Ainda a propósito do assunto da discriminação dos homens homossexuais como dadores de sangue, convém que sejamos rigorosos e que procuremos perceber as razões da exclusão desse grupo populacional.
Mais uma vez insisto que essas razões se baseiam em estudos científicos de controlo de risco e são a salvaguarda dos doentes que necessitam do sangue doado (cada pessoa transfundida recebe uma mistura de sangue de vários dadores – concentrados eritrocitários, de plaquetas, etc. - não se usando, praticamente, transfusões de sangue total, o que aumenta o risco de transmissão de infecções).
Como em todas as áreas científicas, o que hoje é verdade amanhã pode não ser. Por isso, e pela constante investigação epidemiológica sobre prevalência de infecções nas populações, assim como a identificação de agentes patogénicos, nomeadamente virais, que se vão acumulando, há muitas vezes controvérsia na aplicação de princípios gerais para um determinado assunto, seja ele os critérios de selecção e exclusão de dadores de sangue, como neste caso, ou de classificação de tumores da glândula tiróide.
Por isso mesmo, existem grupos nacionais e internacionais que se reúnem periodicamente, analisam os vários contributos científicos em cada área, as consequências para a população, éticas, sociais e de saúde pública, e definem orientações ou guidelines para cada caso. Só assim é possível analisar os dados que vão aparecendo diariamente e, quando a evidência suportar a mudança de atitudes, elas possam ser efectuadas com a segurança possível e com a garantia de que se faz tudo para evitar aumentar o risco inerente a qualquer acto médico.
No Annual Meeting de 2008 da American Medical Association (AMA) - REPORTS OF THE COUNCIL ON SCIENCE AND PUBLIC HEALTH - apresentado pela Dra. Mary Anne McCaffree, entre as páginas 421 e 428, faz-se uma revisão das guidelines actuais, as razões, as perguntas e problemas existentes, nomeadamente os levantados socialmente pela sacusações de discriminação dos homens homossexuais, as investigações existentes para determinar se é possível alterar a recusa permanente da doação de sangue por parte deste grupo, conclusões e recomendações (pág. 426 e 427):
Encontrei também outro artigo em que se estuda a hipótese de reduzir esse tempo para 5 anos, implementando a pesquisa sistemática do HHV-8 (Human herpesvírus 8 – associado a linfomas e a sarcoma de Kaposi) no sangue dos dadores.
O que está em causa para os organismos públicos, neste como noutros casos, é o dever que têm de garantir aos receptores de sangue o seu direito a serem tratados em segurança.
Porque não sou entendido na matéria (reconheço que serei um caso raro, neste país de "conhecedores"), leio-a com muita atenção e não hesito em concordar consigo.
ResponderEliminarEsta prevenção não é discriminação. Acho eu.
Se estiver errado só espero que me "descriminem".
Tenha um bom fim de semana
Prevenir é uma coisa, discriminar é outra...Afinal de contas quem diz que um hetero é menos promiscuo que um homo? Os votos de fidelidade trocados durante a cerimónia do casamento, nunca foram levados muito a sério...É ver quem recorre às prostitutas...
ResponderEliminarAcho bem prevenir, mas para isso os profissionais de saúde em vez de perguntarem se a pessoa é homossexual, deveriam perguntar à quanto tempo aquele possível dador tem uma relação estável. E outra coisa, ninguém é obrigado a dizer a verdade, portanto durante o questionário, podem esconder a sua orientação sexual.
E outra coisa, havendo tantas doenças por aí, será que o sangue não é analisado, independentemente das respostas dadas durante o questionário? Será que confiam assim tanto na palavra dos dadores...
Cheira-me que analisar o sangue deve dar muita despesa, confiando-se assim nas respostas dadas...Se um dia fosse parar ao hospital e precisasse duma transfusão, preferia receber sangue dum homo que tivesse uma relação estável, do que de um hetero casado mas que fosse às meninas...
Já vi uma ministra por cá cair, ir a tribuna, porque naquele tempo a informação pública era o que era... Dai que não acredito que seja apenas entre homossexuais e lésbicas que a proibição deva existir. Ela deve existir quando o sangue de qualquer individuo esteja contaminado. A discriminação de grupos de risco devia incluir igualmente heterossexuais . Basta fazer o despiste para se saber se uma pessoa pode ou não dar sangue. O que sobra desta discussão é apenas falta de sensibilidade para lidar com o problema, saber explica-lo e contribuir para uma melhor compreensão deste problema.
ResponderEliminarInsisto em que não existe discriminação. Do que se trata é de minimizar os risco para quem vai receber esse sangue.
EliminarInsisto: a discriminação, chame-se-lhe o que se quiser, deve existir face a individuos portadores de doenças transmissíveis que não apenas as de natureza sexual. E não se trata apenas de minimizar mas de assegurar maximizando que os recebedores de uma transfusão sanguinea não estejam sujeitos a outras complicações que posteriormente possam ser desencadeadas pela necessidade de receberem sangue. Estou de acordo com as suas posições, sobretudo quando releva a questão dos organismos públicos e da política de saúde a ser seguida neste caso em concreto.
EliminarSe fala de discriminação nesse sentido é claro que existe e em relação a várias pessoas que tenham determinado tipos de doenças. Está tudo nos documentos que linkei.
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