18 julho 2008

O contraditório

A somar aos pedidos de contraditório aos comentários políticos de Marcelo Rebelo de Sousa, agora juntam-se os pedidos de contraditório no que diz respeito à indignação pelos presos políticos.



De uma forma que me deixa indisposta, quem lê os posts de Vítor Dias só pode considerar-se limpo de consciência se, por cada refém das FARC que denunciar e pedir para ser libertado, associar a denúncia e o pedido de libertação de um sindicalista preso pelo regime encabeçado pelo Presidente Uribe.



Nesta contabilidade não sei quantos sindicalistas valem a liberdade de Ingrid Betancourt, ou quantos posts de indignação e solidariedade pelos comunistas presos na Colômbia se devem somar para justificar os posts que pediram a libertação de Ingrid Betancourt.



A condenação das FARC não implica a defesa das políticas praticadas pelo regime colombiano, nomeadamente a perseguição de sindicalistas, comunistas, jornalistas e outros, pela exposição e defesas das suas ideias, da corrupção e do narcotráfico.



Sei pouco do que se passa na Colômbia. Mas através do Human Rights Watch encontrei vários artigos, incluindo o relatório mundial de 2008, onde se fala de atentados aos direitos humanos por parte dos grupos paramilitares e terroristas, onde se inclui as FARC, e do próprio regime. Ninguém está inocente.



A indignação por quem sofre em regimes totalitários é universal, para os de direita e para os de esquerda, em todos os países em que tal sucede, sejam eles em que continente for. Mas o PCP e os seus porta-vozes, preferencialmente não se referem ou encontram sempre justificação para os atropelos à liberdade, quando praticados por quem o PCP aceita como seus companheiros, defendendo os trabalhadores e os democratas, como as FARC, nem que a justificação seja apenas a oposição a regimes que também atropelam os direitos humanos.



Ao contrário de Vítor Dias não contabilizo a minha solidariedade nem a minha revolta.

6 comentários:

  1. vítor dias18:22



    Cara Sofia:

    É certo que é fim-de-semana, o que talvez explique a disponibilidade, mas para quê tanta conversa e tanta filosofia se já todos percebemos que, infelizmente também para a Sofia, há os sempre lembrados e os sempre esquecidos.

    Já que é fim-de-semana, faça uma pesquisa no google e veja quem é que conseguiu introduzir na blogosfera portuguesa o tema - até aí praticamente ignorado - dos milhares de assassinados pelos para-militares com estreitas ligações ao regime de Uribe .

    Em tempo, cara Sofia :«o sindicalismo» preso já apareceu numa lixeira, sonb a forma não de refém mas de cadáver, onde foi colocado morto dois dias depois de ter sido raptado.

    Este, e outros milhares, nunca irão ao 14 de Julho em Fança.

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    1. Vítor Dias:
      Os meus princípios não folgam aos fins-de-semana nem em dias feriados. De facto é o PCP e os seus companheiros que apenas se referem aos presos políticos quando estes são feitos em regimes de direita ou que o PCP apelida de regimes de direita.

      Pois ainda bem que, ao contrário de Guillermo Rivera Fúquene e de outros milhares de reféns, Ingrid Beancourt foi libertada e em condições e ir ao 14 de Julho. Considero isso uma vitória, não um motivo de pesar.

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    2. vítor dias18:49



      Cara Sofia:

      Já basta que fuja aos quesitos que eu coloquei no meu comentário, quanto mais vir atribuir-me o que eu não escrevi. Fique sabendo que na blogosfera portuguesa devo ter sido dos 1ºs a saudar e a regozijar-me com a libertação de Ingrid Bettencourt.

      Isso não me causou nenhum pesar, pois o que me causa pesar são os milhares de assasssinados de que ninguèm fala.

      Já agora, Sofia, não reparou no significado de, no seu post, não ter sido capaz de escrever o nome do Guillermo Rivera?

      Foi para não andar às «ordens» do Vítor Dias e dos seus alegados critérios contabilisticos ? E quando escreve o de Ingrid (felizmente vivissima da costa e
      bem atraente), a Sofia está afinal às «ordens » de quem ?

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    3. Vítor Dias:

      Em primeiro lugar não me colocou nenhuma questão nem eu estou a responder a um inquérito.

      Em segundo lugar não lhe reconheço autoridade moral para decidir da melhor ou pior consciência seja de quem for. Eu não avalio o direito à vida e à liberdade pelo estatuto social ou pela ideologia política. A vida e a liberdade são valores em si mesmos, a que todos os seres humanos têm direito. Por isso a vida e a liberdade de Ingrid Betancourt não valem mais nem menos do que a vida e a liberdade de Guillermo Rivera . Ou seja, eu não coloco nenhum “mas” à felicidade da sua libertação, apenas lamento que tantos outros ainda não o tenham sido, e lamento ainda mais que tantos outros tenham morrido às mãos dos seus agressores.

      Não aceito que haja medidores de consciência, de esquerdismo ou de defensores da liberdade, ainda mais por parte de quem, ainda hoje, se evade a condenar sem ressalvas regimes e práticas de aliados ideológicos que a esmagadora maioria das organizações internacionais denunciam que atentam contra os direitos humanos, nomeadamente a Coreia do Norte, Cuba, Bielorrússia, etc.

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  2. Como diz a Sofia : ninguém está inocente !

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