra só se usa para os processos faces escondidas e operações papagaio, mas as cunhas, os conhecimentos, o compadrio, o nepotismo, o facilitismo, as pequenas promiscuidades que são olhadas com complacência, fazem parte e alimentam esta benevolência tácita de todos nós.


 


Mas não há heróis nem figuras providenciais. João Cravinho tinha responsabilidades governativas na altura em que o General Garcia dos Santos denunciou situações de suspeita de financiamento ilegal de partidos na Junta Autónoma das Estradas. O caso envolveu também Sousa Franco. E no entanto, quem acabou inquirido e multado foi o próprio Garcia dos Santos.


 


Esta reflexão não tem como objectivo desculpar ou minimizar o problema. Tudo deverá ser feito para que a transparência seja uma realidade, para que a justiça funcione em tempo útil e seja exemplar na punição de quem prevarica, porque está em causa o desenvolvimento do país e a essência do regime democrático, fundado num estado de direito. Mas seria muito interessante que os pacotes legislativos anti-corrupção deixassem de servir de arma de arremesso político porque ninguém está inocente.


 


(Também aqui)


 

3 comentários:

  1. Ora lá esta. Eu defendo penas máximas (e falo de anos de prisão) para quem comete o maior dos crimes, que é roubar a todos os cidadãos ou enganar, prometendo coisas que sabe (e sabem sempre) que não podem cumprir. Penas essas exemplaríssimas e punitivas. Não há reabilitação possível para o corrupto, e acho que deve existir medo à justiça para não metermos a mão onde não devemos. Eu, pessoalmente, se não tivesse medo da cadeia, era já amanhã que assaltava um banco.
    Mas eu sou um fascista...

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  2. assis15:06

    realmente haja quem tenha um pouco de memória. quando vejo o cravinho armado em arauto da luta anti-corrupção (e também à esquerda e à direita a elegeram-no herói dessa luta, apenas para atacarem o governo) vêm-me, nítidas, as imagens do cravinho com indisfarçável incómodo a lidar com as questões da corrupção dentro do seu próprio ministério denunciadas pelo general garcia dos santos. ora sabemos bem como ele tratou do caso. alterou a designação da junta autónoma das estradas e despediu o denunciador e seu secretário de estado garcia dos santos. quem ouve falar joão cravinho parece que o problema da corrupção nasceu agora, com sócrates .

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  3. Não acha que é pedir muito?!
    O golpe e contra-golpe são isso mesmo, armas de arremesso.

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