Nunca percebi muito bem a necessidade do movimento de alguma esquerda no sentido de legalizar a união de pessoas do mesmo sexo na forma de casamento, contrato que regulariza a união entre pessoas de diferentes sexos, tal como também nunca percebi muito bem a necessidade de se transformar as uniões de facto em casamentos sem assinatura.
Mas não tenho rigorosamente nada contra a existência de um contrato que regularize as cláusulas contratuais de uma união entre pessoas do mesmo sexo, chame-se ela como se chamar, assim como também não tenho nada contra as uniões de facto. Quem se quer casar tem os direitos e os deveres consagrados num contrato civil que se designa casamento. Quem não quer esses deveres e esses direitos não se casa.
Também não me parece que este assunto do casamento entre homossexuais seja assim tão importante e premente na nossa sociedade para tanto se falar dele e para tanta urgência no debate de uma lei no parlamento.
Mas o que acho mesmo totalmente inaceitável é o PS ter votado a obrigatoriedade da disciplina de voto na votação de uma lei que regularize o casamento entre homossexuais, em vez de ter dado liberdade de voto aos seus deputados.
Qual o objectivo político, a coerência, a dignidade de tal decisão?
Isto é atingir o grau zero da política, para além de ser totalmente estúpido e incompreensível.
Não vem ao caso saber como seria o meu voto. Mas tem toda a razão quanto à disciplina imposta.
ResponderEliminarComo sempre , a Sofia põe o dedo na ferida !
Parabéns pelo merecido destaque no sapo.
ResponderEliminarSubscrevo completamente o post .
O «casamento» entre homossexuais é uma manobra de diversão (temas fracturantes para encher telejornais) para disfarçar a ausência de propostas politicas dos partidos de esquerda.
Cumprimentos.
Parece-me muito lúcida a sua análise no que respeita a este tema. Vou fazer uma chamada no meu blogue para o seu post.
ResponderEliminarObrigada a todos pelos comentários.
ResponderEliminarSofia,
ResponderEliminarPermita que discorde consigo. Totalmente!
É um assunto pertinente e consagrado na Constituição da República Portuguesa pelo principio da igualdade (artº 13º CRP) que diz que :
«…
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
…»
O artº 1º da Declaração dos direitos do Homem é clara:
« Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.»
A última parte do artigo 13º da CRP fala da especifica e concretamente da orientação sexual. Vivemos num país livre. Que aboliu a pena de morte muito antes de tantos outros que se consideram livres e justos, que fez uma revolução sem sangue (ou quase) e restituiu a liberdade ao nosso povo e somos um dos países mais antigos do mundo.
Os homossexuais têm vantagens e direitos que lhes são hoje negados por não terem o tal dito contrato (casamento). Se todas as pessoas com menos de 1,60m de altura fossem proibidas de votar por ainda não estarem “à altura” seria justo? É fácil falar quando temos 1,75m, certo?
Não sou homossexual, mas tal como não concordando com o aborto, considero ainda assim, que a livre escolha está acima das minhas convicções e a sua despenalização deve ser (e foi) concretizada, também acho que o casamento (civil, fiscal e legal obviamente) entre homossexuais deve ser permitido.
Tolerância e evolução. É tudo uma questão de tempo.
Quanto à disciplina de voto, também aí está correcta a decisão – vistas as coisas neste prisma – não é uma questão de escolha ou consciência individual como querem fazer entender, mas sim de liberdade e igualdade de direitos perante a sociedade!
Importantíssimo e premente o suficiente para ter carácter de urgência. Faça-se um novo 25 de Abril se assim não for.
Cumprimentos
Mário
Obviamente que permito que discorde de mim, tal como eu sou livre de discordar de si.
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