Vale tudo, desde a desinformação até às teorias da conspiração em que não faltam polícias à paisana a indagar o número dos professores de uma determinada escola que irão à marcha da indignação.
De facto os professores deviam estar indignados com a falta de qualidade do ensino, com o absentismo, com a ausência de participação dos pais e encarregados de educação no processo educativo, com o desrespeito de que são alvo, com a falta de disciplina, com a falta de rigor, com a ausência de formação, com a falta de dignificação da profissão docente, com o as promoções automáticas, com a inadequação de muitos profissionais, com a falta de exigência, com a normalização medíocre, com a ausência de prémio a quem merece.
A Escola pública deveria orgulhar-se por poder recrutar os melhores professores, os mais empenhados, os que produzissem resultados medidos em melhores notas, aferidas por exames nacionais, em menor abandono escolar, na aprendizagem dos mais renitentes em comparecer, dos que mais dificuldades têm, a nível social e cognitivo, no salto qualitativo de quantos lhes passassem pelas aulas. Deveria ser exigente para com os docentes, pois só assim os discentes percebem a exigência para com eles.
A Escola pública é uma necessidade se quisermos reduzir as desigualdades sociais e as desigualdades de oportunidades, se quisermos que os cidadãos com menos recursos possam ter acesso à qualidade que todos merecem, para a integração das várias culturas de imigrantes, para a aprendizagem do civismo e da solidariedade. Mas com exigência, rigor e competência, com provas dadas, com permanente formação e avaliação, dos professores e dos alunos.
A minha marcha é a favor das reformas, do estatuto da carreira docente, de maior autonomia e responsabilização das escolas, de mais e melhor trabalho, de avaliações de desempenho, de promoções por mérito. Espero que José Sócrates honre o mandato que tem e mantenha no cargo a Ministra da Educação.
100% de acordo. Aliás, Sofia, acontecem coisas nas vésperas dos acontecimentos que me espantam. Aquela conversa sem nexo entre o INEM e o bombeiral, gravada e 4 horas depois a abrir telejornais. A idiotice de alguns agentes que de uma forma tosca vão ás escolas, tudo isso será fruto de acaso???
ResponderEliminarConcordo inteiramente. Tenho muita pena que toda uma classe se deixe manipular por manobras diversas inteiramente políticas e muito duvidosas e passe uma imagem que, em boa verdade, nem corresponde ao que é uma grande maioria dos professores.
ResponderEliminarCompreendo o seu cansaço, a sua irritação por verem a sua imagem frequentemente denegrida. Não compreendo que, por isso mesmo, não exijam uma avaliação real que premeie os competentes e desencoraje a incompetência, o desleixo, o absentismo, o conformismo, a estagnação...
Estaria quase disposto a concordar -parcialmente- com o seu post, só que este quase é enorme e não me deixa aproximar muito mais. Manda a prudência e, porque não, alguma lucidez.
ResponderEliminarbom fim de semana
é bom ouvir uma voz que não diz com a corrente. concordo bastante
ResponderEliminarObrigada a todos. Vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias.
ResponderEliminarParabéns pelo Post. Subscrevo,e m grande parte, o que defende.
ResponderEliminarCumps
Também a minha marcha é pelas reformas. Mas não pelo falso reformismo. A avaliação de professores já vem atrasada, de facto. Sou pelos valores e pelos objectivos que enuncia no seu texto, porém não posso deixar de criticar o facto de, apenas por razões economicistas, o sistema de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, para desconhecimento de muitos, venha trazer a injustiça, o subjugar do papel principal do docente - ensinar - e bem. Mas serão os professores avaliadores dos seus colegas profissionais exemplares? irá a haver imparcialidade necessária entre aqueles colegas? e a tamanha burocracia sobre os docentes avaliadores? Avaliação, claro que sim! Mas não a favorecer a mesquinhez, os conflitos profissionais. Soluções? eu cá sou a favor das equipas de inspecção às escolas, compostas por profissionais das direcções regionais de educação ou de outras escolas. Só assim acreditaria num modelo de avaliação justo e limpo.
ResponderEliminarDevo acrescentar também que é deplorável a imposição de novas leis a que as escolas não têm capacidades para se adaptar em três meses apenas (como exigem). Há calendários a cumprir, conteúdos a leccionar, actividades a realizar, projectos a concluir. Mascarado de discursos onde (e muito bem) se fala na necessidade em qualificar mais e melhor os portugueses, o que assistimos é a um reformismo cambaleante, mal sustentado, a fazer-se em cima do joelho. A negociação da data de início de todo este processo seria bem mais inteligente, traria mais qualidade e, sobretudo, credibilidade até à Ministra, a que não se lhe desassociam os momentos complicados dos últimos três anos - mais de cinco casos de docentes com doenças graves foram obrigados a trabalhar até ao fim dos seus dias, acabando por falecer em exercício de funções; o "caso Charrua"; a permanente retirada de direitos, bem como as carreiras congeladas; polícias notificaram manifestantes que dão entrevistas e foram às escolas "conhecer" os que participam em actividades de manifesto, o que não é considerável num estado de direito, num país democrático de pluralismo e liberdade. O sistema de avaliação foi a gota de água, pra eles sairem à rua.
ResponderEliminarCara Sofia,
ResponderEliminarJulgo que não deve generalizar o que não pode ser generalizado:
"À boleia da demissão de Correia de Campos, reuniram-se as forças mais conservadoras da sociedade, à esquerda, à direita e ao centro, para remar contra as indispensáveis reformas do sistema educativo."
Primeiro não foi à boleia da demissão, este problema é muito anterior a esse acto e independente desse mesmo, depois a forças que se juntam não são conservadoras, o que muito honestamente no meu caso pessoal é um insulto (dado aminha visão de vida).
"Vale tudo, desde a desinformação até às teorias da conspiração ..."
Porque é que insiste em repetir chavões de coisas que não são verdadeiras julgo que tem capacidade para ir além de uma análise tão superficial como esta. Ao contrário do que diz, as pessoas mais informadas que eu tenho conhecido são as que estão contra, que leram os decretos, os projectos de lei, etc... Eu próprio construi a minha opinião através dessa leitura e de ralatos de acontecimentos reais e não baseado em opiniões de terceiros. Fui verificar quem dizia verdade, e garanto que muito do que foi afirmado pela própria ministra não é verdade.
"A minha marcha é a favor das reformas, do estatuto da carreira docente, de maior autonomia e responsabilização das escolas, de mais e melhor trabalho, de avaliações de desempenho, de promoções por mérito."
Julgo que então está equivocada relativamente com quem deveria marchar. Se são verdadeiros os seus propósitos então deverá reflectir e analisar em que medida estas reformas melhoram a qualidade no ensino. Bem "espremidas" apenas são identicas a tantas outras que foram feitas anteriormente, não acrescentando nem modificando nada. E essa é a maior tragédia deste processo todo, sendo uma mudança, apenas ficou pela mudança de estilo e há muito abandonou o conteudo.
Sem se aperceberem, quem defende esta reforma está a defender o continuar do status quo, o continuar da progressão automático e do facilitismo das escolas. Esse não emana dos professores que efectivamente exercem a docência mas de toda a estrutura que a incorpora, e essa estrutura permaneceu intocável!
"Espero que José Sócrates honre o mandato que tem e mantenha no cargo a Ministra da Educação."
Julgo que para existir melhorias não é necessário mudança de Ministra, esta marcha não foi um ataque pessoal, mas sim às decisões incorrectas do executivo.
Peço um ultimo favor, parem de insultar que tem uma opinião diversa: Conservador, corporativistas, defensor de regalias,"comunas" entre outros que já apelidaram é uma ofensa e uma injustiça.
Não sou professor, mas nunca vi tantas pessoas manifestarem-se da forma que aconteceu no Sabado. Nunca vi reivindicações e manifestações que têm em consideração a não afectação de alunos (daí ter sido sabado e não durante a semana, ou caso de professores que não se deslocaram apenas pelo simples facto que tinham de corrigir testes). É um enorme insulto catalogar estes professores de holigans, como já foi feito.
Diogo G.
ResponderEliminarNão percebo porque é que a avaliação proposta pelo ministério é economicista. Se não são os pares a fazer avaliação, quem deverá ser? Porque é que não se aceita quer professores mais qualificados (daí concordar com vários patamares numa carreira) possam avaliar os menos qualificados? Prefere concursos? Porque é que as inspecções são melhores? Por serem avaliações externas? Mas isso não deveria ser na avaliação de escolas, não dos professores?
Qual o sistema de avaliação então preconizado? Comparação das notas dos exames nacionais com as que os professores dão? Que sistema pode ser objectivo? Qual é a burocracia de preencher uma ficha de auto-avaliação? Porque é que e um sistema burocrático? Em que é que está errado a definição de objectivos e a avaliação dos desvios na sua obtenção?
Quanto ao problema dos doentes não reformados e de inquisidores nas direcções regionais de educação ou noutras, isso não tem nada a ver com a política da ministra. No primeiro caso ainda ninguém explicou porque é que os médicos que estavam na Junta decidiram dessa forma, pois um cancro não é sinónimo de invalidez que curse obrigatoriamente com a reforma. Felizmente! Os invertebrados existem independentemente da políticas deste ou de qualquer governo.
Obrigada, José Manuel Dias.
ResponderEliminarStran
ResponderEliminarTemos formas diferentes de interpretarmos as informações que nos chegam, os artigos e os documentos que lemos, entre eles os decretos-lei, os regulamentos e as fichas de avaliação que estão disponíveis na internet. Também avaliamos de formas diferentes os conceitos de conservadorismo, superficialidade e leitura de consequências das decisões políticas. Por fim, não insulto os professores nem ninguém, e ser comuna não é, para mim, um defeito.
Stran, é verdade que o termo comuna é usado sempre em tom depreciativo. Queria dizer, obviamente, que ser comunista não é um defeito. Mas eu não penso que os manifestantes da marcha da indignação eram todos comunistas. Eram de todos os partidos e sem partido nenhum.
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