É claro que já apareceram os comentadores para nos explicarem o que é que o Procurador Geral da República queria dizer, as contradições do comunicado, em que rapidamente a violação da deontologia profissional e comportamentos de magistrados do Ministério Público que intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação já foram transformados em pressões existentes e ameaças ao Sindicato dos Magistrados do MP.
E ainda por cima afirmar que tudo será investigado e inquirido, pessoas, testemunhas e contas bancárias, de quem quer que seja, são claramente declarações políticas que até ficam mal ao Procurador.
Eu acho que é melhor ler o comunicado. Além de que, se houve um Magistrado que mandou umas bocas infelizes os outros, isso pode ser pouco deontológico mas não ser pressão.
E afinal, quem eram as forças e os poderes im-pressionantes. Só o Magistrado Lopes da Mota é que deve ser inquirido? E o Sindicato dos Magistrados do MP?
COMUNICADO
Face às notícias amplamente divulgadas pela Comunicação Social sobre o chamado caso “Freeport”, após reunião com os magistrados titulares do processo e a Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, considera-se necessário esclarecer o seguinte:
1º
Os Magistrados titulares do processo estão a proceder à investigação com completa autonomia, sem quaisquer interferências, sem pressões, sem prazos fixados, sem directivas ou determinações, directa ou indirectamente transmitidas, obedecendo somente aos princípios legais em vigor;
2º
Como os Magistrados titulares do processo expressa e pessoalmente reconheceram, não existe qualquer pressão ou intimidação que os atinja ou impeça de exercerem a sua missão com completa e total serenidade, autonomia e segurança;
3º
A existência de qualquer conduta ou intervenção de magistrado do Ministério Público, junto dos titulares da investigação, com violação da deontologia profissional, está já a ser averiguada com vista à sua avaliação em sede disciplinar e idêntico procedimento será adoptado relativamente a comportamentos de magistrados do Ministério Público que intencionalmente e sem fundamento, visem criar suspeições sobre a isenção da investigação;
4º
A investigação prossegue com a inquirição de todas as pessoas que os magistrados considerarem necessárias, com a análise de todos os fluxos e contas bancárias com relevância, bem como com o exame da documentação atinente, nacional e estrangeira;
5º
Todos os elementos de prova serão analisados e todas as informações estudadas, sem qualquer limitação para além daquelas que a equipa de investigação entender decorrerem da lei;
6º
Tem sido correcta, eficaz e dedicada a colaboração dos Órgãos de Polícia Criminal, esperando-se uma cooperação igualmente frutuosa das autoridades de outros países a quem foi solicitada, de harmonia com as leis que regem as relações internacionais;
7º
Fracassarão todas e quaisquer manobras destinadas a criar suspeições e a desacreditar a investigação, bem como as tentativas de enfraquecer a posição do Ministério Público como titular do exercício da acção penal ou a enfraquecer a hierarquia legalmente estabelecida para o Ministério Público, atenta a firme determinação da equipa de investigação de chegar à verdade última do processo e tornar conhecidos todos os factos, logo que isso seja possível;
8º
O Procurador-Geral da República e a Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal têm completa e total confiança em toda a equipa de investigadores, designadamente nos elementos da Polícia Judiciária, que colaboram, como foi transmitido ao seu Director Nacional.
Lisboa, 31 de Março de 2009
O Procurador-Geral da República
(Fernando José Matos Pinto Monteiro)
"E afinal, quem eram as forças e os poderes im-pressionantes. Só o Magistrado Lopes da Mota é que deve ser inquirido? E o Sindicato dos Magistrados do MP?"
ResponderEliminarThat's it!!!
abraço
Pois não há pressões é tudo imaginação do representente do sindicato dos magistrados, vivemos todos no mesmo local da Alice no País das Maravilhas
ResponderEliminarExactamente.
EliminarÉ tudo imaginação do senhor presidente vitalicio do sindicato dos magistrados.
Senão porque raio só insinua?
Oh insidia!
Desculpem-me a ignorância mas se os magistrados se sentem "pressionados", não lhes é conferido o poder próprio de agir? Quem melhor conhece (ou devia conhecer) os meandros da lei? Que garantias tem o cidadão que se depara com "queixinhas" trazidas para a praça pública quando tudo se resume (ou parece resumir) a um só indivíduo?
ResponderEliminarDepois o PGR não tem que vir a terreiro "garantir" aquilo que está implicitamente garantido (porque se não está existem os meios e sedes próprias para resolver essas questões).
Sinto-me como uma espectadora num circo - só que no circo dá-me vontade de rir abertamente; aqui vejo-me grega para sorrir.
de comunicados está o pais farto
ResponderEliminarpor favor, esclareçam este caso o mais rapido possivel
«... Um magistrado que diz que foi pressionado ou que é pressionado se calhar não tem condições psicológicas para ser magistrado».
ResponderEliminarAutor: António Marinho Pinto,Bastonário da Ordem dos Advogados.
ResponderEliminarSão rosas
senhora
O presidente do Sindicato dos Magistrados do MP e muitos outros magistrados andam mais preocupados com as câmaras de televisão, do que com a barra dos tribunais. O poder mediático por vezes é perverso, mas quando os agentes da justiça se deixam enredar por ele, a credibilidade da justiça atinge o grau zero da credibilidade.
ResponderEliminarPor onde anda?
ResponderEliminarEle há pessoas que nos fazem falta: você joga nessa categoria.
Abraço,
JA
Obrigada a todos pelos comentários. Tenho estado silenciosa mas apenas por motivos circunstanciais.
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