Esperei pela anunciada entrevista a Manuel Alegre para tentar perceber quais eram exactamente as bases da alternativa ao poder de que ele é o porta-voz e o impulsionador.
Em primeiro lugar percebi que Manuel Alegre estaria disposto a protagonizar uma base de apoio para uma coligação com o PS, caso este não alcançasse a maioria absoluta, para que o PS tivesse um movimento, um partido, uma base programática que puxasse a sua governação (que Manuel Alegre acha maioritariamente de direita) para a esquerda.
Depois Manuel Alegre confessa que tem a convicção que José Sócrates jamais se coligaria com o tal movimento / partido / entidade, portanto seria uma alternativa de esquerda a uma eventual coligação de direita.
No entanto Manuel Alegre não explicitou de que modo seria possível concretizar em votos, em percentagem eleitoral, essa alternativa, visto que não assumiu que seria necessário fazer um partido ou uma coligação de partidos, pois não é possível, com a nossa lei eleitoral, que um movimento de cidadãos concorra às legislativas.
Por outro lado foi dizendo, às vezes quase entre dentes que esperava que tudo acabasse em bem, e que o que ele desejava é que o PS governasse à esquerda.
A palavra esquerda foi muitíssimo repetida por ele, em oposição ao seu julgamento do PS governamental que, segundo ele mesmo, quis desmantelar o SNS, está a destruir a escola pública e a não apostar na qualidade e eficiência dos serviço públicos, para além de ter aprovado um código de trabalho de direita.
Ao longo de toda a entrevista não só nunca explicou concretamente em que se baseava para semelhantes acusações ao governo, nunca explicitando as razões exactas para além de generalidades, frases feitas e ideias vagas, nem apresentou medidas alternativas concretas que demonstrassem a bondade de esquerda da sua alternativa.
Não ficámos a saber como se iria qualificar a escola pública nem porque é que a avaliação dos professores a está a destruir; ficámos sem saber se foi a reorganização da rede de urgências, urgente e absolutamente necessária para que toda a população tivesse acesso a cuidados de saúde qualificados e em tempo útil; se a reestruturação das maternidades que permite que todas as grávidas tenham direito a ser assistidas por técnicos com a experiência e competência exigida por normas internacionais; se a reforma dos cuidados de saúde primários, crucial para uma verdadeira reforma do SNS; se a política do medicamento; se o esforço para a sustentabilidade financeira do SNS; que medidas estavam a destruir o SNS e quais as que, em alternativa, se propunham. Continuámos sem saber o quê, em concreto, está errado no novo código de trabalho.
Assisti à entrevista com um misto de esperança e de desilusão. Não basta dizer muitas vezes esquerda, social, desfavorecidos, liberdade, direita, contra, resistir, não basta conhecer a sonoridade das palavras e saber utilizá-la. A ausência de qualquer ideia concreta, nova, de facto revolucionária ou reformadora, de uma nova forma de encarar os problemas, a crise, os valores, foi patente.
Que alternativa é esta?
É ! Há muito por concretizar... Mas creio que, entretanto, vale a pena estar atento.
ResponderEliminarCara Sofia,
ResponderEliminarPercebo a sua "desilusão", mas recorde por favor quais os factos que a levaram à ilusão.
Talvez o JPCastro no seu bl-g-x-st tenha razão...quem sabe ?!
Veremos.
Finalmente acordou!
ResponderEliminarCom que então desiludida com o poeta!
Manuel Alegre é um tretas.
Obra feita, onde é que está?
Quando se proferem comentários destes:
EliminarFinalmente acordou!
Com que então desiludida com o poeta!
Manuel Alegre é um tretas.
Obra feita, onde é que está?
Só se pode responder, pena é tanta raiva pela palavra. DE facto a poesia ainda incomoda muita gente
P.S: Literalmente não leu bem o comentário da autora
Não são precisas ideias novas. Basta recuperar as que o triunfalismo palerma pós-queda do muro de Berlim atirou borda fora.
ResponderEliminarFoi a base da riqueza e paz social da Europa mais desenvolvida. Chama-se Social Democracia, como parece descobrir Merkel (que lhe chama coisa nova porque não estava cá quando Adenauer governava).
O que o governo Sócrates faz não é Social Democracia. Ou, se tenta ser, não tem jeitinho nenhum.
Os deputados eleitos nas listas do PS fizeram o seu habitual jantar de Natal.
ResponderEliminarManuel Alegre não compareceu!
Porque é que, de uma vez por todas, esta espécie de poeta não tem a coragem de se demitir do PS e de colocar o seu lugar de deputado à disposição do partido que atura as suas diabrices há trinta e tal anos?
Esta espécie de poeta deve lealdade ao partido e aos eleitores que o elegeram.
Ainda não vale tudo!
Chega!
Manuel Alegre quer e não quer.
ResponderEliminarCom três eleições à porta, cada vez mais caras,
onde se vai arranjar dinheiro para a tal alternativa de esquerda (qual?).
A hipotética refundação da esquerda acordou tarde.
Quanto ao BE sabem muito bem o que quer: um «frentismo» com caras conhecidas que lhe dê mais votos.
Alegre já devia ter saído do «palco». Políticos vitalícios em democracia, só muito excepcionalmente.
Cumprimentos