30 março 2008

Educação precisa-se

O manancial de demagogia resultante do caso Carolina-Michaelis é avassalador.

Após décadas de governação social-democrata e socialista, em que o problema da indisciplina, de desautorização dos professores e da escola, de falta de avaliação de todo o tipo de componentes, desde a adequação dos curricula à competência profissional dos docentes, à desresponsabilização dos encarregados de educação e dos alunos, despertaram subitamente as consciências.

Repentinamente ressuscitam os defensores da disciplina férrea, chegando-se ao cúmulo de transformar estes casos de indisciplina e má educação em casos de polícia, retirando mais uma vez protagonismo, responsabilidade e autoridade à escola, com intervenções do Procurador Geral da República e, pasme-se, do Presidente da República, e provavelmente pressões várias que levaram a que a Professora, que nem sequer tinha apresentado queixa ao Conselho Directivo, a apresentar queixa ao Ministério Público.

Outros procuram argumentos que desculpabilizem os alunos, falando da democratização do ensino, do problema social das famílias, das dificuldades em educar nas nossas sociedades modernizadas e globalizadas, descobrindo que a Professora teria autorizado o uso de telemóveis, como se isso, por muito errado que seja, justifique a atitude dos alunos.

Mudar os alunos de escola e ter repórteres à espera que eles recomecem na nova escola, espreitar o momento em que a Professora regresse às aulas, fazendo da propaganda, da mediatização, da humilhação pública, um espectáculo degradante, não me parece que ajude a resolver o problema.

O aproveitamento político do assunto, com a troca de acusações entre o PSD e o PS sobre o Estatuto do Aluno, a alegada campanha de descredibilização dos Professores, a ligação ao Estatuto da Carreira Docente, às manifestações e à avaliação do desempenho dos Professores é absolutamente ridícula.

Todos somos cúmplices desta situação, por acção ou por omissão. Talvez repensar a forma como lidamos com os nossos filhos, como os superprotegemos e compramos, como os desresponsabilizamos e nos desresponsabilizamos da sua formação e educação seja o passo mais urgente e importante. Será que o percebemos?

2 comentários:

  1. donagata19:16

    Concordo inteiramente com o que aqui dizes. É ainda verdade que as próprias escolas, embora legalmente dotadas de poucas "ferramentas" para usar no que diz respeito aos problemas disciplinares, por vezes, por uma questão de comodismo (são processos extenuantes e de resultados duvidosos, é verdade), nem esses usam.
    Contudo, quando na escola, muitas vezes dava comigo a pensar: Estes filhos não terão pais? E, se calhar era isso mesmo, não os tinham para lhes mostrar as suas responsabilidades. Também as têm e é de importância extrema que as assumam.

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