Não consigo vislumbrar nenhuma razão, nenhuma justificação, nenhuma forma de considerar algum atenuante para o que se ouve na tal famosa gravação que duas alunas fizeram de uma aula, numa escola do ensino básico, em Espinho, a não ser a insanidade mental da Professora.
Por outro lado incomoda-me muito que o método usado seja um meio ilícito. Não podemos ignorar que é proibido, para além de pouco ético, a utilização de gravações sem autorização de quem está a ser gravado. Os fins não podem justificar os meios e é um perigo que comecemos a funcionar assim.
Mas pelo que se percebe pela história contada pelos media já teria havido tentativas de denúncias de irregularidades que não foram atendidas.
E aí, eu gostava de saber onde está o verdadeiro trabalho jornalístico. Há quantos anos trabalha esta professora? Em que escalão está? Que tipo de avaliações foram feitas ao seu trabalho e qual o seu resultado? O que fizeram os seus colegas, comissões pedagógicas, conselhos directivos e comissões de pais? Onde está o garante do bom funcionamento da escola pública, defendida à exaustão pelos representantes dos professores? Como é possível haver uma professora destas a ensinar?
De facto, mesmo achando um perigo a violação das liberdades para a denúncia de determinadas situações, que outras diligências foram feitas e como foram encaminhadas? Será que foi esta a única hipótese que aquelas alunas tiveram de ser ouvidas?
Gostaria muito de ver algum jornal ou rádio tentar responder a estas perguntas, em vez de repetirem ad nauseum a gravação. Mas no fundo, é mesmo só isso que interessa.
Também há outra coisa que faz pensar. No caso em que uns alunos gravaram uma batalha campal com uma professora por causa de um telemóvel notou-se uma grande vontade por parte de alguns sectores políticos, em defender os alunos e em considerar a professora inapta. Desta vez parece estar a acontecer o contrário, focalizando-se o assunto na ilegalidade da gravação e no facto de alguns alunos a considerarem uma professora bestial . Curioso.
Melhor ainda é o aproveitamento deste episódio para ligar a legislação sobre educação sexual e a distribuição de preservativos. Já não bastava termos as confissões religiosas do costume a tentarem impor a sua ideia do que é a escola pública.
Bravo Sofia.
ResponderEliminarPena que o jornalismo ( até o dito de refer~encia ) não faça trabalho jornalísitco e depois queixam-se.
Realmente qual a informação dada aos leitores e/ ou ouvintes ?
Nenhuma e agora entra-se na discussão do ilícito da gravação.
Cumprimentos
Cara Sofia,
EliminarE não lhe parece estranho o "ruidoso" silêncio de Mário Nogueira, profissional do sindicalismo (Faltando à verdade de modo compulsivo e recorrente. Agora foi o caso do manual de instruções para os prof.s acompanharem as provas de aferição do 4.º e 6.º anos: o manual existe há, veja bem, 10 anos!)?
Tão lesto a falar sobre quando se trata de "malhar" na Ministra (às vezes ela põ-se a geito...), sobre este "caso", MG, não tem opinião?
Não acredito.
O homem tem opinião sobre TUDO.
Já sei. Como a Ministra e o Ministério não têm nada a ver com este assunto, este, não faz parte da agenda politico-sindical de MG. É isto.
JA
Obrigada ao António P e ao JA . A FENPROF está silenciosa como provavelmente, estiveram silenciosos os colegas do CE da mesma escola, durante tempo de mais. Não sei, mas gostaria muito de saber.
EliminarAssino de cruz!
ResponderEliminarObrigada, MDSOL. Também assinei o seu!
EliminarEstou admirado porque nas investigações em curso, ainda não ficou esclarecido, se a dita participou ou não nas mega-manifestações, dado que esse facto é fundamental para uma análise mais criteriosa da postura da senhora.
ResponderEliminarJRD , não sei se a participação em mega manifestações é explicação de tresloucamentos ...
EliminarOra agora é que tu puseste o dedo na ferida. Não creio que uma professora que tenha este tipo de comportamento nunca tenha dado indícios de atitudes incorrectas e inapropriadas para a docência. Bom, a não ser que se tenha passado completamente assim, de repente...
ResponderEliminarQue atitudes foram tomadas pelos C.E.no sentido de criar condições para que essa senhora não esteja com turma. Que hipotéticas queixas já terá tido. Quantas não terão sido geridas pelo método do "abafamento"
Contra mim falo, mas a verdade é que tendemos sempre para um certo corporativismo e custa-nos muito expor os podres de um profissional da nossa classe. E quando digo isto não me refiro apenas aos professores; refiro-me a todas as classes em geral.
Também a mim me perturba deveras o método utilizado. Estamos a entrar numa situação errada, ilegal, claro, mas incontrolável a qual se me afigura como um grande risco do qual ninguém está livre...
Beijos. E parabéns pois, como sempre és de uma lucidez invejável.
Gostava muito que algum dos nossos jornalistas de investigação investigasse...
EliminarSofia:
ResponderEliminarninguém na plenitude das suas faculdades pode aprovar o método com que esta professora se dirigia aos seus alunos e que eram miúdos de 12 e 13 anos. ninguém.
mas a questão aqui é mais complexa do que aquilo que parece.
tu falas numa certa "legitimidade" que possa existir na gravação como forma daquelas crianças se poderem fazer ouvir e justificar aquilo que diziam.
segundo se consta já há vários meses se andava a falar na escola e em casa que a aula de História da Dra. Josefina não seguia à risca o programa.
se se falava é porque já se tinham feito ouvir.
agora, quem tinha o poder de ter agido na altura certa assim que os primeiros Encarregados de Educação - os tais sem nível -, se começaram a dirigir à Escola é que é o grande responsável por ter deixado a situação chegar ao horário nobre das televisões e assim destruir por completo a vida de uma pessoa (muito provavelmente) doente.
porque agora é que esta mulher vai ficar irremediavelmente destroçada para o resto da vida. mas o que me assusta nisto tudo é que ao ouvir a gravação feita por uma turma problemática que supostamente faz sempre barulho, naquela aula, como a missão era destruir a docente imperava um silêncio cúmplice , pois aqueles miúdos da idade do meu filho, que com toda a certeza no recreio da escola usam o grotesco para falar de sexo e o vão continuar a fazer - eu já tive a idade deles e sei daquilo que falam e fazem - , seguiram à risca aquilo que os seus pais fazem no dia a dia:
tramar o próximo para se auto-evidenciarem e assim sobreviverem.
é mau Sofia.
é muito mau, uma sociedade que incentiva o uso de golpes baixos para se promover ou justificar aquilo que está errado.
eu tive professores com problemas.
o meu filho tem professores com problemas.
eu tenho colegas com problemas.
as pessoas com problemas não agem dentro da normalidade.
mas não é por não o fazerem que, e de uma forma hitleriana , vamos optar pela via do seu extermínio
escolhi o teu blog para falar de uma forma decente deste tema.
acho que escolhi bem. .
Obrigada pelo comentário, PDuarte .
EliminarTenho as mesmas preocupações e as mesmas reservas, assim como também penso que os responsáveis que deveriam ter agido não o fizeram e isso deveria ser apurado. Pelo que ouvi não era há alguns meses que se falava no assunto, mas há alguns anos. Por isso, e só por isso, com a reserva de não saber o que foi tentado antes para resolver a situação, posso achar justificável a gravação. Mas que tudo isto me arrepia, isso é óbvio.