Trarei flores novas por entre os dentes, aos pés dos leitos por onde já passei. Lençóis de dor e fé, de início ou de fim, a mesma carne com ou sem estremecimentos.
Tantos olhos que por mim viajam, procurando respostas e esperança. A todos fujo, mesmo sorrindo e apertando mãos, mesmo que gele as certezas, que se me escapem as pedras inevitáveis.
Trarei flores tenras por entre os dedos, que enterrarei na terra que me não espera. Assim vou guardando o meu lugar, junto daqueles que já não estão.
(pintura de Jana Bouc: cemetery day)
"Deus ao mundo deu a guerra,
ResponderEliminarA doença, a morte, as dores;
Mas, para alegrar a terra,
Basta haver-lhe dado as flores.
Umas, criadas com arte,
Outras, simples e modestas,
Há flores por toda a parte
Nos enterros e nas festas,
Nos jardins, nos cemitérios,
Nos paúes e nos pomares;
Sobre os jazigos funéreos,
Sobre os berços e os altares,
Reina a flor! pois quis a sorte
Que a flor a tudo presida,
E também enfeite a morte,
Assim como enfeita a vida.
Amai as flores, crianças!
Sois irmãs nos esplendores,
Porque há muitas semelhanças
Entre as crianças e as flores... "
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac
Cumprimentos, Sofia.
É sempre um prazer lê-la.
Que lindo Sofia!
ResponderEliminarEnche a alma.
Gostei também do poema de Olavo Bilac que te ofereceram à laia de comentário, um dos poetas brasileiros que muito aprecio.