Ontem acabaram os debates televisivos entre os líderes dos principais partidos políticos. Ao contrário do que esperava, pelo espartilho, pela forma e pelo tipo, foram muitíssimo interessantes.
Descontando a promoção feita pelas estações televisivas e rádios, como se estivessem a motivar as claques para os vários jogos de futebol, houve uma grande atenção aos debates, o que demonstra que as pessoas estão interessadas e preocupadas com o desfecho destas eleições, que estas eleições são sentidas como muito importantes, que há um regresso à disputa ideológica entre direita e esquerda tendo todos os protagonistas procurado explorar e acentuar os pontos de divergência.
Outro aspecto muito importante que esteve presente em toda a pré-campanha, antecedendo até estes meses eleitorais, foi a discussão da honestidade, do carácter, da seriedade e da credibilidade política dos líderes partidários e da forma como os seus partidos se posicionam em termos éticos, acentuado pela direita, mais precisamente pelo PSD. O distanciamento que Manuela Ferreira Leite pretende associar à política e aos políticos, colocando-se para além de todos os outros, numa imagem cara a Cavaco Silva e a outras personagens da nossa vida política, que insinuam e estendem a noção populista da desconfiança nessa coisa podre que é a política, não augura nada de bom, caso venha a triunfar.
Mas esse populismo foi também experimentado em grande escala pelo BE. Até nesse aspecto esta pré-campanha tem sido esclarecedora, pois desmontou a pose de superioridade moral da esquerda pura, grande e verdadeira, apocalíptica e solidária, imagem que se tinha colado à liderança de Francisco Louçã. Os episódios de Joana Amaral Dias e da concessão da auto-estrada do centro à Mota-Engil são apenas dois exemplos da forma de estar na política de Francisco Louçã.
Torna-se crucial que os partidos consigam mobilizar os cidadãos contra a abstenção. É indispensável que a participação cívica seja cada vez maior, mais animada, mais viva, mais discutida. À esquerda e à direita há que apelar ao voto. Não votar é colocar em causa a essência da própria democracia representativa.
Nota: Também aqui.
Este modelo de debate serviu para os eleitores se esclarecessem.
ResponderEliminarSígnifica uma melhoria na qualidade da informação e também de quem fez os debates. Os lideres partidários.
Espero q daqui a 4 anos se repita a mesma forma
Sofia, tão profunda. A Sofia parece a Comissão Nacional de Eleições a falar. Eu nunca me canso de a ler. Todas as semanas. No seu blog panglossico está tudo no sítio. Ainda bem que há pessoas assim. São elas que tornam o mundo suportável.
ResponderEliminarEu acho que não votar ou votar em branco é não ter confiança e não dar aval a nenhuma das candidaturas que são propostas ao eleitorado. Num universo de 5 canbdidatos, por exemplo, votar num é rejeitar 4; votar branco é rejeitar cinco.
ResponderEliminarCom a melhor consideração.
Eu acho que votar em branco ou nulo é diferente de não ir votar.
EliminarVotar em branco é não dar aval a nenhuma das candidaturas, votar nulo é fazer um protesto. Não votar pode significar apenas que a pessoa não se dá ao trabalho sequer de se deslocar à assembleia de voto.
Não leve a mal mais esta observação mas o voto nulo é um voto mal preenchido, logo, seria abusivo considerá-lo como voto de protesto. Só o voto em branco, quanto a mim, cumpre essa função.
EliminarNão deixa de ter razão.
EliminarFaço minhas as palavras do Luís Januário.
ResponderEliminar:))
Eu não sou cá chamado a votar, como sabe, mas continuarei na minha postura abstencionista enquanto não houver uns mínimos sinais de honestidade democrática na Europa toda. Ainda o outro dia estive a ouvir um político, corrupto, mas culto, já retirado da política espanhola, Alfonso Guerra, que falou no crescimento horizontal da democracia, que aumentou a sua extensão mundial, mas ao mesmo tempo, diminuiu drasticamente a profundidade. Isto é, já quase não existe o poder do colectivo, que se limita a votar, e o que se verifica é um aumento do poder do privado, nomeadamente empresarial, nas decisões políticas. Se a isto juntamos a ditadura da correcção política e as medidas tomadas "pela nossa segurança" e que vão até o ponto de controlar os emails e os telefonemas, ou ao controlo dos direitos de autor (incluindo os do Monteverdi ou Goya , v.gr .) que taxa a compra de folhas em branco, os livros ou que até pode levar para a cadeia quem faça downloads ilegais, a coisa parece-me uma pantomima. O seguinte passo será utilizar essa lei francesa para controlar os blogues. Não há de tardar.
ResponderEliminarIgual que se fecham blogues que insultam a um político. Como se os políticos não pudessem ser objecto de insulto. A velha tradição europeia do panfleto insultuoso está em perigo.
Se sou democrata? Sim. Se votarei? Não, enquanto não haja nenhum político que declare abertamente que a Liberdade individual esta cada vez mais ameaçada no occidente .
E continuarei a queixar-me, desde que pague impostos e sejam mal gastos ou "desviados"
A liberdade e a democracia, a tal que é alimentada por políticos corruptos que surgem de eleições livres em que todos temos a liberdade de votar e de não votar, encolhe de cada vez que aqueles que são a base da própria democracia, os cidadãos eleitores, se demitem de participar.
EliminarPolíticos são pessoas, honestas e desonestas como todas as outras. A beleza da democracia é que qualquer um de nós se pode propor a mudar o que considera ser errado. Mas isso só se faz participando.