25 outubro 2008

A inevitabilidade das revoluções

Ouvimos todos os dias alguém dizer, a propósito de tudo e de nada, que é preciso reformar os serviços públicos, a saúde, a justiça, a administração central e local, a educação.



Com a resistência à mudança inerente ao ser humano, com os interesses, hábitos, procedimentos e atitudes instaladas durante décadas, mesmo que teoricamente se seja a favor da reforma, muito se faz ou tudo se faz para que ela não aconteça.



Mas as reformas são praticamente impossíveis. Até porque o desejo de reformar, após tantos obstáculos e recuos, deixa de existir, e o promotor da reforma transforma-se rapidamente em mais um pouco estimado compincha da resistência passiva.



Por isso tenho chegado à conclusão que, na maior parte das circunstâncias, é preciso que haja rupturas com o que era, para ser possível passar a ser diferente. Rupturas que implicam dor, radicalidade de actuação, que dividem profundamente em vez de uniren em consenso.



Assim, à medida que o tempo passa e eu vou envelhecendo, acredito cada vez mais que é a revolução que imprime mudanças, esperança e motivação.


 



(pintura de Jenny Keith-Hughes: polite revolution)

3 comentários:

  1. Respostas
    1. José Carlos, falei em revoluções em sentido lato. Em tudo o que se diz que deveria ser reformado estou convencida que não há capacidade para transições macias e progressivas. As mudanças verdadeiras acontecem após rupturas com o estabelecido. Daí a necessidade de revoluções.

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    2. Fico esclarecido. E estou de acordo consigo. Mas como a Sofia falava de revolução no singular...

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