22 abril 2009

Processos e entrevistas

 


José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes vão processar José Sócrates. Não entendo o alarido. É um direito que lhes assiste, tal como ao Primeiro-ministro.


 


A entrevista de ontem foi mais uma prova da fraca capacidade jornalística na entrevista política e da vocação de rolo compressor de Sócrates.


 


Judite de Sousa não conseguiu disfarçar o azedume contra Sócrates assim como Sócrates tratou Judite de Sousa com um desprezo absoluto. Falou-se da cooperação institucional entre o Presidente da República e o governo durante metade do tempo, em que os entrevistadores, principalmente Judite de Sousa, tentaram demonstrar a Sócrates que os discursos do Presidente visavam as opções governativas. Sócrates aproveitou para enviar um recado ao Presidente e à oposição quando disse que não acreditava que o Presidente se deixava instrumentalizar pela oposição.


 


A outra metade foi passada a falar do Freeport, tendo mais uma vez Judite de Sousa instado José Sócrates a defender-se da acusação de corrupção, quando Sócrates não é acusado de nada.


 


José Alberto Carvalho esteve muito apagado. Suspeito que detesta este tipo de entrevistas.


 


José Sócrates abalroou os jornalistas e só disse o que lhe apeteceu. Ao seu estilo esteve bem, embora a escassa fase em que se falou da crise e em que procurou passar a imagem de que quando reduziu o IVA já a estava a antecipar, tenha estado a reescrever a história, como disse Nicolau Santos.


 


De Vital Moreira e do debate europeu é que se tem ouvido um silêncio ensurdecedor. Tal como defendi neste post, e após a primeira prestação televisiva do cabeça e lista do PS para as eleições europeias, o PS tem uma séria hipótese de se dar mal com esta escolha. Não só Vital Moreira está a ser empurrado para uma discussão de política interna e não de política europeia, mérito da estratégia do PSD, como está a criar anticorpos e antipatias.


 


Se as eleições europeias se transformarem nas primárias das legislativas, o PS pode estar em muito maus lençóis.


 

7 comentários:

  1. É apenas uma minudência, mas é daquelas minudências provocadas por aquelas imprecisões bastante espalhadas e, por isso, bastante irritantes.

    Judite de Sousa chama-se Judite Sousa sem de. Pelo menos é assim que eu concebo que se abrevie o nome Judite Fernanda de Jesus Rocha e Sousa.

    Abreviado creio que dá Judite Sousa, Judite Rocha e Sousa, se se quiser que a coisa pareça mais pomposa, mas Judite de Sousa, creio que não.

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  2. Pensei que tivesse sido impressão minha que percebo pouco destas coisas. Mas, também para mim foi evidente a animosidade de Judite Sousa, que não Judite DE Sousa, para com o Primeiro Ministro e a sua reciprocidade na forma de desconsideração...

    Aliás, o que me pareceu e eu não consegui ver a entrevista toda, é que o Senhor respondeu ao que quis e quando quis...

    A verdade, também, é que só ouvi perguntas parvas e sem interesse nenhum para a evolução governativa do país.
    Mas, por outro lado, favorecedoras de audiências porque tocam o diz-que-diz...

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  3. assis12:52

    só não percebo porque é o que o casal moniz , se está assim tão indignado , ainda não processou joão marcelino , no dn , e fernando madrinha (se não estou em erro) no expresso, que disseram basicamente aquilo que o pm disse sobre o jornal da tvi das 6ªs feiras. cá p'ra mim o que o casal quer é novela.

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  4. Fernando15:17

    Concordo com a fraca qualidade jornalística dos jornalistas em questão, nomeadamente da jornalista. Porém, essa é realidade do jornalismo português, salvo excepções. Quanto à questão de fundo, diga a minha cara amiga, que medidas politicas concretas , tomou o governo socialista, que tenha melhorado o bem estar dos portugueses relativamente ao período anterior a este governo .
    Citando Mandela, um verdadeiro governante é aquele que acaba ou esforça-se por acabar com a pobreza dos seus concidadãos. E aí, minha cara amiga, nem este governante nem os anteriores foram dignos desse titulo.

    Lobo das Estepes

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  5. Ernestina19:01

    Judite Sousa usou o seu deplorável estilo de metralhar o entrevistado, interrompendo-o, insistindo nos mesmos pontos, interrogando com sobranceria. Mas uma entrevista não é um combate de boxe. Em NENHUM outro país da nossa Europa ou nos Estados Unidos, um primeiro-ministro aceita sujeitar-se a um interrogatório televisivo sem regras civilizadas.
    O papel do jornalista é o de confrontar o entrevistado com as questões que são do interesse público, formulando as perguntas pertinentes, difíceis, e dar-lhe oportunidade de responder. Na entrevista, o jornalista não é o protagonista.
    Não faltou vivacidade nas entrevistas/debates da recente campanha presidencial americana. Má-criação não houve; houve, sim, muito profissionalismo.
    José Alberto Carvalho esteve pouco interveniente, embora ele até seja um entrevistador competente.
    Quanto ao Prós e Contras, o modelo escolhido (cinco participantes - quatro contra um) foi um total contra-senso.

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  6. E também temos a outra Judite, a PJ que, dizem, faz umas entrevistas muito agressivas.

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