31 agosto 2009

Escolher










 



escultura de Henk Vos

The Branch Man





Em 27 de Setembro vamos escolher um parlamento e um governo.


 


Não é uma escolha qualquer, como não o são todas as escolhas. Mas talvez desde há muitas legislaturas, esta é uma escolha entre duas opções políticas, entre duas visões da sociedade, entre duas opções para o futuro.


 


De um lado está a esquerda democrática, representada pelo PS, com dinamismo e investimento na inovação, com valores de solidariedade e tolerância intra e inter geracionais, que acredita que na igualdade e no direito à felicidade de todos os homens, que pratica o multiculturalismo e a reinserção social, que aposta na dignidade e no valor dos princípios que fundam a democracia, que tem no Estado Social o garante da manutenção e da evolução de uma sociedade coesa, assumindo como suas as funções sociais (educação, saúde e segurança social) e as funções da justiça, da segurança e defesa nacionais.


 


Do outro lado está a direita democrática, representada pelo PSD e pelo CDS, que acredita que o Estado é parte do problema e não da solução, que olha para a sociedade estratificada de elites e diferencia capacidades sócio económicas, que entende que a solidariedade social é filha da caridade cristã, não assumindo que há deveres partilhados pela sociedade como um todo, que apela ao individualismo, que coloca na iniciativa privada  e no filantropismo a solução das desigualdades e da pobreza, arriscando a competitividade desenfreada e dificilmente regulável, as leis do mais forte, do mais rico, do mais poderoso.


 


O que está em causa, no próximo dia 27 de Setembro, não é o caos nem a desintegração do país. Com o PS apostamos na  capacidade de renovar e empreender, de avaliar, de premiar o mérito, de reformar aquilo que todos julgavam irreformável, de investir nas pessoas e dar-lhes a possibilidade de se qualificarem e de viverem melhor.


 


Votar no PSD significa o regresso ao passado, com a suspensão do que foi conseguido, ou com a recuperação do que já não faz sentido.


 


Nota: Também aqui. 


 

Debates de Verão (21)

 


 


Mais um dia de exercício do contraditório, como se costuma dizer: José Reis Santos, pelo SIMplex:


 


Da República




(...) Esquecemos com demasiada facilidade qual o desígnio que nos impele a querer participar nos processos da política, a ser decisores e a ter a oportunidade de contribuir para a melhoria da vida das pessoas. Ser cidadão-eleito, membro do governo ou autarca é - ou devia ser - um acto nobre de humilde recato. "Servir o Estado e os Outros", era o lema dos que sentiam o apelo colectivo de querer participar na gestão da Res Publica. Servir os outros, e não os próprios, era condição virginal de uma Administração competente e altruísta, que pretende apoiar a construção de uma sociedade próspera e solidária, onde todos os cidadãos tenham direito a um conjunto de oportunidades que lhes permita a procura da sua felicidade individual. (...)



 


e Pedro Duarte, pelo Jamais.


 

30 agosto 2009

"Discourse on Nudity"

 



Sam - The Eagle


The Muppet Show


 


... Diluiram-se pilares da sociedade, como a família e o casamento...


 


Nota: Também aqui.


 

Casamento vs. união de facto

 



 


José Sócrates está a fazer da lei das uniões de facto uma bandeira para a próxima legislatura, pegando no veto do Presidente da República como desafio para afirmar a modernidade do PS em oposição aos partidos de direita e aos escrúpulos presidenciais. Na verdade esse veto existiu precisamente para separar as águas entre a visão de esquerda e de direita em relação à noção de família, até porque, tal como Rogério da Costa Pereira explicou, a lei que foi para promulgação e a já existente são muito semelhantes, pelo menos para uma leiga.


 


No entanto considero que o PS deveria avançar para a legalização do casamento civil para os casais homossexuais, tal como vem no seu programa - Remover as barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (pág. 76).  Se todos os casais, independentemente do sexo dos noivos, tiverem livre acesso à figura jurídica do casamento, em condições de igualdade, deixa de haver razão para aproximar o casamento das uniões de facto ou de as transformar num protocasamento.


 


Nota 1: Ler também José Simões, Vasco M. Barreto, João Vasco e Ana Matos Pires.


 


Nota 2: Também aqui.


 


 

Do direito à assistência espiritual

 



 


No programa do PSD podemos ler esta frase:


 


Recuperaremos o papel e a importância da assistência espiritual que é procurada e prestada, por exemplo, em hospitais, prisões e lares.


 


Este recuperaremos é intrigante, ou talvez não.


 


A Constituição Portuguesa diz:

 


Artigo 13.º

(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. (...)


 


A Lei da Liberdade Religiosa estipula que:


 


Artigo 2.º

Princípio da igualdade

1 - Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, perseguido, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever por causa das suas convicções ou prática religiosa.

2 - O Estado não discriminará nenhuma igreja ou comunidade religiosa relativamente às outras.

Artigo 3.º

Princípio da separação

As igrejas e demais comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.

Artigo 4.º

Princípio da não confessionalidade do Estado

1 - O Estado não adopta qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas.

2 - Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade.

3 - O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes religiosas.

4 - O ensino público não será confessional.


 


Finalmente, o governo regulamentou a Concordata (2004) e a Lei de Liberdade Religiosa (de 2001), assumindo a laicidade do estado e a igualdade de direito à assistência espiritual de todas as confissões religiosas


 


O que quer o PSD recuperar? A contratação dos assistentes religiosos pelo Estado? A inexistência de igualdade de direitos no que confere a assistência espiritual, regressando à hegemonia da Igreja Católica?


 


O programa do PSD aposta em retroceder naquilo em que foi possível, às vezes com grande esforço, avançar.


 


Nota: Também aqui.

 

29 agosto 2009

Descubra as diferenças














 


Programa do PS - Saúde


 



 


 


Programa do PSD - Saúde


 



 


 


Nota: Também aqui.


 

"Treating, not punishing"













 


No Economist.com de 27 de Agosto saiu um artigo sobre a política que Portugal desenvolveu na descriminalização do consumo de droga, iniciada em 2001, no governo socialista de António Guterres.


 


Este artigo faz referência a um estudo de Glenn Greenwald, um advogado americano que se tem distinguido na defesa dos direitos civis, publicado pelo CATO Institute.


 


Glenn Greenwald analisa o desenvolvimento das orientações políticas iniciadas em 2001, que tem como base a decisão de descriminalizar o consumo de drogas, olhando para a toxicodependência como uma doença e para o Estado como o promotor da prevenção e da dissuasão ao consumo, assim como o garante do tratamento e acompanhamento destes doentes.


 


Ao contrário do que as forças de direita previram, com especial incidência no CDS, Portugal não se transformou no paraíso dos toxicodependentes nem numa estância turística para  consumo de drogas de todos os tipos, com o consequente aumento da criminalidade, da prostituição, da transmissão de doenças infecto-contagiosas, etc.


 


Na verdade, houve uma redução dos consumidores de droga (heroína, cocaína e canabbis), acentuada diminuição de doenças transmitidas por partilha de seringas, tais como o HIV/SIDA e Hepatites B e C.


 


Há, verdadeiramente, uma diferença entre as ideologias de esquerda e de direita, nomeadamente nas expectativas da relação entre os indivíduos e a comunidade, e na forma como se encara o papel do Estado: para a esquerda, o Estado deve ser promotor da saúde e garante da reabilitação e reintegração do homem na vida social; para a direita, o Estado  olha os indivíduos como seres que têm um destino marcado, não acreditando na sociedade como indutora de  saúde e felicidade, cabendo-lhe apenas o papel da punição dos desvios.


 


(...) O PS propõe-se manter a actual política de descriminalização do consumo e a oferta de tratamento a todos os toxicodependentes que dele necessitam. (...)


Programa de Governo do PS - pág.67


 


 


Agradeço a Manuel Cintra a chamada de atenção.


 


Nota: Também aqui.


 


 

Light My Fire

 



The Doors


 


You know that it would be untrue

You know that I would be a liar

If I was to say to you

Girl, we couldn't get much higher

Come on baby, light my fire

Come on baby, light my fire

Try to set the night on fire


 


The time to hesitate is through

No time to wallow in the mire

Try now we can only lose

And our love become a funeral pyre

Come on baby, light my fire

Come on baby, light my fire

Try to set the night on fire, yeah


The time to hesitate is through

No time to wallow in the mire

Try now we can only lose

 


And our love become a funeral pyre

Come on baby, light my fire

Come on baby, light my fire

Try to set the night on fire, yeah


You know that it would be untrue

You know that I would be a liar

If I was to say to you

Girl, we couldn't get much higher

Come on baby, light my fire

Come on baby, light my fire

Try to set the night on fire

Try to set the night on fire

Try to set the night on fire

Try to set the night on fire

 

28 agosto 2009

Debates de Verão (20)

 


 


Continua, no Diário Económico, a troca de argumentos entre Diogo Moreira, pelo SIMplex:


 


Solidariedade




(...) Defendo assim que o Estado deve proporcionar as condições necessárias para que a desigualdade natural dos indivíduos não seja impeditivo da sua ascensão social por via do mérito. Esta é a razão do Estado Social. Alguns de nós nascem ricos, outros nascem pobres. Alguns com saúde, outros doentes. Uns nas áreas urbanas, outros em zonas rurais. O Sistema Nacional de Educação assegura que, a custos reduzidos, todos - independentemente das posses, ‘status', local de residência e outras diferenciações - possam ter acesso ao mais eficaz elemento de progressão social: a educação. O Serviço Nacional de Saúde minora uma das consequências da desigualdade económica e social - uns terem mais saúde do que outros. A Segurança Social assegura, através de subsídios, que a doença e o despedimento, que antes eram causas de miséria absoluta, passem a ser obstáculos que podem ser ultrapassados. E as reformas dos pensionistas - financiadas pelos trabalhadores no activo, através do intermédio do Estado - afiançam que o fim da vida útil não seja a pobreza da maioria. (...)



 


e o Miguel Reis Cunha, pelo Jamais.


 

2. A saúde - Programa do PSD









 


Não é fácil analisar o programa do PSD em matéria de saúde, porque é curto e pouco específico. Mas é claro e transparente no que se refere à redução do papel do Estado.


 


O PSD aposta no mercado para melhorar o acesso aos cuidados de saúde, usando incentivos para hospitais / unidades de saúde para diminuir as listas de espera cirúrgicas; aposta no aprofundamento da rede de cuidados primários e continuados, no rastreio e referenciação da doença.


 


Propõe-se privilegiar o aumento da pluralidade na prestação de cuidados de saúde pelo aumento do papel fornecido pelo mercado privado e introduzir uma separação (...) funcional, e porventura, orgânica, entre o financiamento, a prestação e a regulação da saúde, que permita simultaneamente a maior abertura ao mercado concorrencial e a melhor clarificação das relações entre os sectores público, privado e social. (...)


 


Propõe-se ainda equacionar de novo a celebração de acordos de gestão de serviços de saúde com entidades do sector social ou do sector privado e retomar outras parcerias público-privadas.


 


Não se trata bem de um programa de governo mas apenas de linhas orientadoras para a política de saúde que preconiza: a separação entre o financiador, o prestador e o regulador, a aposta no mercado e na iniciativa privada, não se percebendo bem qual é o exacto papel que fica para o sector público, nomeadamente no que diz respeito à medicina preventiva, mais especificamente para as doenças oncológicas, o que pretende fazer, como e com que recursos.


 


Apesar da exiguidade de informação que nos dá o programa do PSD não podemos negar que há uma diferença considerável naquilo que o PS considera ser o papel do Estado e do SNS na nossa sociedade, quando comparamos com o que o PSD nos propõe.


 


Há, verdadeiramente, diferenças entre a esquerda e a direita. O PS propõe uma alternativa de esquerda, valorizando o sector público, a qualidade e a igualdade de acesso aos melhores cuidados de saúde para todos. O PSD propõe uma alternativa de direita, centrado na aposta no mercado, na concorrência e no sector privado, reservando o sector público para quem tem menos capacidade financeira, ou seja, distinguindo, na saúde, os que podem mais e os que podem menos.


 


Há, verdadeiramente, uma diferença entre os ideais de esquerda e de direita. São legítimos e transparentes. Cabe-nos a nós escolher.


 


Nota: Também aqui.


 






1. A saúde – Programa do PS


















 


A área da saúde é paradigmática das diferenças entre a esquerda e a direita, embora muitos dos actores políticos se esforcem por esfumar essas diferenças, principalmente entre o PS e o PSD.


 


Os programas de ambos os partidos demonstram que têm visões diferentes do que deve ser um serviço nacional de saúde (SNS).


 


O PS propõe a continuação da reforma do SNS, iniciada nesta legislatura, com especial enfoque nos ganhos de qualidade e eficiência e na redução do desperdício para uma efectiva sustentabilidade do sistema.



  • Continuar a reforma dos cuidados de saúde primários com a generalização por todo o país das USF, a criação de unidades de cuidados domiciliários integrados para idosos e outros serviços de base comunitária e estruturação de unidades de saúde pública que articulem a promoção da saúde com os cuidados personalizados

  • Promover a saúde e os estilos de vida saudável, com programas integrados que envolvam a escola e as autarquias, o desenvolvimento do desporto escolar e a implementação de informação e aconselhamento sexual

  • Melhorar o controlo da doença oncológica e reduzir a mortalidade associada ao cancro com a implementação de rastreios populacionais ao cancro do colo do útero, da mama, da próstata e colo-rectal; alargar a oferta de radioterapia e aprovar a rede de referenciação em Oncologia

  • Reformular a gestão hospitalar implementando um sistema de avaliação da mesma e evoluir para os Centros de Responsabilidade Integrada; investir na cirurgia de ambulatório; criar centros de excelência na rede hospitalar; rever as redes de referência para diversas patologias

  • Investir na qualidade e certificação dos serviços de saúde, na responsabilização e motivação dos profissionais; investir nas tecnologias da saúde, nos modelos de prescrição electrónica

  • Alargar a oferta de farmácias melhorando o acesso ao medicamento, continuar a promover a prescrição de genéricos

  • Alterar a filosofia dos subsistemas públicos de saúde com evolução para a auto-suficiência; rever os benefícios fiscais em matéria de despesas de saúde.


Para quem considera, como eu, que a saúde é um direito de todos e que não deve depender da cor da pele, da ideologia política ou do meio económico e social a que se pertence, para quem considera, como eu, que o Estado deve ser o garante deste direito, tem no programa do PS este compromisso:




O modelo de acesso universal a todos os serviços de saúde é o que melhor garante o direito à saúde e a sustentabilidade do desenvolvimento económico e social do nosso país.


Nota: também aqui.






 

27 agosto 2009

A campanha dos debates no Público

 


Hoje Sofia Rodrigues, jornalista do Público, às 14:36h, titulava em letras mais ou menos garrafais, que a campanha das legislativas não teria debates porque o PS, claro, quem mais, se recusava a fazer debates a dois com todos os candidatos.


 


Claro que, quem se desse ao trabalho de ler a notícia, percebia apenas que José Alberto Carvalho estava desesperançado e que Ricardo Costa assegurava que só faltava a resposta do PS.


 


Às 19:18h a mesma Sofia Rodrigues afiançava, nas mesmas letras mais ou menos garrafais mas com o mesmo despudor, que o PS recuava e viabilizava os debates televisivos na campanha. O texto em si, referindo mais uma vez a anterior desesperança de José Alberto Carvalho, dizia que o PS tinha mudado de opinião e já aceitava os debates dois a dois.


 


Enfim, confirma-se, mais uma vez, a manipulação informativa do Público.


 


Nota: Também aqui.


 

Debates de Verão (19)

 


 


Continua, no Diário Económico, a troca de argumentos entre André Couto, pelo SIMplex:


 


Rumo à Justiça





(...) Os múltiplos interesses em jogo não eram facilmente conciliáveis, sendo certo que as corporações, instaladas em quintas ornamentadas durante décadas, criaram vícios e privilégios dos quais não pareciam pretender abdicar. O caminho delineado era difícil e corajoso mas, apesar das dificuldades, assumiu-se um compromisso. Porém, o PSD, logo após a saída de Luís Marques Mendes, e pela mão dos líderes que lhe sucederam, empenhou-se em rasgar o acordado.





Já o Governo, mostrando que fora eleito para governar, cumpriu a palavra dada ao PSD e ao país, investindo no cumprimento das reformas prometidas no programa eleitoral e no Acordo. Hoje a desmaterialização, eliminação e simplificação de actos processuais geram eficácia e redução de custos. O Plano Tecnológico da Justiça (CITIUS) é uma realidade. No quotidiano de cidadãos e empresas surgiram facilidades como o Nascer Cidadão, Casa Pronta, Documento Único Automóvel, Registo Predial online ou Empresa na Hora, bem como meios alternativos de resolução de litígios como os Julgados de Paz. Tudo isto mudou a face da Justiça, sendo certo que alguns dos efeitos apenas a longo prazo se sentirão. (...)


 


e o Paulo Cutileiro Correia, pelo Jamais.


 

Recuar, retroceder, suspender, voltar atrás













 


Temos programa do PSD. Ainda bem. Podemos, finalmente, analisar as propostas do PSD para a próxima legislatura.


 


O PSD define como uma das prioridades as reformas na Justiça. Não podia estar mais de acordo. A Justiça é um sector fundamental do estado, alicerce da própria democracia, que necessita urgentemente de credibilização, reorganização e rigor.


 


Lembro-me, no entanto, que o PSD celebrou com o PS um pacto, o tão famoso pacto para a reforma da Justiça, que quebrou. Não é que eu seja a favor de pactos, porque penso que dissolve a responsabilização política de quem governa. Mas se os partidos fazem pactos, espera-se que os honrem.


 


(…) Reveremos concomitantemente o modelo de remuneração de juízes e de magistrados do Ministério Público, para incorporação de uma componente que varie em função de indicadores quantitativos e qualitativos sobre o seu trabalho. (…) – Compromisso de verdade - Programa eleitoral do PSD – Legislativas 2009 - pág. 21


 


Mais uma vez parece-me uma medida com mérito. Só não entendo um programa de governo que, por um lado, promete a avaliação de desempenho de magistrados e juízes, fazendo depender uma parte da remuneração do mérito que demonstrem e, ao mesmo tempo, prometa que (das pouquíssimas promessas que o PSD afirmou que faria):




(…) Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito, e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação.




Reveremos o Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente no respeitante ao regime de progressão na carreira, corrigindo as injustiças do modelo vigente e abolindo a divisão, nos termos actuais, na carreira docente. (…) -
Compromisso de verdade - Programa eleitoral do PSD – Legislativas 2009 – pág. 22


 


Das duas, uma: ou o compromisso com a verdade, no programa do PSD, é com a avaliação de desempenho e a remuneração diferenciada por mérito, sendo a suspensão da avaliação uma promessa eleitoralista, um recuo, como o BE, o PCP e alguns responsáveis socialistas advogam, personalizando e classificando Maria de Lurdes Rodrigues como uma ministra rígida e obstinada, não tendo coragem para voltar atrás na divisão da carreira em titulares e não titulares, ou a promessa (das pouquíssimas promessas que o PSD afirmou que faria) de avaliação de desempenho para os magistrados e juízes é apenas uma promessa para não ser cumprida.


 


Com já tive oportunidade de dizer, considero as alterações na área da educação das mais importantes que se têm feito desde há muito tempo. Por muitos erros que se tenham cometido instituíram-se princípios fundamentais de dignificação de carreira docente e de exigência, investindo na qualificação do sector e dos docentes.


 


Recuar agora é retroceder muitos mais anos dos que entretanto já tinham sido perdidos. A própria OCDE reconheceu o esforço e os passos importantíssimos que se deram nesta legislatura. O que nos propõe o PSD é exactamente voltar atrás, recuar, retroceder, suspender.


 


Será que é isso que o país quer?


 


Nota: Também aqui.


 


 

26 agosto 2009

Ao norte do dia

 



pintura de Jennifer Leigh Caine: 1 - Untitled (2007)


 


 


Ao norte do dia

percorro as linhas


que me aproximam do sul.


 


Ao norte do dia

percorro a bússola


que se inclina para sul.


 


Ao norte do dia

percorro os poentes


que me limitam ao sul.

 

La Línea del Sur

 


 



Renaud García-Fons


 

Debates de Verão (18)

 


 



 


Continua, no Diário Económico, a troca de palavras entre Ana Paula Fitas (em excelente forma), pelo SIMplex:


 


Igualdades





(...) A produção legislativa e a intensidade das campanhas nestas áreas decisivas para a construção de uma cidadania activa alcançaram um impacto social que colocou os portugueses na vanguarda da União Europeia no que respeita à defesa dos valores e à adopção dos princípios democráticos - condição que, em última análise, nos aproxima da capacidade de adaptação à mobilidade e à flexibilidade sociais que caracterizam a sociedade contemporânea. Referimo-nos, em concreto, à luta contra o tráfico de seres humanos, à violência doméstica e à violência de género; à defesa e protecção das vítimas de maus-tratos e à prevenção e assistência de práticas discriminatórias em função da deficiência, da idade, da etnia, da orientação sexual, da religião e do sexo. A igualdade de oportunidades para todos e a valorização da diversidade são os princípios que nos garantem o futuro, razão pela qual neles investiu o Governo socialista, que anuncia a sua continuidade em áreas como a educação, as empresas e o acesso ao mercado de trabalho. Um trabalho indispensável a um Estado que trabalha, acima de tudo, para as pessoas e que apenas o Partido Socialista tem condições para consolidar. 


 


e o João Villalobos, pelo Jamais.


 

25 agosto 2009

Debates de Verão (17)

 


Hoje debato eu, pelo SIMplex:


 


Recursos Humanos - SNS





O compromisso dos profissionais de saúde que asseguram os cuidados de saúde implica o aprofundamento permanente de aptidões e competências, garantindo-se assim cuidados seguros e de qualidade.(...) uma gestão rigorosa das organizações contribuem para a motivação e o aperfeiçoamento contínuo dos profissionais. (...)


(...) O Governo do PS prosseguirá (...) a política de reforço da formação nas ciências da saúde, designadamente através do incremento das vagas para os cursos de medicina, enfermagem e restantes áreas de saúde, e do incremento da formação de especialistas em medicina geral e familiar. (...)


(Programa de Governo do PS - Avançar Portugal, pág. 72 e 73)





O SNS é uma das melhores realizações da era democrática. As mudanças que se têm operado na sociedade e os avanços tecnológicos nesta área em concreto transformam a adequação de meios e a reestruturação da rede de cuidados primários, de urgência, hospitalares e de cuidados continuados numa obrigatoriedade.





Os recursos humanos são a chave do sucesso em qualquer sector. Por muito bem apetrechadas que sejam as estruturas e as instituições, por muito avançados e automatizados que sejam os equipamentos, tem que se investir mais na formação e motivação dos profissionais.





Estes são escassos e estão sobrecarregados. É de todos conhecido o erro continuado na redução de vagas para os cursos de medicina, que perdurou por décadas. Por isso o aumento destas é essencial, sendo também de reequacionar a distribuição e o tipo de selecção dos candidatos.





As elevadíssimas médias necessárias para aceder a uma vaga são uma distorção da realidade, podendo estar a comprometer a formação de muitos hipotéticos excelentes profissionais.





A formação pós graduada e contínua é crucial para a diferenciação e adequação dos profissionais às exigências de qualidade que o Estado deve ter em relação ao serviço que presta. O respeito pelo doente exige respeito pelos profissionais, dando-lhes condições para assegurarem o seu trabalho em dedicação exclusiva, remunerações condignas, regimes de responsabilização e avaliação de desempenho rigorosas e transparentes, o que permitirá ganhos de produtividade e rentabilização dos serviços, com consequente diminuição dos tempos de espera cirúrgicos ou para terapêuticas adicionais. É portanto muito importante que o PS assuma um compromisso com a qualificação, motivação e diferenciação dos profissionais de saúde, investindo nos seus recursos humanos, indispensáveis a um Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade.



 


e o André Abrantes Amaral, pelo Jamais.


 

24 agosto 2009

Prémio "O Seu Blogue é Viciante"

 



 


Agradeço ao DER TERRORIST e ao Vermelho Cor de Alface a nomeação para este viciante prémio.


 


Tal como mandam as regras que me atam ao prémio, devo indicar três compromissos para o futuro:



  1. Continuar a divertir-me com muitos blogues

  2. Continuar a irritar-me com muitos blogues

  3. Continuar a descobrir bons blogues


Aqui chegada só falta mesmo arranjar 10 blogues a quem premiar:



E siga o prémio.


 

Inimputável










 





 


Alberto João Jardim continua a arrastar pela lama a dignidade do lugar para o qual foi eleito, de um político, de uma pessoa com o mínimo de decoro.


 


Quem o vê aos berros em frente a uma multidão ululante, a falar do seu Portugal homofóbico, boçal e intolerante, comezinho e maledicente, cora de vergonha. Pelo que diz, pelo significado do que diz e pela ovação que o acompanha.


 


Alberto João Jardim tem-se comportado como alguém que é inimputável, gozando de uma tolerante bonomia de todos os responsáveis políticos, o que apouca a democracia e diminui a credibilidade dos nossos representantes.


 


A traição é dele. E o Portugal dele não é igual ao meu.


Nota: Também aqui.


 






Nada de novo

 


Esta é a minha posição no espectro político português.


Não posso dizer que seja uma grande novidade, não.


 



 


http://www.bussolaeleitoral.pt/


(a partir d'Os Tempos Que Correm)

Debates de Verão (16)

 


 


Recomeçam os debates de blogues, no Diário Económico: hoje Rui Herbon pelo SIMplex:


  


Cultivos





(...) 1. A cultura é vista como um sector subsídio-dependente e, no entender de alguma direita, parasitário. Ora, o que não falta em nosso redor são sectores que por uma razão ou por outra são sistematicamente apoiados pelo Estado: a agricultura, as pescas, o investimento estrangeiro; e, na presente crise, até a banca. É necessário investir para colher frutos, e se há actividades culturais que não podiam subsistir sem apoio estatal, outras apenas precisam de um estímulo inicial para se autonomizarem. Nesse sentido, não dispondo de dados relativos à economia portuguesa, refiro o caso do Brasil, onde a cultura representa directamente 1% do PIB, e indirectamente 3%. (...)


 


 e Pedro Vargas David, pelo Jamais.


 

22 agosto 2009

(In)Decência
























 


Há muitas razões pelas quais o PS não deve coligar-se com o PCP. As que são devidas ao tipo de sociedade e de regime que o PCP defende, transparente nos apoios às democracias cubana e norte-coreana, às FARC, à retórica que usa em relação àquilo que, desde o 25 de Novembro, são as políticas de direita:


 


(...) "Durante estes quatro anos, a direita andou desorientada, porque o PS era o melhor executante dessa política de direita. Na entrevista dada recentemente, Manuela Ferreira Leite não apresentou propostas. Pois se aquilo é farinha do mesmo saco, que fazem a mesma política, que têm a mesma visão, apenas têm estilos diferentes..." (...)


 


E outras por questões de pura decência:


 


(...) Já nem falamos do antigo arguido no processo da Casa Pia, Paulo Pedroso que, recebido na Assembleia com palmas dos seus correligionários, após ter ganho a sorte grande no segundo recurso para a Relação, vem agora, qual galinho da Índia, dar conselhos ao seu partido. «Se», diz ele, o eleitorado «votar à esquerda», então o PS, o PCP e o BE não poderão «ignorar» tal postura. E se não «votar à esquerda»? Pedroso que, em Almada elege o PCP e a CDU como inimigo principal, não tem estatura suficiente para estas propostas.

Mas o pior são as palavras de Ferro Rodrigues – também procedente do mesmo saco da antigos suspeitos no caso da Casa Pia. «Se o PS vencer as eleições sem maioria absoluta, deve desafiar o PCP e o BE. E no caso dessas negociações não conduzirem a nenhum resultado, deverá voltar-se para o PSD.» (...)


 


A propósito, ler também Tomás Vasques.


 


Nota: Também aqui


 

A estratégia do PSD

 


Vale a pena ler o artigo de de Correia de Campos que saiu hoje, no Diário Económico:


 


Sementes de Insegurança





A entrevista da drª. Manuela Ferreira Leite no passado dia 20 (RTP-1) não foi improvisada. Assentou em três estratégias: do medo, da minimização do Estado e da superficial simplicidade. Ideias simples e aparentemente impressivas. Tremendas e negativas.





Um suposto clima de medo é agitado para fragilizar os espíritos. Pessoas e empresas teriam medo de Sócrates, apoios a empresas seriam discricionários. O défice estaria já nos 7 ou 8%, o desemprego já acima dos 10%, o país estaria em queda, e a pique, com a vitória do PS. Os 0,3% de início de retoma, devidos à retoma nos outros, sem mérito nosso. O apoio ao desemprego seria apenas indirecto, através das PME. A justiça dividida entre esferas pública e privada. Esquecendo que medo e confiança são antagónicos, admite que são privadas as engenharias de financiamento dos partidos. No limite, um barão da droga poderia ser ministro. Aí, qualquer de nós tem medo.





A minimização do Estado resulta na descrença das suas virtudes, na admissão de escutas, no considerar uma farsa a peritagem do Governador do Banco de Portugal ao orçamento inicial de 2005, (o mesmo que chefiou a peritagem encomendada por Barroso, em 2002). A coligação é com a direita, com mais submarinos, com a redução dos impostos financiada com adiantamento de rendas ou com mais Citigroup, com pagamentos na saúde e educação, pelos cidadãos no ponto de consumo, com menor financiamento da segurança social e do Estado, com erosão da base financeira da solidariedade.





A superficial simplicidade de declarar que todo o programa foi divulgado aos poucos, ao longo de um ano, tão denso que ninguém deu por ele. Que as boas ideias foram copiadas por Sócrates, tudo o que aparecer no dia 27 já foi dito e que o conteúdo de uma folha A4 "não ficaria mal" como programa. Bastaria para "travar a queda do país". Assenta no preconceito de que o português é iletrado, não lê programas de partidos, muito menos na praia, não compreende indicadores estatísticos, nem metas quantificadas e calendarizadas. Com nada de concreto se compromete. Permanece a convicção de que a educação política dos portugueses é hoje como há vinte anos. Como se o tempo tivesse parado.





Simples inexperiência, falta de treino, ingenuidade? Nada disso.





Ideias primárias para forjar simplismos. "Populares" para alimentar demagogias. Agressivas para semear ódios. Exactamente o oposto do que o país necessita para se reerguer.


 


António Correia de Campos, Diário Económico online, 22/08/2009


 


 

Into the West














Annie Lennox


The Lord of the rings


 


Lay down

Your sweet and weary head

Night is falling

You’ve come to journey's end

Sleep now

And dream of the ones who came before

They are calling

From across the distant shore



Why do you weep?

What are these tears upon your face?

Soon you will see

All of your fears will pass away

Safe in my arms

You're only sleeping



[Chorus]

What can you see

On the horizon?

Why do the white gulls call?

Across the sea

A pale moon rises

The ships have come to carry you home



And all will turn

To silver glass

A light on the water

All souls pass



Hope fades

Into the world of night

Through shadows falling

Out of memory and time

Don't say: «We have come now to the end»

White shores are calling

You and I will meet again


 

Minimalismos









 



 


Ainda a propósito da entrevista a Manuela Ferreira Leite, vale a pena ouvir também a última entrevista a Medina Carreira.


 


Poderiam fazer ambos um governo, com o mesmo programa escrito numa folha A4, curto, incisivo, exequível. Medina Carreira tem como prioridade nomear uma comissão para estudar em 3 meses o motivo porque não há investimento estrangeiro em Portugal. Também nomearia uma comissão para estudar em 3 meses como acabar com a corrupção.


 


Ambos minimalistas, sintéticos, sem desperdício de recursos públicos. Assim, com um governo orientado pelo Presidente da República, dos únicos políticos que não é corrupto, com os princípios de Manuela Ferreira Leite e os estudos de Medina Carreira o país, seguramente, seria salvo.


 


Nota: Também aqui.


 






Uma questão de princípio













 



 


Estive a ouvir com toda a atenção a entrevista que Manuela Ferreira Leite concedeu a Judite de Sousa. Ao contrário de Ana Paula Fitas penso que é uma entrevista bastante esclarecedora sobre o seu pensamento político, a forma como tem desenvolvido a pré campanha e a estratégia que está subjacente à próxima disputa eleitoral.


 


Manuela Ferreira Leite considera-se uma pessoa de princípios e declara que nada fará que possa ferir esses princípios e que tudo fará com base nesses mesmos princípios. Ficamos a saber que os seus princípios incluem não se pronunciar sobre aspectos de justiça, no que diz respeito à actuação de António Preto.


 


Ficamos a saber que considera haver asfixia democrática causada pelo governo socialista, em que as pessoas têm medo de participar seja no que for, têm medo de se pronunciar contra o governo, não se importando que os seus apoiantes lancem suspeitas e insinuações sobre as motivações de quem apoia o governo e o PS. Ficamos a saber que não lhe interesse saber se há ou não escutas na Presidência da República, apenas lhe interessando que as pessoas achem que há.


 


Votar em Manuela Ferreira Leite fere os princípios da transparência e do debate de ideias. Alguém a que, por princípio, só lhe interessem murmúrios e boatos em vez de factos e responsabilização, está muito afastada dos princípios fundadores de um estado de direito e democrático.


 


É pois uma questão de princípio não votar em Manuela Ferreira Leite.


 


Nota: também aqui.


 


 

21 agosto 2009

Debates de Verão (15)

 


 


Segunda semana de debates de blogue, no Diário Económico: hoje Porfírio Silva pelo SIMplex:


  


Ousar governar





(...) No mundo do trabalho, essencial à realização da maioria dos portugueses, isto pede o reforço do diálogo social. Dois cinismos ameaçam esta opção. Um aponta para casos de evidente manipulação de lutas laborais para depreciar a representação dos trabalhadores. Outro pretende que a existência de empregadores autoritários e fracassos negociais são obstáculo universal à negociação. O problema é que o cinismo custa caro. A abordagem da direita teve a sua ilustração no descalabro da contratação colectiva em 2004, com uma quebra (face a 2003) de 53% no número de convenções e de 60% nos trabalhadores abrangidos: os valores mais baixos em vinte anos. Sem quaisquer ganhos para a competitividade. Já o governo PS visou renovar as relações de trabalho e abrir-lhes novas perspectivas: impedir a caducidade acelerada dos contratos colectivos; melhorar os mecanismos de arbitragem; submeter os aspectos críticos da adaptabilidade à negociação colectiva e não individual. Os resultados positivos começam a sentir-se: apesar da crise, os primeiros meses de 2009 estão entre os melhores períodos homólogos deste século, (convenções publicadas e trabalhadores abrangidos), podendo ser activados processos antes bloqueados. (...)


 


 e Joaquim Blancard Cruz, pelo Jamais.


 

Nuvem de palavras

 



 


Defender o Quadrado


em


http://www.wordle.net/


 

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...