01 março 2008

Da Desonra

Ana Benavente ataca a Ministra da Educação apelando à sua demissão, pois pensa que Maria de Lurdes Rodrigues não honra o PS.

Os resultados do sistema e da política educativa das últimas décadas, entre as quais se conta Ana Benavente entre as responsáveis, estão à vista de todos e aparecem nos relatórios internacionais como se pode ver aqui.

Isso é que não honra o país. Nem os invertebrados que estão à frente de algumas escolas e que usam instrumentos de avaliação para fazerem censura política.

A Escola pública precisa de professores competentes que saibam avaliar e que sejam avaliados pelos resultados do seu trabalho. A Escola pública não pode ter alunos desocupados durante os tempos lectivos devido às faltas dos professores. A Escola pública permite reduzir a desigualdade entre os cidadãos se e só se for uma escola de excelência.

O desempenho dos professores, assim como dos médicos, advogados, gestores, administradores, governantes, de quaisquer trabalhadores, é a única forma de fazer a apologia do mérito. Todas as avaliações têm insuficiências. Mas mais insuficiente é não haver qualquer avaliação.

José Sócrates cedeu com o Ministro Correia de Campos. Convinha a quem tanto clamou contra o fecho e a reorganização do fecho das urgências, que comparasse o mapa de serviços de urgência anterior com o recente, já publicado.

É claro que já se pede a demissão da Ministra da Educação. Se a Ministra também for remodelada, acaba-se de todo a réstia de esperança que animou os mais ingénuos, como eu: que, com este governo, era possível fazer a diferença.

6 comentários:

  1. Tintim13:59

    É curioso como esta comunidade permite o cruzamento de pensamentos que, afinal, são comuns, entre pessoas com origens e formações tão diversas.

    Também eu luto para não perder a réstia de esperança. Mas não esqueça, cara Dra. Sofia, como alguém uma vez disse, «petit pays, petit esprit» (julgo ter sido Steiner). Que pensamos pequeno, já sabemos, que o nosso espírito acompanha a dimensão do pensamento que temos, também parece ser verdade. A reflexão que importa fazer é porque, sendo pequenos, temos este espírito permanentemente mesquinho, pequenino para tudo que nos impede de ser grandes, mesmo àqueles que o são, de facto.

    Gosto de a ler, o meu blogginho vai por outras vias...http://cactofedorento.blogspot.com/

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  2. Sofia Loureiro dos Santos14:19

    Obrigada, Timtim.
    Alguns pensam e fazem em grande, o que contribui para a nossa cíclica degraça e glória.

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  3. Sérgio Nicolae19:02

    Como professor e como socialista não posso deixar de comentar esta zanga de comadres. Os anos de Guterres foram de facto os anos dourados da profissão. Bastava um espirro da fenprof e a camarada Ana constipava-se. Foi quando nasceu a gestão flexivél do currículo, os currículos alternativos, o ensino recorrente, entre muitas outras coisas. Foi um paraíso, e, por irónico que pareça, todas estas invenções sempre contestadas na rua pelos PCProfessores. Os resultados dos anos Gueterres estão à vista e apesar de duvidar muito destas novas medidas, uma coisa é certa, resgatar o ensino Português das mãos dos sindicatos é uma luta que merece ser travada. Nesta guerra, a minha trincheira fica na 5 de Outubro.

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  4. Stran_ger15:18

    "...acaba-se de todo a réstia de esperança que animou os mais ingénuos, como eu: que, com este governo, era possível fazer a diferença."
    Sempre pensei que diferença que tambem eu, ingénuo, acreditei, era qualitativa e não númerica. Isto é mais do que parecer era mesmo uma mudança. Que de uma vez por todas se atacasse realmente os problemas em vez de se efectuar uma mudança de cosmética. A continuação da Ministra prova que simplesmente se deve mudar por mudar, retocando um pouco o que não é essencial e mantendo o core do problema.

    Ainda por cima mantendo uma ministra que teve a indignidade para aproveitar uma certa imagem que os professores deixaram cultivar na opinião publica para os atacar de uma forma cobarde.

    Só gostava de saber uma coisa: em que medida é que realmente todas estas mudanças contribuem para resolver o problema?

    Como é possível perder-se 2 anos a preparar este "produto" cheio de defeitos?

    Julgo que a Ministra mostrou uma incompetência enorme para gerir esta pasta e dessa forma desaproveitou um capital de confiança que levará muitos anos a recuperar.

    Para dar um exemplo ridiculo deste processo todo, sabe o que irá contar na próxima vez que existir acesso à categoria de professor titular: os cargos politicos exercidos irão contar (não sei se o projecto de lei ainda se mantém).

    Pessoalmente não li a opinião de Ana Benavente mas concordo com a afirmação de que "Maria de Lurdes Rodrigues não honra o PS." Julguei que autoritarismo era algo estranho ao PS.

    Melhores Cumprimentos,

    Stran,
    http://blogdotuga.blogspot.com

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  5. Sofia Loureiro dos Santos19:16

    Stran_ger, estou em total desacordo consigo. Não vejo uma ministra incompetente, vejo uma ministra que, finalmente, ousou tocar numa corporação em que não se mexia há muito tempo. Tenho demasiado respeito pelos professores para toma as ridículas palavras de muitos representantes sindicais pelos anseios e pelo sentir dos professores. Que a ministra foi inábil é indiscutível. Que tem razão em muitas coisas, para mim também é.

    Sérgio Nicolae, esse é o verdadeiro problema, os resultados do que se fez durante muitos anos estão à vista. Ainda bem que se tenta mudar. Ainda há esperança.

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  6. Stran_ger11:04

    Sei que não vou mudar a sua opinião, mas gostava de fundamentar a minha opinião.

    Quando apelido a Ministra de incompetente fundamento em dois vectores:

    - curriculum: só foi professora primária (situação que, não sei se por vergonha, retirou do seu curriculum) e professora universitária. Tendo apenas um conhecimento externo do ministério em que opera.

    - trabalho desenvolvido enquanto ministra: os vários decretos leis e despachos que emitiu nesta "reforma" são fracos e contêm erros básicos (fiz a análise de alguns no meu blog).

    Além disso, a inabilidade que admite que a ministra tem é também prova da incompetência da ministra. Para a função que desempenha essa é uma competência fundamental e que, como você admite, ela não tem, portanto pelo menos nesse ponto é incompetente.

    Quanto ao que afirma: "ousou tocar numa corporação em que não se mexia há muito tempo" está profundamente enganada. Se estudar bem os diplomas verá que a estrutura dessa corporação não foi minimamente afectada com esta reforma, pelo contrário até sairá reforçada. Quem foi violentamente atacado foram efectivamente os professores, aqueles que ensinam, aqueles que dão aulas.

    Existe muito barulho nesta reforma, que foi instrumentalmente utilizado para esconder o que realmente está a acontecer.

    E para mim o mais cobarde desta actitude toda foi o alvo que foi escolhido e a forma. Esta reforma atacou os professores com carreiras mais longas, logo mais perto da reforma e sem hipotese de mudar. Com o 25 de Abril pediu-se a esta "corporação" algo muito dificil. Transformar o ensino "elitista" em ensino democrático. Esse objectivo foi conseguido.

    O paradigma mudou e daí ser necessário mudanças, mas essas têm de ser graduais e sustentadas. O que a ministra simplesmente fez foi criar umas quantas medidas avulsas e sem mudanças estruturais que penalizaram os alunos e os professores.

    O que gostava realmente de saber é qual o beneficio deste processo todo? Onde é que ficamos com um ensino melhor, onde está a garantia de sucesso? O que realmente mudou?

    Se mudarmos o vector de análise que foi escolhido (ataque aos professores) para o que deveria ter sido escolhido (melhoria da qualidade do ensino) então veremos que ficamos pior que anteriormente!

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