14 novembro 2007

A retaliação

O acenar da prepotência do rei de Espanha pelos resquícios do colonialismo é ridículo. A Venezuela tornou-se independente na primeira metade do século XIX, portanto já teve tempo de se curar dos desmandos do colonialismo espanhol.

A retaliação de Hugo Chávez à impaciência e irritação de Juan Carlos não se fez esperar. Se agora se ameaçam as empresas espanholas, avisando que serão mais fiscalizadas, será que amanhã não poderá chegar a vez dos cidadãos espanhóis?

3 comentários:

  1. Com o devido respeito permito-me discordar.
    Quando os vestígios do colonialismo podem configurar, ainda, interferências explícitas ou camufladas na situação política da antiga colónia, como foi o caso do apoio de Espanha à tentativa de Golpe contra um presidente eleito, a memória dos povos não se dilui no tempo. O que são dois séculos?
    Não é necessário ser-se um apoiante incondicional de Chavez para entender a sua reacção, basta tentar ver o problema com os olhos dos Latino-americanos em vez de querer que sejam eles a vê-lo com os nossos olhos.

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  2. lino19:30

    E, como diz o jrd, os olhos dos latino-americanos, quando não "falam" pela boca do império do norte, são mesmo muito diferentes dos nossos. Basta passar os olhos pela informação alternativa, que a há a rodos, muita dela bem credível. Nós ainda temos sorte, porque só matámos indígenas de um país. Agora os castelhanos, mataram para aí em vinte países e destruíram civilizações avançadas. Se a maioria dos portugueses ainda não esqueceu os Filipes, como podemos querer que eles esqueçam realidades tão recentes, continuamente recordadas pela exploração de empresas da antiga metrópole?

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  3. Sofia Loureiro dos Santos22:33

    Com o devido respeito a ambos, JRD e Lino, e embora concorde que o reflexo da História se entranha e demore longos séculos a assimilar, a desculpa invocada por Hugo Chávez é apenas retórica. A frase do rei de Espanha às constantes e pouco democráticas interrupções protagonizadas pelo Presidente Venezuelano não justifica, quanto a mim, as alegações de inspecção às empresas espanholas, com ameaças veladas. É sempre mais fácil culpar outros países, usando o passado, do que olhar para o próprio país, as suas próprias políticas e insuficiências. Não há melhor populismo que a união contra um inimigo comum de fora, real ou fictício.

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