16 agosto 2009

Optar pelo campo

 


A propósito dos incêndios, tema recorrente em todos os verões, e da desertificação do território, segui o conselho de Henrique Pereira dos Santos e fui pesquisar as estatísticas existentes com maior intervalo temporal, para perceber se era possível falar de uma tendência na melhoria de combate aos incêndios.


 


Em relação ao combate aos incêndios os dados existentes na Autoridade Florestal Nacional, sobre número de incêndios e área ardida, datam de 1980.


 


Como se pode verificar pelos gráficos que fiz, há um aumento contínuo do número de ocorrências, mas a área ardida sofreu um aumento e agora uma diminuição muito significativa (desde 2006). É pouco para falar de tendências.


 





Mas se dividirmos a área ardida pelo número de ocorrências, ou seja uma forma de testar a eficácia de combate aos incêndios, há uma verdadeira tendência para a melhoria, neste caso, partilhada por mais do que um governo, mas acentuada com este último.


 





Em relação à desertificação do interior, em marcha desde, pelo menos, a década de 60 do século passado, o seu combate deve ser uma prioridade. Não me parece, no entanto, que insistir na agricultura de artesanato, com pluriemprego para quem escolher essa vida, a implementação do agro-turismo e do ecoturismo, sejam as únicas e melhores respostas a essa questão por uma razão simples: há muito pouca gente disposta a abraçar esse tipo de vida, não só em Portugal como nos outros países industrializados.


 


Penso que teremos que ser mais imaginativos e criar condições para que seja fácil, económico e uma melhoria na qualidade de vida optar pelo campo.


 

3 comentários:

  1. henrique pereira dos santos22:44

    O meu mail é as1075017@sapo.pt (pensei que não fosse difícil encontrá-lo).
    A questão não é saber se há muita ou pouca gente, a questão é saber se lhes dificultamos a vida ou facilitamos.
    OPtar pelo campo nunca é fácil, mas é escusado tornar isso impossível dando uma vida de inferno aos miúdos para andarem na escola primária, por exemplo.
    Ou gastando o dinheiro do mundo rural a dar apoiar as fileiras competitivas em vez de apoiar a produção de bens sociais que o mercado não remunera integralmente.
    E sobre os fogos tem muito por onde ler no blog onde escrevo (é dos temas mais recorrentes e com contribuições de bons escpecialistas na matéria, que não é o meu caso) mas não vale a pena fazer análises estatísticas como as que fez para tirar conclusões: não só o registo do número de fogos é pouco fiável (Pedro Vieira tem um capítulo só sobre isso no livro que escreveu sobre o fogo e cuja referência pode encontrar no blog dele, estrago da nação) como sem fazer a relação com as condições climáticas de cada ano as relações estatísticas que fizer são irrelevantes.
    henrique pereira dos santos

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    1. Obrigada, Henrique.

      Ok, vou passar pelo seu blogue mais vezes. Quanto às estatísticas, é claro que o clima é indispensável mas, bolas, já aí estão 20 anos! Alguma coisa já devem significar!

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    2. henrique pereira dos santos07:12

      As estatísticas são úteis mas em processos complexos como são os que dão origem aos fogos correm o risco de estar a dar informações erradas quando são formuladas de forma simples demais.
      Por exemplo, quando a Sofia diz que estamos a melhorar a partir de 2006, isso merece-me três comentários: desde 2006 que os anos têm sido muito amenos, portanto atípicos; as áreas ardidas em 2003 e 2005 são áreas de baixo combustível, e portanto fazendo o papel de corta fogos; quanto melhor for o sistema de suprssão do fogo, maiores serão os fogos no dia em que fugirem do controlo, se não houver um sistema de gestão de combustível associado (é o chamado paradoxo do fogo).
      Logo, é preciso muito cuidado no uso das estatísticas para formular e avaliar políticas nesta matéria.
      Mesmo que já tenham vinte anos.
      Dito isto, é consensual que tem havido melhorias no sistema de combate aos fogos.
      Pessoalmente não acho que isso seja uma grande vitória se não houver um sistema de gestão de combustiveis (que não há, até porque o dinheiro é todo gasto no sistema de combate).
      henrique pereira dos santos

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