Tenho andado um pouco afastada das lides bloguísticas, televisivas, debatentes, todas as lides que não sejam trabalhar.
Mesmo assim, como acordo com a TSF a berrar o furo jornalístico do dia, vou percebendo que a vida continua e o mundo gira, para lá das paredes que me rodeiam.
Assim, independentemente da jurisprudência, gostava de perceber a lógica de fazer pagar como horas extraordinárias as aulas de substituição, ou seja, ocupação das crianças e jovens adolescentes na escola, dentro da sala de aulas, com actividades lectivas, quando um professor falta, o que devia ser, mas todos sabemos que não é, uma excepção, por professores dentro do seu horário de trabalho. Escapa-me.
E mais gostaria de saber o que os professores, aqueles que são bons professores, que se esforçam por ensinar em turmas que não têm alunos escolhidos, aqueles que não são os mais velhos e portanto que ficam com os horários piores, com os alunos repetentíssimos, aqueles professores que são exigentes, que se esfolam por ensinar, o que é que estes professores sentem quando alguns dos representantes sindicais rebentam de satisfação por haver uma suspensão judicial do processo de avaliação do desempenho.
Porque as reformas são indispensáveis, mas não são estas, são outras, as avaliações são muito importantes, mas não estas, outras seguramente muito melhores, o estatuto da carreira docente, sim senhor, mas este não serve, outro é que devia ser.
Também me passou de raspão aquele que a TSF considerou ser um dia histórico: o dia da substituição de Fidel Castro, oh grande surpresa, pelo seu irmão Raul Castro, há 40 anos ministro da defesa de Cuba. Mais uma vez, fez-se história da banalidade informativa.
Mesmo assim, como acordo com a TSF a berrar o furo jornalístico do dia, vou percebendo que a vida continua e o mundo gira, para lá das paredes que me rodeiam.
Assim, independentemente da jurisprudência, gostava de perceber a lógica de fazer pagar como horas extraordinárias as aulas de substituição, ou seja, ocupação das crianças e jovens adolescentes na escola, dentro da sala de aulas, com actividades lectivas, quando um professor falta, o que devia ser, mas todos sabemos que não é, uma excepção, por professores dentro do seu horário de trabalho. Escapa-me.
E mais gostaria de saber o que os professores, aqueles que são bons professores, que se esforçam por ensinar em turmas que não têm alunos escolhidos, aqueles que não são os mais velhos e portanto que ficam com os horários piores, com os alunos repetentíssimos, aqueles professores que são exigentes, que se esfolam por ensinar, o que é que estes professores sentem quando alguns dos representantes sindicais rebentam de satisfação por haver uma suspensão judicial do processo de avaliação do desempenho.
Porque as reformas são indispensáveis, mas não são estas, são outras, as avaliações são muito importantes, mas não estas, outras seguramente muito melhores, o estatuto da carreira docente, sim senhor, mas este não serve, outro é que devia ser.
Também me passou de raspão aquele que a TSF considerou ser um dia histórico: o dia da substituição de Fidel Castro, oh grande surpresa, pelo seu irmão Raul Castro, há 40 anos ministro da defesa de Cuba. Mais uma vez, fez-se história da banalidade informativa.
Sofia, também a mim me escapa muita coisa no que diz respeito à educação. Mas, como não será de estranhar, outra entendo bem. O aspecto das horas extraordinárias, embora um pouco ilógico, prende-se com o facto de os professores terem o seu horário formado por duas componentes distintas: a lectiva (que no caso do 2º ciclo para dar um exemplo não pode ultrapassar as 22 horas) e uma componente não lectiva ou seja que não pressupõe que seja ocupada a leccionar que pode ir até às 13h completando assim as 35 semanais. O que aconteceu foi que alguns professores foram obrigados a dar de facto aulas (componente lectiva) nos seus períodos de componente não lectiva (o que a mim não me parece nada de mais, creio que é apenas uma questão de princípio) que pressupõe outras actividades que podem ser de acompanhamento aos alunos mas de forma diferente. Essas aulas eram, de acordo com o estatuto ainda em vigor, consideradas horas extraordinárias.Não se trata do mero acompanhamento dos alunos durante a ausência do prof., mas sim de aulas devidamente estruturadas por prof. da mesma área. Agora, com o novo estatuto tudo tem mais lógica; não só se podem dar as aulas como o prof. que sabe que vai faltar deve deixar o plano de aula a cumprir para que possa ser providenciado pelo Conselho Executivo um professor da mesma área, para obviar a aula.
ResponderEliminarQuanto ao resto, sabes bem como é. A inércia é terrível. E toda a gente acha muito bem a avaliação mas tem muito medo de ser avaliado, como tal nenhum modelo serve. E todos sabemos que a falta de uma avaliação rigorosa só beneficia quem não tem competências. Agora também te digo que não é fácil avaliar alguns dos indicadores previstos, isso também é verdade.
Quanto ao estatuto, eu penso que a algumas pessoas servia muito bem um estatuto com vinte anos. Se nunca mudaram nada, porque haveria de mudar o estatuto?
O maior problema que eu senti prende-se com a enorme quantidade de alterações muito importantes para a vida das escolas, todas para serem implementadas ao mesmo tempo. Cria-se assim um clima de insegurança nas estruturas de gestão e de desconfiança , revolta e descontentamento nos professores que sempre trabalharam com dedicação e se sentem agora postos em causa. Porque os outros, aqueles que fazem pouco, que obviamente existem como em qualquer outra profissão, esses vão ser dos que mais barulho vão fazer, vão apelar aos sindicatos (que podiam ser tão importantes mas, por vezes,têm um papel puramente demagógico e contraproducente), vão manifestar-se mas vão continuar a fazer o menos possível e apenas quando a isso forem obrigados.
Houve 6 decisões dessas. Houve outras 9 foram desfavoráveis aos professores!
ResponderEliminarUma coisa q me faz muita mas mesmo muita confusão ao ponto de às vezes julgar q está tudo louco, é o facto dos tribunais interferirem na politica dos governos. Interfrem no fecho de maternidades, hospitais, na co incineração, no estatuto dos professores, etc....mas o q é isto?
Eu não estou recordado de ter votado para eleger juizes!
Dona Gata, obrigada pela tua explicação. Mas continuo a estranhar o gozo dos representantes dos sindicatos, porque mesmo que isso fosse legal, como me dizes que é, é ilógico. As leis e as regras devem existir para que a justiça dse faça e para que tudo funcione bem. Quanto ao resto, nomeadamente à catadupa de mudanças ao mesmo tempo, tens toda a razão.
ResponderEliminarMas custa-me muito ver os professores a defenderem aquilo que é indefensável. É claro que é difícil avaliar, e todas as avaliações são injustas, mas tem que começar-se por algum lado.
No fundo, isto é o aproveitamento político da demissão de Correia de Campos.
Nuno, a minha perplexidade é idêntica.
Depois do enorme testamento que te deixei, até tenho medo de começar a escrever. Quero apenas deixar claro que, embora haja uma explicação legal,mesmo essa não totalmente consensual, não significa, pelo menos para mim, que tenha lógica. Refiro-me, obviamente às horas extraordinárias. E claro que também a mim me custa muito ver professores a defender, aparentemente com convicção, aquilo que a meu ver é indefensável.
ResponderEliminarCusta-me também aquilo que tenho constatado actualmente nas escolas que conheço melhor: uma enorme desmotivação e um clima de suspeição associado à técnica do "empurra" para o prof. titular... Enfim, um clima pouco estável que indubitavelmente se vai reflectir com consequências graves nesta "fornada" de alunos.
Oxalá tudo se componha com brevidade.
Dona Gata, adoro os teus testamentos.
ResponderEliminar"Mas continuo a estranhar o gozo dos representantes dos sindicatos, porque mesmo que isso fosse legal, como me dizes que é, é ilógico."
ResponderEliminarA piada resulta do facto dos sindicatos terem aviso o Governo daquilo que agora aconteceu - e a Ministra, na altura, fez o que com a repetição dos Exames - disse que tinha a certeza de que estava tudo bem.
Devia ser a ministra a pagar a factura...
Quanto ao Nuno, se não da área de Direito, porque se mete nela. A jurisprudência determinou que quando o Tribunal julga procedentes 5 casos sobre o mesmo aspecto jurídico, este parecer torna-se de facto Lei. Não foi para este caso que o princípio foi feito mas o resultado foi este. E foi pena que se chegasse aqui porque não foi por falta de aviso (bastava à Ministra ter mudado um artigo no ECD - estatuto da carreira docente - para tal não acontecer).
Mas quem é teimoso e distraído faz sempre destas.
Fernando Martins, não discuto jurisprudência, mas quem a discute e sabe dela, afirma que isso não é assim tão líquido, pois há 9 pareceres em sentido contrário, e os 6 que vão no mesmo sentido não são exactamente iguais. Quanto ao aviso à ministra pelos sindicatos, tem razão. Os sindicatos têm avisado toda a gente que são contra as aulas de substituição, o novo estatuto da carreira docente, a avaliação do desempenho, enfim, tudo o que este ministério propõe. Espero que, avisadamente, Sócrates não repita a dose com a demissão.
ResponderEliminarCara Sofia,
ResponderEliminarAlém da questão legalista gostava de lhe lançar uma questão:
Imaginemos, hipotecticamente, que um professor tem efectivamente as 22h lectivas (não sei se é habitual ou não), significa que lhe sobra 13h de actividades não lectivas, o que por si dá uma média de 2h30 minutos por dia. A questão que lhe coloco é: para si para que serve essas 2,5 horas?
Espero pacientemente pela sua resposta.
Melhores Cumprimentos,
Stran
http://blogdotuga.blogspot.com
Stran_ger, duas horas e meia por dia darão, com certeza, para preparar aulas, para corrigir trabalhos, para atender alunos, para substituir colegas que faltam, para desenvolver trabalho extra-curricular. Enfim, duas horas e meia por dia dão para uma infinidade de coisas.
ResponderEliminarObrigado pela resposta. Agora o novo desafio:
ResponderEliminarParte do pressuposto que esse professor têm três turmas, e que essas três turmas têm 25 alunos cada (ou seja ela têm 75 alunos a seu cargo). Distribui agora as 2.5 horas por dia (ou 13 horas semanais) para as seguintes tarefas:
- para preparar aulas
- para corrigir trabalhos
- para atender alunos
- para atender pais
- para desenvolver trabalho extra-curricular
E quantas horas sobram para substituir professores?
Distribui essas horas pelos vários itens. Depois analisaremos essa distribuição.
Espero que aceites o desafio, e obrigado se o fizeres.
Sran-ger:
ResponderEliminarNão é possível dividir as horas especificamente por nenhum desses items, pela simples razão de o que tempo necessário para cada coisa é variável de turma para turma, de professor para professor, de mês para mês, de ano para ano. Ninguém precisa de x horas ou minutos por dia para fazer cada uma dessas tarefas. Precisa de distribuir essas tarefas à medida que elas são necessárias.
Mas se te facilita as contas faz essa calculação por ano lectivo. São, em média, 565 horas por ano lectivo.
ResponderEliminarAgora não tens desculpa de não distribuir pelas actividade que nomeaste.
P.S. É obvio que é variavel o tempo que cada pessoa demora, mas o tempo disponível não é. Portanto tenta distribuir.
Stran-ger: se tem alguma coisa para concluir vá direito ao assunto.
ResponderEliminarLamento não teres aceite o meu desafio, seria interessante saber como distribuias o tempo. Mas aqui vai:
ResponderEliminarNo cenário que descrevi colocarei os seguinte pontos:
- Acompanhamento dos pais: 1 hora semanal;
- Acompanhamento de alunos fora de aulas: 2.5 horas semanais (média por aluno de 2 minutos);
- preparar testes: 3 horas por teste (2 testes por periodo);
- corrigir testes: 20 minutos por teste;
- preparar aulas: 50 minutos por aula (2 minutos por aluno);
Neste cenário o conjunto de horas que o professor tem para estas actividades extra-aulas é de 612 horas anuais, o que significa que para cumprir estas metas teria de efectuar 47 horas extras.
A intenção deste desafio era fazer-lhe pensar sobre o que queremos que um professor faça quando não está em aulas e que tempo disponivel lhe damos.
A verdade que é facil mandar um bitaite e dizer que o professor tem tempo para tudo, e que é só por preguiça que os professores não querem fazer determinadas tarefas. Mas quando imaginamos realmente o que um bom professor tem de fazer então a análise é diferente.
Nestas questões actuais da educação foi fácil ter preconceitos relativamente a estas pessoas, mas raras foram as pessoas que realmente pensaram no assunto.
Poderá argumentar que muitos professores já têm a aula preparada do ano anterior e que não perdem tempo com isso. É verdade para os maus professores, os bons perdem sempre muito tempo a pesquisar e a adaptar a sua aula à turma. E quando apoiamos medidas como esta (que não discordo totalmente) estamos a retirar tempo aos bons professores para dar aulas com qualidade, ou seja estamos a diminuir a qualidade do ensino.
Outro questão que é obvia é a medida de obrigar os professores a ficarem na escola quando estão no periodo não lectivo. À priemeira vista dir-se-ia que é positivo (por razões obvias) mas quando se vai a uma escola e se verifica que não têm espaços próprios para ficar (pelo menos uma secretária - mobiliário - e computador próprio, nem que seja em open space) e trabalhar então essa medida que até pareceria correcta torna-se completamente estupida pois os professores passaram tempo sem poder trabalhar.
O que eu queria com o meu desafio era que fosse um pouco mais além do que o simples debitar de opiniões simplistas e pouco justas.
Quando estamos a obrigar um professor a efectuar uma tarefa até aí não programada (aulas de substituição) ou os directores foram incompetentes a organizar o anterior horário de trabalho, ou perde-se qualidade ou tem de se pagar horas extras para manter pelo menos a qualidade de serviço.
P.S. Julgo que me excedi quando escrevi "O que eu queria com o meu desafio era que fosse um pouco mais além do que o simples debitar de opiniões simplistas e pouco justas."
ResponderEliminarPeço desculpa por tal comentário e espero que não a tenha ofendido.
Esta é uma questão que me toca muito pessoalmente (não que seja professor) e não deveria ter escrito esse comentário. Mais uma vez as minhas desculpas.
Stran_ger:
ResponderEliminarNão posso concordar com esse tipo de divisão de horas por tarefas. Como disse, essa divisão depende das tarefas que cada professor tem, do número de turmas, da experiência, do tipo de alunos, dos outros tipos de trabalhos extra-curriculares que faz, etc. Por absurdo até me pode demonstrar somando horas e minutos que um professor ocupa todo o seu tempo a preparar as aulas. Ambos sabemos que assim não é. Em qualquer profissão há muitas coisas que são feitas, pensadas, estudadas e estruturadas em determinadas alturas, dispensando de o ser feito permanentemente. Portanto esse tipo de argumento não me convence de que os professores têm que ser pagos em horas extraordinárias por dar aulas de substituição. Quanto ao facto de estarem na escola nas horas não lectivas, eu também acho que assim deveria ser mas, infelizmente, não há instalações condignas para que os professores desenvolvam trabalho. Aí está uma reivindicação que eu apoio a 100% - remodelação dos espaços das escolas de forma a haver alas onde os professores possam trabalhar, receber alunos, etc.
Aceito o seu pedido de desculpas. Ainda bem que também pensa que não é necessário insultarmo-nos uns aos outros para defendermos um determinado ponto de vista.
"Portanto esse tipo de argumento não me convence de que os professores têm que ser pagos em horas extraordinárias por dar aulas de substituição."
ResponderEliminarNão era o propósito argumentar que deveriam receber horas extraordinárias, pois julgo que isso neste momento é uma questão legal.
O que eu queria levantar era a questão que julgo ser fundamental: a qualidade de ensino. Gostaria de saber se existiu algum estudo que tivesse o enfoque o trabalho dos docentes antes de iniciarem estas reformas? Gostava de saber se alguém efectuou um levantamento das actividades que o professor executa?
Essa era uma pedra basilar para introduzir esta medida. Não basta chegar e mudar sem ter conhecimento do dia-a-dia.
Depois desse estudo então é que se poderia iniciar a escolhas dessas mudanças. Estudar-se-ia o impacto dessas mudanças na qualidade do ensino e tomar-se-ia uma decisão.
Da forma que foi feita ninguém sabe se a introdução desta medida teve um impacto positivo ou negativo na actividade efectiva de docência.
A generalidade da opinião publica tem a noção que o professor não quer trabalhar e "enguliu" o argumento da Ministra sem sequer poderar do real impacto que tem.
O mesmo se aplica a muitas das reformas que foram feitas que foram apressadas, irreflectidas e muito provavelmente inconsequentes, como a da obrigatoriedade dos professores permanecerem na escola no seu horário não lectivo que já é uma realidade nas nossas escolas.
Faz-se reformas e tomam-se decisões ao estilo do "Alfa pendular": primeiro compra-se os comboios para depois se verficar que os carris existentes são demasiado pequenos para os alfa pendulares serem utilizados (foi um caso real e que levou à demora de implementação).