Sempre que se fala em corrupção, na promiscuidade entre o estado, as empresas públicas, privadas e os partidos políticos, tráfico de influências, enriquecimento ilícito e todo o manancial de jogo sujo entre os poderosos, fico com a sensação de que a sociedade se desliga dessas pessoas, como se elas não fizessem parte da mesma sociedade.
É muito fácil encontrar responsáveis, sendo eles bem visíveis nos interesses que se protegem e encobrem dos dois grandes partidos clientelares portugueses, PS e PSD, o chamado bloco central, porque foram eles que assumiram e arcaram com a responsabilidade de nada mudar. Mas não nos enganemos com os pequenos partidos, que apenas são moralmente irrepreensíveis até terem oportunidade de o não ser.
Porque a cultura da nossa sociedade não pune verdadeiramente a corrupção. Esta palavra só se usa para os processos faces escondidas e operações papagaio, mas as cunhas, os conhecimentos, o compadrio, o nepotismo, o facilitismo, as pequenas promiscuidades que são olhadas com complacência, fazem parte e alimentam esta benevolência tácita de todos nós.
Mas não há heróis nem figuras providenciais. João Cravinho tinha responsabilidades governativas na altura em que o General Garcia dos Santos denunciou situações de suspeita de financiamento ilegal de partidos na Junta Autónoma das Estradas. O caso envolveu também Sousa Franco. E no entanto, quem acabou inquirido e multado foi o próprio Garcia dos Santos.
Esta reflexão não tem como objectivo desculpar ou minimizar o problema. Tudo deverá ser feito para que a transparência seja uma realidade, para que a justiça funcione em tempo útil e seja exemplar na punição de quem prevarica, porque está em causa o desenvolvimento do país e a essência do regime democrático, fundado num estado de direito. Mas seria muito interessante que os pacotes legislativos anti-corrupção deixassem de servir de arma de arremesso político porque ninguém está inocente.
(Também aqui)
Ora lá esta. Eu defendo penas máximas (e falo de anos de prisão) para quem comete o maior dos crimes, que é roubar a todos os cidadãos ou enganar, prometendo coisas que sabe (e sabem sempre) que não podem cumprir. Penas essas exemplaríssimas e punitivas. Não há reabilitação possível para o corrupto, e acho que deve existir medo à justiça para não metermos a mão onde não devemos. Eu, pessoalmente, se não tivesse medo da cadeia, era já amanhã que assaltava um banco.
ResponderEliminarMas eu sou um fascista...
realmente haja quem tenha um pouco de memória. quando vejo o cravinho armado em arauto da luta anti-corrupção (e também à esquerda e à direita a elegeram-no herói dessa luta, apenas para atacarem o governo) vêm-me, nítidas, as imagens do cravinho com indisfarçável incómodo a lidar com as questões da corrupção dentro do seu próprio ministério denunciadas pelo general garcia dos santos. ora sabemos bem como ele tratou do caso. alterou a designação da junta autónoma das estradas e despediu o denunciador e seu secretário de estado garcia dos santos. quem ouve falar joão cravinho parece que o problema da corrupção nasceu agora, com sócrates .
ResponderEliminarNão acha que é pedir muito?!
ResponderEliminarO golpe e contra-golpe são isso mesmo, armas de arremesso.