As notícias mais divulgadas no Carnaval estiveram de acordo com a quadra. A apreensão de livros em que figurava uma foto do quadro L'Origine du monde, de Gustave Courbet, e a proibição de uma imagem de um nu feminino no monitor do “Magalhães”, num carro alegórico de Torres Vedras, é de um ridículo muito português, tal como a marcha das “Mães de Bragança”, para citar só um exemplo.
O moralismo bacoco que se exibe e a hipocrisia atrevida da afronta dos nus femininos ou masculinos, é mais grave que a falta de conhecimentos de arte pictórica. Convenhamos que deve haver uma pequeníssima percentagem de pessoas, em Braga, Bragança, Vila Real de Santo António, Porto ou Lisboa, que conheçam a obra de Gustave Courbet.
O problema, tal como aponta Tomás Vasques, é o poder que qualquer pessoa que se sinta ofendida com um livro, uma estátua ou um monitor de computador tem, ao desencadear um ataque persecutório em defesa da moral e dos bons costumes.
Não se pode decretar o fim da grunhice, mas pode-se legislar sobre quem pode exercer o poder de proibir manifestações de alma, artísticas ou outras. Ou não?
(pintura de Gustave Courbet: L'Origine du monde)
A pressurosa polícia de Braga fez mais pela divulgação do quadro em Portugal do que algum dia alguém pode imaginar. (o termo grunhice é muito bem apanhado. Agora não sei o que é mais grunho, se apreender o livro pelo motivo que foi dito, se "libertar" o livro pelo motivo que foi também dito... Balhamedeus ).
ResponderEliminarEu, por via das coisas, resolvi fazer um teste lá no meu canto...
:)))
Com pessoas a reclamarem, a polícia ia pôr-se a considerar direitos humanos ou ia apurar a origem e título da pintura (de tão realista, dir-se-ia uma foto), quando estava ali mesmo o título do livro "Pornocracia"?
ResponderEliminarAqueles reclamantes são grunhos? Concordo, mas a minha liberdade não se pode sobrepor à liberdade dos outros. E há a questão do privado vs. público...
Precisamente porque a liberdade de uns não se deve sobrepor à de outros é que este tipo de atitudes é absolutamente reprovável.
EliminarE legislar como, Sofia? Se no caso de Braga foram polícias, talvez iletrados, no caso de Torres Vedras foi um tribunal, a pedido de uma magistrada do MP, que nem se deu ao trabalho de ir ver do que se tratava!
ResponderEliminarNão deixa de ter razão. O que me preocupa é mesmo isso.
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