23 dezembro 2007

Flexisegurança

Muito gostam alguns partidos, nomeadamente o CDS, o PSD e o PS, de falarem da rigidez das leis laborais, principalmente no que diz respeito à dificuldade de despedimento dos trabalhadores.

Num programa de há alguns dias, na RTP-N (Pontos de Vista), o representante do PSD citava um estudo que demonstrava as diferenças abissais entre as leis laborais em Portugal e na restante Europa, nomeadamente em Espanha que, segundo ele, também as tem muito quadradas.

A moderadora (Sandra Sousa) informou-o que o mesmo estudo comparava as taxas de criação de emprego em Portugal e na restante Europa, ficando Portugal à frente da Alemanha, que tem uma legislação muito mais flexível.

Mas o representante do PSD não esmoreceu e, defendendo que a criação de emprego em Portugal era feita apenas à custa de empregos precários e de baixa formação, que Portugal tem que obrigatoriamente reduzir, segundo ele, cantou loas ao futuro e ao estado da arte do emprego na Europa, ou seja à flexisegurança.

Mas há uma coisa que eu não percebo nesta argumentação. Segundo o que tenho lido o conceito de flexisegurança é, precisamente, um aumento da capacidade de mobilização das pessoas pela facilidade de ser despedido de uma empresa e ser admitido noutra, assegurando o Estado um provento económico nos intervalos.

Isto parece-me a própria essência da precaridade do emprego. Por outro lado, como é que este sistema melhora as qualificações do trabalhador? Já não falando da mais que provável incapacidade do estado em aguentar tanta segurança flexível.

Compreendo a necessidade de alterar a legislação laboral. O emprego é um bem escasso e, portanto, quem o consegue tem obrigação de lutar por ele e de o manter, numa ou noutra empresa. O conceito de uma competência para sempre já se modificou: temos que ter a noção de que poderemos ter que nos adaptar e adquirir competências em áreas diferentes ao longo da nossa vida profissional.

Mas não inventem palavras e fórmulas novas para mascarar o que é de sempre. É claro que a flexibilização das leis laborais serve o interesse dos empregadores, mais que o dos empregados, e que isso é fruto da escassez de um bem precioso – o trabalho.

[Pintura de Fernand Léger: L'équipe au repos (Etude pour les Constructeurs)]

7 comentários:

  1. impaciente15:37

    Um Mundo Novo, sem sindicatos, com os trabalhadores privados de direitos e os patrões "privados" de deveres é o sonho do Poder, seja ele patronal... ou político!
    Haja globalização porque as carências têm que tocar a todos, excepção aberta para os podres Poderes!

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  2. A chamada flexisegurança será em Portugal a facilidade de ser despedido e por aí se fica,enquanto o quadro de referências (patrões em vez de empregadores) for este.
    Não tenhamos ilusões.

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  3. lino20:41

    Já faltou mais para ficarmos abaixo da China em termos de direitos laborais. Dos Estados Unidos já estamos muito longe, pois lá, quem realmente trabalha, sai de um para outro emprego no espaço de uma semana.

    Boas Festas, Sofia!

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  4. Múcio L Góes21:18

    querida, boas festas para ti e tbm aqueles a quem tu amas!

    beijo.

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  5. A.Teixeira21:57

    Numa versão actualizada do "Animal Farm" de George Orwell, alguns animais da quinta teriam ido para o matadouro ao abrigo da "flexisegurança"...

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  6. Bernardo Moura02:19

    Boas Festas!
    :)

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  7. JPN sem login17:10

    sempre atenta ao que é importante. boas festas!

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