12 abril 2008

Registos (1)


 


Ouve-se e lê-se por todo o lado que a Ministra da Educação recuou até ao Inferno e que Mário Nogueira, porta-voz da plataforma sindical, subiu aos céus.

Pelos vistos interessa acentuar as cedências totais do governo, sejam ou não reais. Como não conheço o acordo só posso raciocinar com o que vou registando.

E o que registo é que, ao contrário do que os Sindicatos exigiam, chegando mesmo a fazer ultimatos, a avaliação do desempenho dos professores tornou-se numa realidade; que, ao contrário do que os Sindicatos proclamaram, a avaliação não foi suspensa e continua a ser implementada até ao fim de 2009, para todos os professores; que, ao contrário do que os Sindicatos esperavam, não há inconstitucionalidade nas quotas do estatuto da carreira docente.

Também registo que, ao contrário do que a Ministra planeou, há inconstitucionalidade no concurso para Professor Titular; que, ao contrário do que a Ministra resistiu, a avaliação do desempenho é uniformizada este ano, num padrão mínimo; que, ao contrário do que a Ministra se empenhou, as avaliações de insuficiente e regular podem ser repetidas, e não têm as consequências que estavam previstas, nomeadamente a não renovação dos contratos aos contratados.

O que considero mais grave no recuo da Ministra, caso seja exactamente como está noticiado, é a repetição das avaliações para quem não se saiu bem. É injusto e contraproducente. Para isso não vale a pena haver avaliações porque se transformam num mero pró-forma. De resto, ainda bem que há Tribunal Constitucional, para repor a legalidade onde ela foi atropelada.

Quanto ao Sindicato, não sei porque está tão contente. Na linha da defesa dos direitos das classes trabalhadoras e das conquistas inalienáveis do operariado, recuando de trincheira em trincheira, vão-se somando retumbantes vitórias até à derrota final.


 


10 comentários:

  1. Ainda bem que a visito antes de tentar alinhavar o que me apetecia dizer lá no meu canto. Faço minhas as suas palavras, de certo muito mais bem postas do que eu colocaria. Mas, identifico-me tanto com o que diz que a frase que tinha para título em relação aos sindicatos era exactamente a que coloca: de vitória em vitória até à derrota final.
    Obrigada...

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    1. tenho de corrigir: "em relação à relação sindicatos/Ministério" e dizer que "copiei" o seu post lá para o meu lugar.
      :)

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  2. Derrota final de quem?
    Dos sindicatos? do Ministério? Do Ensino? Do País?
    E de quem é a vitória...de Pirro?
    bfs

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    1. Neste caso é a derrota de um certo tipo de sindicalismo trauliteiro e conservador. Ainda bem. Penso que ganham todos, principalmente os professores e a qualidade que se pretende implementar.

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    2. Não faço essa leitura do Sindicalismo que temos, dadas as condições, entendo que é o possivel e o único, não obstante preferir que ele fosse diferente.
      É claro que temos depois uma outra espécie "disso", a que assina, i.é,ganha (?), sempre, amarela e bem instalada nos jogos de sedução, leia-se, "ménage à trois", que mantém com os ministros (alternados conforme o partido) e os patrões.
      Boa semana

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    3. Falei de certo sindicalismo, de que considero um exemplo os Sindicatos dos Professores. Há exemplos de sindicalismos diferentes, e ainda bem, mas são poucos.

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  3. que faz aqui o alegado "operariado"? apenas preconceito, pressente-se...

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    1. Não, não é preconceito, é a repetição de um "slogan" tantas vezes ouvido. Apenas e só.

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  4. A bola de queijo Limiano é tosca por ser moldada à mão.

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