30 março 2008

Alteração da hora


 


Talvez a razão primeira tenha sido a alteração da hora. Quando me levantei, lentamente porque devemos honrar as manhãs de Domingo, já eram quase horas de almoçar.

Ou seja, o meu dia precipitou-se em direcção à recuperação das funcionalidades horárias, mas sem tempo de o fazer. Tudo transladado para mais tarde, o café da manhã sem jornais, o almoço tardio sem café, a peregrinação semanal ao supermercado à velocidade da luz, arranquei com o TomTom totalmente preparado para a Rua do Açúcar, no Poço do Bispo, para assistir à penúltima representação de Lisboa Invisível, no Teatro Meridional.

Mas não contei com os maus augúrios astrais, com as ventanias em sentido contrário, e muito menos com as obras na zona ribeirinha de Lisboa, por alturas do Rossio, que levou a grandes enchentes de carros parados preguiçosamente em filas descomunais, com o TomTom desesperadamente a dizer-me para virar aqui e acolá, com as ruas fechadas e os Polícias a desviarem para círculos viciosos e concentrados de autocarros.

É claro que já não fui a tempo. Desliguei o TomTom e regressei a casa, onde cheguei mais de uma hora depois de ter partido.



Pelo caminho, enquanto irritadamente esperava nas filas, fui olhando e reparando que todos os cafés daquela zona da Baixa estão fechados, num Domingo, e que as ruas estão desertas de pessoas a pé, pois os turistas estão dentro dos autocarros panorâmicos.

O tão falado comércio tradicional não se adapta aos novos tempos e por isso morre. E morre também o centro de Lisboa.


 


Enfim, não se pode dizer que tenha sido uma bela tarde dominical.

Extraordinário e peculiar

Será que alguém quer esclarecer a veracidade destas peculiares e extraordinárias declarações de António Borges?

A pedido

A cesariana é um acto médico que tem indicações precisas e, como qualquer acto médico, tem contra-indicações e riscos, para a mulher e para a criança.

Transformá-la numa alternativa a pedido é contrário à boa prática e à ética médica. Tanto no SNS como em qualquer Clínica ou Hospital privado.

Educação precisa-se

O manancial de demagogia resultante do caso Carolina-Michaelis é avassalador.

Após décadas de governação social-democrata e socialista, em que o problema da indisciplina, de desautorização dos professores e da escola, de falta de avaliação de todo o tipo de componentes, desde a adequação dos curricula à competência profissional dos docentes, à desresponsabilização dos encarregados de educação e dos alunos, despertaram subitamente as consciências.

Repentinamente ressuscitam os defensores da disciplina férrea, chegando-se ao cúmulo de transformar estes casos de indisciplina e má educação em casos de polícia, retirando mais uma vez protagonismo, responsabilidade e autoridade à escola, com intervenções do Procurador Geral da República e, pasme-se, do Presidente da República, e provavelmente pressões várias que levaram a que a Professora, que nem sequer tinha apresentado queixa ao Conselho Directivo, a apresentar queixa ao Ministério Público.

Outros procuram argumentos que desculpabilizem os alunos, falando da democratização do ensino, do problema social das famílias, das dificuldades em educar nas nossas sociedades modernizadas e globalizadas, descobrindo que a Professora teria autorizado o uso de telemóveis, como se isso, por muito errado que seja, justifique a atitude dos alunos.

Mudar os alunos de escola e ter repórteres à espera que eles recomecem na nova escola, espreitar o momento em que a Professora regresse às aulas, fazendo da propaganda, da mediatização, da humilhação pública, um espectáculo degradante, não me parece que ajude a resolver o problema.

O aproveitamento político do assunto, com a troca de acusações entre o PSD e o PS sobre o Estatuto do Aluno, a alegada campanha de descredibilização dos Professores, a ligação ao Estatuto da Carreira Docente, às manifestações e à avaliação do desempenho dos Professores é absolutamente ridícula.

Todos somos cúmplices desta situação, por acção ou por omissão. Talvez repensar a forma como lidamos com os nossos filhos, como os superprotegemos e compramos, como os desresponsabilizamos e nos desresponsabilizamos da sua formação e educação seja o passo mais urgente e importante. Será que o percebemos?

A alternativa


 


Há uns dias vi na televisão uma reportagem sobre a consequência da cruzada moral das Mães de Bragança contra a prostituição.


 


Pelas entrevistas aos negociantes, Bragança ficou mais pura e mais pobre. Uma Cabeleireira queixou-se da redução da clientela e o negócio dos telemóveis perdeu 25%.


 


Será que a prestação dos maridos, sem as mezinhas e os feitiços das mulheres da vida, aumentou proporcionalmente?


 


E a casa de alterne cristã dará lucro? Será que os Pais de Bragança preferem as conversas teológicas e o aconchego do terço aos prazeres carnais?

Suspeições (continuação)

Agora que já passou mais de um mês, gostaria muito de saber como vão as investigações de CAA relativamente à identidade de Miguel Abrantes:




  • É uma pessoa só com múltiplas personalidades



  • São muitas pessoas com uma personalidade



Adensa-se o mistério.


 


Sugiro ao CAA uma entrevista com a Mma Ramotswe e umas litradas de chá de Rooibos. Pode ser que se lhe faça luz.


 


26 março 2008

Bom-senso precisa-se (2)

José Sócrates cansou-se de ser previsível e de governar à direita, como o acusam os mais esquerdistas do PS. E como o tempo urge, os descontentes descem à rua e o nosso Primeiro está a ver fugirem-lhe alguns votos necessários, resolveu tomar medidas que contentem a classe média e Manuel Alegre, e que retirem iniciativa ao BE e ao PCP que, pela primeira vez desde há décadas, pondera a hipótese de ir a votos sozinho, desfazendo a longa coligação da classe trabalhadora e outros democratas.


 


Hoje a novidade era a descida dos impostos (1% do IVA). Não sei se é bom se é mau, os meus conhecimentos de finanças e de mercados não me permitem ajuizar o que será melhor para animar a nossa anémica economia. Mas não deixo de achar bizarro que Sócrates assuma uma medida que há cerca de 15 dias apelidou de irresponsável.


 


É claro que a redução do défice é melhor do que estava prometido. Mas ele não saberia isso há 15 dias?


 


O que não me surpreende é ouvir aqueles que têm vindo a exigir redução de impostos há meses se estejam agora a esforçar por demonstrar como esta medida é má e eleitoralista. Nada de novo, portanto, no reino da oposição.

Bom senso precisa-se (1)

Não há fome que não dê em fartura.


 


A preocupação do Procurador Geral da República em relação à violência nas escolas parece-me legítima mas um tanto ou quanto exagerada. A decisão de tratar a aluna como uma criminosa e levá-la a Tribunal de Menores é muitíssimo exagerada e, até, um pouco absurda.


 


Este tipo de situações deveria ser resolvido dentro da escola, pelos Professores, Conselho Directivo, Encarregados de Educação, etc. Até porque os outros alunos também devem ser castigados , e a atitude de filmar e editar no YouTube também é altamente reprovável. Levam-se todos a tribunal?

24 março 2008

A Agência Nº1 de Mulheres Detectives


 


Ora aqui está uma série que eu adoraria ver em Portugal. E já agora, que tal traduzirem mais livros da Mma Ramotswe (No 1 Ladies ' Detective Agency - A Agência nº1 de Mulheres Detectives), assim como outros livros do seu criador, Alexander McCall Smith .


 


Anthony Minghella realizou o episódio piloto, Jill Scott  é a protagonista.


 


Estou cheia de inveja.

23 março 2008

Rituais pagãos

Pela tarde fora fui procurando palavras e lendo a Bíblia, o Livro do Êxodo. Relembrei as 10 pragas do Egipto, o sangue do cordeiro nas portas, o pão ázimo, o saque que os judeus levaram, a fuga, o apartar das águas do Mar Vermelho, as ordens de Deus para a celebração deste evento.


 


Depois procurei o calendário lunar dos judeus e as suas festividades (Para o ano que vem em Jerusalém).


 


Os ritos pagãos de celebração da Primavera, Páscoas desde tempos imemoriais, adaptados ao judaísmo, posteriormente adaptados ao cristianismo, que permanecem o que sempre foram: a celebração do renascer da terra, da vida, da luz, da vitória sobre o medo, sobre as sombras, sobre a opressão, sobre a morte.

Primeira vez


 


Para ouvir bem alto, um verdadeiro fado, cantado a sério, por uma voz nova e fantástica, à luz das velas, a fumar um cigarro (ou não, para quem desistiu de fumar) e a beber uma ginginha .


 


Primeiro foi um sorriso
Depois, quase sem aviso,
É que o beijo aconteceu
Nesse infinito segundo
Fora de mim e do mundo
Minha voz emudeceu!



Ficaram gestos suspensos
E os desejos, imensos,
Como poemas calados,
Teceram a melodia
Enquanto a Lua vestia
Nossos corpos desnudados.



Duas estrelas no meu peito
No teu, meu anjo perfeito,
A voz do búzio escondido
Os lençóis, ondas de mar
Onde fomos naufragar
Como dois barcos perdidos!


 
Os lençóis, ondas de mar
Onde fomos naufragar
Todos os nossos sentidos!


 


(Mário Raínho /Frederico de Brito; canta Ana Moura)

Chama


 


A ponta do poema
como um barco
rasga ventos e mares
solta o tempo
instala o momento
da chegada
a um porto a um deus
a uma chama.


 


(aguarela de Gertrud Wachter : flames and winds )

Juntos


 


Iremos descalços pelo rio
pisando devagar as pedras lisas
com passos que ecoam pelo mapa
dos sinais que queremos alcançar.

Iremos sem barcos navegar
pelo sumo pelo gosto pela mão
e juntos meu amor descobriremos
o muito que nos falta procurar.


 


(pintura de Otto Dix: lovers on a grave)

Passagens


 


Mesmo para quem não é crente há algo de misteriosamente belo nesta época. Para todos uma libertação qualquer.


 


Celebramos o recomeço, tudo ressuscita, principalmente se deixarmos que nos invada a esperança.


 


(pintura de  Jim Leach : early spring )

22 março 2008

That ole devil called love


 


Its that ole devil called love game
Gets behind me and keeps giving me that shock again
Put a ring in my eyes
Tears in my dreams
And rocks in my heart

Its that sly ole-sun-of-a-gun again
He keeps telling me that Im the lucky one again
But I still have that ring
Still have those tears
And those rocks in my heart

Suppose I didnt stay and ran away
Wouldnt play
That devil-what a potion he would brew
Hed follow me around
Build me up, tear me down
Till Id be so bewildered
I wouldnt know what to do

Might as well give up the fight again
I know darn well hell convince me
That hes right again
When he sings that siren song
I just gotta tag along
With that ole devil called love

Hed follow around
Build me up, tear me down
Till Id be so bewildered
I wouldnt know what to do


(autores: Allan Roberts  e Doris Fisher; canta  Billie Holiday)

21 março 2008

O poema


 


O poema vai e vem. E se demora


não quer dizer que seja demorado


mas que tem como tudo a sua hora


e como tudo é sempre inesperado.


 


Por muito que se espere não se espera.


Por mais que se construa é acaso e sorte.


Às vezes quando vem já foi ou era.


Porque assim é a vida. E assim a morte.


 


Por isso mesmo quando distraído


ninguém como o poeta é tão atento.


Ele sabe que de súbito há um sentido.


Vem como o vento. E passa como o vento.


 


(poema de Manuel Alegre - Doze Naus)

20 março 2008

Obtusidades

Ao contrário do que Pacheco Pereira afirmou na Quadratura do Círculo, houve manipulação da informação no prelúdio da invasão do Iraque. Scott Ritter e Hans Blix - ambos chefes dos inspectores nomeados pela ONU para a pesquisa de armas de destruição maciça no Iraque, não estavam certos da sua existência.


 


Em Portugal poucos foram os que, na altura, se ergueram contra a guerra. Mário Soares e Freitas do Amaral foram dos únicos que sempre a condenaram.


 


Mas depois de 5 anos continuar a dizer -se que havia razões para a invasão e que não havia provas objectivas da existência de mentiras da parte da administração Bush, parece-me obtusidade a mais.


 


Adenda: Hans Blix neste artigo diz tudo infinitamente melhor do que eu (tirado daqui).

Escolas

O vídeo que tem passado no YouTube e que já foi retirado, mostra uma situação absolutamente inqualificável. Desde a agressão da aluna à professora, à assistência alarve do resto dos colegas, aos risos, à filmagem da cena, tudo é deprimente e chocante.

Mas mais extraordinário é que ainda há pessoas que conseguem ver neste vídeo (...) uma aluna mal educada. Uma adolescente incrivelmente insolente (...) a professora (...) sem preparação para cumprir as suas funções. (...) É por não estar à altura das suas funções (...) O que temos aqui é um caso exemplar de falta de vocação. (...).

E consegue, a propósito do vídeo, dizer ainda esta frase lapidar: A falta de respeito pelos professores começa nos pais e acaba na ministra.

Ou seja, para Daniel de Oliveira o comportamento destes adolescentes insolentes, que estão a testar a autoridade, é perfeitamente compreensível, pois estão frente a uma professora que não serve.

Pois eu acho que tipo de desculpabilização do que não é desculpável é um dos grandes responsáveis do incrível egocentrismo, crueldade e desumanidade de muitas das nossas crianças e adolescentes.

Virar à esquerda (2)

Declaração de interesses: trabalho no Hospital Fernando Fonseca desde Julho de 2007.


 


Fui, desde o início, bastante céptica, para não dizer totalmente céptica, quanto a este tipo de parcerias entre público e privado. Não me parece que a gestão pública esteja condenada a ser má nem que a gestão privada esteja condenada a ser boa. No entanto sempre fui defensora de um SNS público, universal e gratuito, vendo com desagrado a mistura entre estes dois mundos  que, na minha óptica, devem ser complementares e concorrenciais, cada um na sua esfera.


 


No entanto a experiência recente ensinou-me que a realidade ultrapassa, de facto, a ficção. A relação entre os órgãos de gestão do Hospital Fernando Fonseca e os seus profissionais é de respeito mútuo, entre pessoas que se responsabilizam e que se empenham no seu trabalho. Há projectos que se discutem e aprovam e que são para cumprir, assumem-se as pesadas tarefas assistenciais com sentido de verdadeiro serviço público e avaliam-se os resultados e os desempenhos de todos.


 


Não há motivo para que a gestão pública seja diferente. Mas na minha reduzida possibilidade de comparação é diferente, e não para melhor.


 


Por isso, volto à questão do meu post anterior: quais as razões que levaram Sócrates a mudar radicalmente de política de saúde, neste particular aspecto? Como estão os indicadores de produção, de desempenho, de qualidade de atendimento do Hospital Fernando Fonseca? Como estão as contas do Hospital Fernando Fonseca? Porquê só ao fim de 3 anos de governo esta conclusão?


 


Infelizmente, esta viragem afigura-se mais como uma tentativa atabalhoada de responder à contestação da ala esquerda do PS e ao BE, do que uma escolha política e ideológica ditada pelo acautelar dos bens públicos e pelo bem-estar dos cidadãos.

19 março 2008

Virar à esquerda (1)

Sócrates está a virar à esquerda. Por convicção ou por conveniência não se sabe. Mas este pacote de medidas anunciadas para a saúde ao lado de uma Ministra discreta e silenciosa, desde a baixa das taxas moderadoras para os idosos até, e principalmente, para a novidade da cessação da administração privada do Hospital Amadora Sintra (Fernando Fonseca), é uma clara guinada na política do governo e de Correia de Campos.


 


As parcerias público privadas vão continuar, pelo vistos com um novo figurino: construção privada e gestão pública. É importante que saibamos as razões que levaram a que, após 3 anos de governação socialista, se tenha chegado a esta conclusão. Nomeadamente aquilo que o estado e os utentes ganham com esta mudança de política.


 


Entretanto continuamos a ter títulos de jornais que desinformam os cidadãos, tal como aqui tão bem se expõe. Convém que não esqueçamos que o estado somos todos nós.

18 março 2008

Públicas virtudes

Onde estará o sentido do que é privado e público? Que interessa aos cidadãos se o governador ressona, tem amantes ou come de boca aberta? Que interessam à cidade de Nova Iorque e ao mundo os pecados da carne do governador?


 


O que nos interessa a nós se a mãe de Sócrates lhe faz mimos e se ele gosta de espelhos estapafúrdios ? Ou que Luís Filipe Menezes engraxa os sapatos?


 


Ninguém se apercebe da absoluta e perigosa voracidade das inutilidades?

Temos


 


Temos que correr, partir, esperar. Temos pressa de estar sem saber aonde, sem saber porquê.


 


Temos que olhar e pedir. Não te vi hoje e procuro quase sem pensar, a tua sombra, o teu perfume, o teu lugar.


 


Temos que continuar.


 


Temos que.


 


(pintura de Jo Sedlack : empty chair )

17 março 2008

Contarei

 



 


Contarei um dia


como éramos felizes


e a mesa pequena.


 


Vozes e mãos entrelaçadas


no eco da casa vazia


contarei como éramos sós


e ninguém sabia.


 


(pintura de Lynne Feldman : family portrait )

Pedaço


 


Larga-me da vida que te quero


larga-me do mundo que te dou


a vida que dei


o mundo que não sou


 


larga-me um pedaço


para que me solte


larga-me do teu braço


para que me enrole


 


no teu corpo


no teu chão.


 


 


(painéis de madeira de Brad Streeper: composite)

16 março 2008

Summertime


 


Summertime and the livin’ is easy
Fish are jumpin’ and the cotton is high
Oh your daddy’s rich and your ma is good lookin’
So hush little baby, don’t you cry

One of these mornings
You’re goin’ to rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take the sky
But till that morning
There’s a nothin’ can harm you
With daddy and mammy standin’ by

(autor George Gershwin; canta Janis Joplin)

The man I love

Some day he'll come along,
The man I love;
And he'll be big and strong,
The man I love;
And when he comes my way,
I'll do my best to make him stay.

He'll look at me and smile--
I'll understand;
And in a little while
He'll take my hand;
And though it seems absurd,
I know we both won't say a word.

Maybe I shall meet him Sunday,
Maybe Monday -- maybe not;
Still I'm sure to meet him one day--
Maybe Tuesday
Will be my good news day.

He'll build a little home
Just meant for two;
From which I'll never roam--
Who would? Would you?
And so all else above,
I'm waiting for
The man I love!






(autor George Gershwin; canta Kate Bush)

Avante clandestino

Através do Almanaque Republicano fiquei a saber que estavam disponíveis, para consulta online, os números clandestinos do jornal Avante. Gulosamente visitei imediatamente o site. Tenho a impressão que todos os portugueses têm uma enorme curiosidade por estes anos e muito respeito por quem o editou, distribuiu e leu, independentemente das suas ideias políticas.


 


Mas o motor de busca é um pouco complicado. Estive a tentar procurar o que haveria escrito no Avante sobre o pacto germano-soviético, mas ainda não consegui. Parecem-me motores de busca mais para conhecedores do Avante do que para comuns e interessados mortais.


 


De qualquer forma é um ganho extraordinário, como se diz agora, um verdadeiro serviço público.

15 março 2008

E os brincos?

Sugiro à bancada parlamentar do PS que proponha uma urgente e prestimosa proposta de lei que inclua a proibição de furar as orelhas às criancinhas para colocar brincos. Acho mesmo que antes dos 18 anos não se deveria permitir tal barbaridade. Ou mesmo nunca, pois é uma marca vitalícia.

13 março 2008

Pescador da barca bela




Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Oh pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Oh pescador!

Pescador da barca bela,
Ainda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Oh pescador!

(poema de Almeida Garrett; pintura de Etienne Gaspard: low tide I)

12 março 2008

Aprender com os erros

Ao contrário do que Vitalino Canas diz, quando se faz um balanço de um período de trabalho, podemos orgulhar-nos e apontar os objectivos atingidos, as vitórias, mas obrigatoriamente devemos reconhecer as derrotas, os erros, o que não foi conseguido, para que se perceba porquê. 

Os erros podem e devem ter uma função pedagógica – evitar que se repitam, corrigir actuações infelizes, reorientar o esforço noutra direcção. 

A esquizofrenia dos avanços e dos recuos existe, mas é o próprio PS um dos grandes responsáveis por este estado psicótico, pois insiste em repetir exaustivamente chavões e palavras descabidas em relação ao governo. Uma das coisas que se pede ao partido do governo é que seja uma ponte entre o executivo e a população que o elegeu. Se, no partido, apenas se ouvem vozes glorificantes, que acham que estudar os erros cometidos, porque foram cometidos erros, obviamente, é uma perca de tempo, não me espanta que os cidadãos que apoiaram e votaram neste PS saiam à rua. 

Mais do que as políticas que têm sido desenvolvidas, melhor ou pior, é a vã glória, este estilo de arrogância bacoca que leva as pessoas a indignar-se, pois tanto pedantismo da parte daqueles que deviam estar atentos, respeitando as críticas e tentando rebatê-las com resultados, não com oratória vazia, são um hino à ira da tal classe média que está farta da crise. 

Gosto que haja firmeza e capacidade de decidir. Ainda bem que um governo democraticamente eleito não tem medo de decidir. O que se dispensa são estes porta-vozes que armam uma parede invisível, em volta dos governantes, que oculta a realidade, na esperança de se manterem encostados ao poder.

11 março 2008

Madrid, 11 de Março de 2004


 


Há 4 anos.

Casa nova

Pois é. Decidi mudar-me de armas e bagagens para este sítio, com a ajuda do Der Terrorist , da Maria João Nogueira e do Pedro Neves (do blogs sapo).


 


Ainda não sei muito bem como isto funciona. Mas espero que, em breve, todas as diferenças sejam para melhor.


 


O template ficará semelhante, espero, mas ainda vai demorar um pouco.


 


Quanto aos comentários a que eu respondi, mas ainda na outra casa, peço desculpa pela descontinuidade, mas falhei por um dia.


 



(pintura de Dennis Hollingsworth)

09 março 2008

Contra o terrorismo

Espero que hoje os nossos vizinhos espanhóis votem maciçamente e exprimam o seu repúdio pelo terrorismo da ETA.

Espero que Zapatero ganhe.

08 março 2008

Beco sem saída

Não há dúvidas sobre a dimensão da marcha da indignação.

Foi verdadeiramente uma manifestação da classe média contra o governo, o desemprego, a redução do poder de compra e a crise que nunca mais acaba, a reboque do protesto de uma corporação que não quer mudar o que é obrigatório que mude.

Quando o governo tomou posse todos avisaram que viriam aí inúmeros e enormes sacrifícios para os portugueses, que estes anos teriam que ser os anos das verdadeiras reformas, doesse a quem doesse, pois o país estava adiado há muitos anos.

Depois foi-se desagregando a oposição política, à esquerda e à direita, pela ausência de alternativas credíveis às odiadas e duras políticas governamentais. Cresceram os protestos dos vários grupos profissionais, principalmente daqueles que se mantém inamovíveis há mais tempo.

A ausência de alternativa político-partidária fez agruparem-se interesses de vários tipos, nomeadamente económicos, protagonizados e ampliados por alguns órgãos de informação, como o Público. Sócrates e o seu estilo secam o debate dentro do PS e o mal-estar instala-se, aproximando-se as eleições e começando a grassar o medo, dentro do aparelho, de uma derrota nas urnas.

Sócrates colocou-se num beco sem saída ao demitir Correia de Campos. Repentinamente, aquele que se autoproclamava o reformador, contra os interesses que identificou no seu discurso de posse, caiu pela base. A política de saúde antes existia agora está em ponto morto.

Se Sócrates demitir a Ministra o governo acabou como tal, pois frustra-se e desautoriza-se a si próprio. Para além disso, daqui para a frente não haverá ninguém com alguma vontade política para actuar que aeite assumir pastas como esta.

Se Sócrates não demite a Ministra, vai ter que aguentar a multiplicação e a ampliação dos descontentamentos vários, com as várias caixas de ressonância de todos os partidos políticos, que aproveitam estas ondas pois eles próprios não têm qualquer capacidade para gerar alternativas, por um longo período já em fase de campanha.

Este governo foi eleito por uma maioria absoluta, para cumprir um programa de 4 anos, para mudar, reformar, inverter o sentimento de inevitabilidade da mediocridade. Espero que cumpra esse mandato.

Transferências (2)

Rebate falso.

A coisa é demasiado complicada. É melhor ficar onde estou.

Não são permitidos gozos, pelo menos públicos! As mihas tentativas blogosféricas de domínios e transferências de plataformas são a prova de que não se deve fazer o que não se sabe.

Transferências (1)

Ainda não sei bem o que vou fazer, mas estou a tranferir-me para

http://defenderoquadrado.blogs.sapo.pt/

Espero que tudo corra bem!

Fala comigo

Posso ler nos teus olhos
o desejo o abandono, posso
até reconhecer as mãos que me cercam
acariciam, agridem, essas mãos de mar.

Fala comigo, meu amor,
diz-me das luas e dos medos
do sentido das bocas unidas
das horas de pele
do que sou por te querer.



(Hable con Ella, Pedro Almodover)

Direito à indignação

O direito à indignação é um direito individual e colectivo, consagrado nas sociedades democráticas, que celebra a liberdade de expressão de pensamento.

Nesse sentido reconheço o direito à indignação de todas as pessoas que discordem deste governo, ou doutros, de se manifestarem, gritarem palavras de ordem, pedirem demissões e mudanças de políticas, ameaçarem com novas formas de luta, etc.

Todos os responsáveis políticos sabem que devem enfrentar com verdadeiro espírito democrático todos estes confrontos, pois o controlo da acção governativa, efectuado pelo Presidente, pelo Parlamento, pelos jornais, pelas televisões, pelas rádios, pelos Sindicatos e pelas associações de cidadãos, ou por cidadãos individuais é essencial à sobrevivência da democracia.

Mas o direito à indignação não acaba quando se é detentor de um qualquer cargo de responsabilidade no governo. E o facto de quem é ministro, ou de quem se manifesta e defende as políticas de um governo democraticamente eleito, ter que ouvir com sorrisos rasgados insultos, assobios, vaias e gritos de vai-te embora, de cada vez que assoma à rua, não me parece que seja um exercício de democracia, mas sim um exercício de má educação e falta de civismo, manobras de arruaceiros e de agitadores profissionais.

Foi descabido o puxar dos galões de combatente pela liberdade feito por Augusto Santos Silva, pois a liberdade constrói-se todos os dias. Mas se a um qualquer desses manifestantes lhe fizessem o mesmo, ou lhe chamassem grande puta, como alguns se gabam de já o ter feito à ministra da educação, não teriam o direito de se sentir indignados? Ou será que vem com o cargo - perder o direito a indignar-se?

Dias mundiais

Sou pela igualdade respeitando as diferenças entre géneros, raças, gerações, culturas, religiões.

Para isso é necessário que as tarefas sejam distribuídas de forma igual e proporcional, as responsabilidades partilhadas, os direitos e os deveres assumidos da mesma forma, quer pensemos em filhos, profissão, manutenção doméstica, apoio aos mais velhos, atenção e respeito.

Os dias nacionais mundiais ou intergalácticos pouco acrescentam. Eu quero ser tratada com a dignidade que se deve a qualquer pessoa, homem ou mulher, branco, negro, amarelo ou azul às riscas, genial ou mediano, saudável ou doente, cristão, budista, muçulmano, ateu ou agnóstico, rico ou pobre.

Quero ter acesso aos mesmos cuidados de saúde, às mesmas oportunidades de aprendizagem e formação, às mesmas oportunidades de emprego e salariais, às mesmas reuniões de amigos ou profissionais, às mesmas noites a cuidar dos filhos, aos mesmos almoços familiares, às mesmas visitas a lares, a tudo, da mesma forma e com as devidas adaptações a cada um pela sua identidade única e inigualável.

(pintura de Pierre Merckl: situation sketche 6)

Terrorismo mata

O terrorismo tem tempos diferentes, mas resultados comuns: mata. Umas vezes depressa, outras devagar.

Liberdade de manifestação

As manifestações, contra ou a favor dos governos, são formas perfeitamente legítimas e democráticas de os cidadãos se exprimirem.

Por isso, as tentativas de intimidação dos que querem participar, ou dos que não querem participar são absolutamente intoleráveis.

Revista de imprensa

No Público de hoje, Pacheco Pereira pergunta se os professores estão dispostos a continuar a luta iniciada hoje, na rua, com uma greve dura, por tempo indeterminado; Vasco Pulido Valente acha que os professores não devem ser avaliados.

Curiosidades

Há uma curiosidade muito grande que eu tenho e que não sei como satisfazer:
  • quantos dos dirigentes políticos que estão contra estas reformas, esta ministra, que estão solidários com a revolta dos professores, que pensam que são necessárias reformas mas não estas, que já ocuparam cargos de responsabilidade política e técnica, desde os professores, aos dirigentes sindicais e políticos, comentadores e jornalistas, têm ou tiveram os filhos na Escola pública que esta Ministra tanto tem maltratado? E quantos os que estão de acordo com estas reformas?
  • por exemplo: José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Jorge Coelho, Helena Roseta, Manuel Alegre, Ana Benavente, José Pacheco Pereira, Luis Filipe Menezes, Durão Barroso, Paulo Rangel, Santana Lopes, Helena Lopes da Silva, Francisco Louçã, Ana Drago, João Semedo, Maria José Nogueia Pinto, António Lobo Xavier, Nuno Melo, Paulo Portas, Mário Nogueira, Paulo Sucena....

Opiniões

Vale a pena ler este artigo de Teodora Cardoso, de que deixo aqui apenas o último parágrafo:


(através deste blogue)

07 março 2008

Em marcha

À boleia da demissão de Correia de Campos, reuniram-se as forças mais conservadoras da sociedade, à esquerda, à direita e ao centro, para remar contra as indispensáveis reformas do sistema educativo.

Vale tudo, desde a desinformação até às teorias da conspiração em que não faltam polícias à paisana a indagar o número dos professores de uma determinada escola que irão à marcha da indignação.

De facto os professores deviam estar indignados com a falta de qualidade do ensino, com o absentismo, com a ausência de participação dos pais e encarregados de educação no processo educativo, com o desrespeito de que são alvo, com a falta de disciplina, com a falta de rigor, com a ausência de formação, com a falta de dignificação da profissão docente, com o as promoções automáticas, com a inadequação de muitos profissionais, com a falta de exigência, com a normalização medíocre, com a ausência de prémio a quem merece.

A Escola pública deveria orgulhar-se por poder recrutar os melhores professores, os mais empenhados, os que produzissem resultados medidos em melhores notas, aferidas por exames nacionais, em menor abandono escolar, na aprendizagem dos mais renitentes em comparecer, dos que mais dificuldades têm, a nível social e cognitivo, no salto qualitativo de quantos lhes passassem pelas aulas. Deveria ser exigente para com os docentes, pois só assim os discentes percebem a exigência para com eles.

A Escola pública é uma necessidade se quisermos reduzir as desigualdades sociais e as desigualdades de oportunidades, se quisermos que os cidadãos com menos recursos possam ter acesso à qualidade que todos merecem, para a integração das várias culturas de imigrantes, para a aprendizagem do civismo e da solidariedade. Mas com exigência, rigor e competência, com provas dadas, com permanente formação e avaliação, dos professores e dos alunos.

A minha marcha é a favor das reformas, do estatuto da carreira docente, de maior autonomia e responsabilização das escolas, de mais e melhor trabalho, de avaliações de desempenho, de promoções por mérito. Espero que José Sócrates honre o mandato que tem e mantenha no cargo a Ministra da Educação.

02 março 2008

Lar, doce lar (2)

Reacções ao entrecosto que tão amorosamente fiz, que tão delicioso estava, no meu entender de conhecedora das lides culinárias mais sofisticadas:

  1. Em óbvia e franca alusão ao anúncio do Mastercard: 1500g de entrecosto - xxxx€; sumo de 3 laranjas - xxxx€; 3 colheradas de mel - xxxx€; 45 minutos no forno a gás - xxxx€; cara do filho mais velho a olhar para o cozinhado - priceless…
  2. Em óbvia alusão à incapacidade culinária da mãe (filho mais novo):
    - É um prato digno da Susan Harper

O melhor mesmo é trocar de filhos…

Lar, doce lar (1)

Para variar, hoje vou dar uma de dona de casa, esposa e mãe, preparando carinhosamente o jantar.

Já experimentei a receita, generosamente partilhada por uma colega muitíssimo mais prendada do que eu, de que gostei muito. Para dizer com franqueza, não percebi se os ruídos de aprovação dos comensais foram sinceros, ou se pretendiam ser apenas encorajadores, com um ar de this is a nightmare!

Bom, vou arriscar-me outra vez, para tirar a prova dos nove. É daquelas receitas muitíssimo fáceis de fazer, porque por muito que esteja virada para a profissão doméstica, isto é sol de pouca dura.

Então: vai-se ao talho e pede-se entrecosto, um bom bocado porque tem muito osso, cortado grosseiramente em pedaços jeitosos. Depois colocam-se num tabuleiro de ir ao forno, temperam-se generosamente com sal e regam-se com uma mistura de uma boa quantidade de sumo de laranja com mel (cada laranja grande tem direito a uma colher de sobremesa bem fornecida de mel). Para 1500 g de carne, sumo de 3 laranjas grandes e 3 colheres de mel. Hoje vou experimentar polvilhar de salsa fresca, para ver o que dá. Depois põe-se a assar no forno, em forno médio e vai-se espreitando para ver se está pronto.

Pode acompanhar-se com tudo: arroz, batata cozida, batata frita, puré de batata, de castanha, de maçã, pão e saladas à discrição.

Eu gostei muito. Experimentem. Vamos ver a cara do pessoal cá de casa, hoje.

01 março 2008

Bloggerdeldia

Agradeço ao JRD a referência a este blogue, que retribuo.

Seguindo a ideia, aqui vão apenas 5 dos muitos blogues que visito diariamente, que são mesmo muitos, mas só posso “nomear” 5:

Da Desonra

Ana Benavente ataca a Ministra da Educação apelando à sua demissão, pois pensa que Maria de Lurdes Rodrigues não honra o PS.

Os resultados do sistema e da política educativa das últimas décadas, entre as quais se conta Ana Benavente entre as responsáveis, estão à vista de todos e aparecem nos relatórios internacionais como se pode ver aqui.

Isso é que não honra o país. Nem os invertebrados que estão à frente de algumas escolas e que usam instrumentos de avaliação para fazerem censura política.

A Escola pública precisa de professores competentes que saibam avaliar e que sejam avaliados pelos resultados do seu trabalho. A Escola pública não pode ter alunos desocupados durante os tempos lectivos devido às faltas dos professores. A Escola pública permite reduzir a desigualdade entre os cidadãos se e só se for uma escola de excelência.

O desempenho dos professores, assim como dos médicos, advogados, gestores, administradores, governantes, de quaisquer trabalhadores, é a única forma de fazer a apologia do mérito. Todas as avaliações têm insuficiências. Mas mais insuficiente é não haver qualquer avaliação.

José Sócrates cedeu com o Ministro Correia de Campos. Convinha a quem tanto clamou contra o fecho e a reorganização do fecho das urgências, que comparasse o mapa de serviços de urgência anterior com o recente, já publicado.

É claro que já se pede a demissão da Ministra da Educação. Se a Ministra também for remodelada, acaba-se de todo a réstia de esperança que animou os mais ingénuos, como eu: que, com este governo, era possível fazer a diferença.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...