Vamo-nos indispondo cada vez mais na solidão, mas nem sabemos os braços que nos vão faltando, o peso insustentável dos olhos que se vão baixando, o frio que se instala devagar e nos arrepia os lábios, numa sugestão de sorriso.
Vamo-nos aconchegando cada vez mais na nossa solidão, esquecendo que a lareira é alimentada pelas vozes e pelos silêncios da companhia de quem queríamos, ou de quem julgávamos querer.
E são tardes de chumbo, manhãs submersas em múltiplas caminhadas inúteis, noites entretidas de nada.
E são inevitáveis como o tempo.
(pintura de Alfred Wallis: Boats under Saltash Bridge)
A solidão também pode ser rica... Trata-se de saber viver com a vacuidade.
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