11 outubro 2007

Isenção informativa

De 14 parágrafos do documento Conclusão da Consulta do FMI a Portugal, ao abrigo do Artigo IV, referente a 2007, de 28/09/2007, a notícia que Público online escreveu foi:
  • FMI prevê travagem da retoma portuguesa em 2008 - O Fundo Monetário Europeu (FMI) prevê que a economia portuguesa interrompa em 2008 a sua tendência de aceleração. De acordo com o relatório sobre Portugal hoje publicado, o FMI antecipa que no próximo ano a taxa de crescimento não ultrapasse os 1,8 por cento, precisamente o mesmo valor que é estimado para 2007.
  • Há ainda muito a fazer para alcançar uma tendência de crescimento mais elevado e a convergência do rendimento com a União Europeia”, diz o Fundo. Os elogios ao Governo português surgem sobretudo ao nível da política orçamental.

Eu escolhi estes excertos de 7 parágrafos do referido documento:

  • Está finalmente em curso uma recuperação moderada. (…)
  • O saldo orçamental global registou uma melhoria acentuada, passando de um défice de 6.1% do PIB em 2005 para 3.9% do PIB em 2006, superando o objectivo original para o défice de 4.6% do PIB. A melhoria foi motivada sobretudo pela redução da despesa primária, considerada muito necessária. Em reflexo dos resultados orçamentais mais fortes do que o previsto registados em 2006, as autoridades reduziram os seus objectivos para o défice para 2007 e 2008. A reestruturação da administração central desempenhará um papel central na concretização dos objectivos de consolidação orçamental e na melhoria da produtividade. As recentes reformas do sistema de segurança social melhoraram significativamente a sustentabilidade de longo prazo, e estão a ser dados passos importantes para que a orçamentação passe a ter por base o desempenho.
  • O sistema financeiro português mantém-se sólido e bem supervisionado e parece ter suportado relativamente bem as tensões recentes nos mercados financeiros, embora os riscos se mantenham. Apesar da intensificação da concorrência ter originado uma ligeira deterioração dos rácios de liquidez dos bancos, os rácios médios dos empréstimos em relação ao valor estão em conformidade com outros países da UE e o crédito mal parado permanece reduzido. A elevada dívida das famílias e das empresas continua a ser a principal fonte de risco para o sistema financeiro, mas o exercício do Programa de Avaliação do Sector Financeiro (Financial Sector Assessment Program - FSAP) do ano passado concluiu que o sistema financeiro poderia suportar mesmo perturbações macroeconómicas graves. Em conformidade com os planos do Banco de Portugal e também em linha com as recomendações do FSAP, o Banco de Portugal procedeu a um reforço adicional da sua capacidade de supervisão com a adopção de um novo sistema de notação dos riscos, foi concluído um inquérito à riqueza das famílias, e foram melhoradas as estatísticas sobre os preços da habitação. (…)
  • Os Directores Executivos congratularam-se com a recuperação económica moderada de Portugal em 2006, após vários anos de crescimento lento. Os Directores elogiaram a actuação determinada do governo no sentido de corrigir os desequilíbrios orçamentais, reformar o sistema da segurança social e reforçar o ambiente de negócios. (...)
  • Os Directores elogiaram as autoridades por terem ultrapassado o, já de si ambicioso, objectivo inicial de redução do défice orçamental em 2006, sem recurso a medidas extraordinárias. Acolheram com especial agrado a natureza da consolidação baseada na despesa e o dinamismo do crescimento das receitas. (…)
  • Os Directores acolheram com agrado a intenção das autoridades de acelerar o ritmo de consolidação orçamental em 2007 e 2008, e de reservar qualquer desempenho excepcional das receitas e tomar medidas de contingência em caso de derrapagem da despesa. (…)
  • Os Directores referiram que o fortalecimento da reforma em curso no mercado do produto e dos serviços deveria contribuir para apoiar a reforma em geral, promovendo a competitividade e o bem-estar dos consumidores. Congratularam-se com os importantes progressos alcançados em termos da melhoria do ambiente de negócios e do aumento da concorrência no sector dos produtos energéticos, mas referiram que há ainda muito mais a fazer. Em particular, os Directores salientaram a necessidade de melhorar a concorrência no âmbito das indústrias de rede e de alguns sectores de serviços e de reforçar o sistema judicial.
  • Os Directores acolheram favoravelmente a conclusão de que o sistema financeiro é sólido e bem supervisionado, e de que a liquidez bancária continua adequada, apesar das recentes perturbações nos mercados financeiros. Referiram, porém, que surgiram alguns riscos na sequência destas perturbações e recomendaram uma atitude de vigilância constante por parte das autoridades de supervisão, considerando a dimensão do crédito externo dos bancos e o elevado endividamento dos sectores empresarial e das famílias. Os Directores congratularam-se com os progressos alcançados na implementação das recomendações do FSAP realizado no ano passado. (…)

Significativo da isenção da informação que o Público (online) oferece...

2 comentários:

  1. lino21:57

    Ora aqui está uma profissional das Ciências Médicas a dar lições a muitos economistas, principalmente àqueles abencerragens do tipo Patinho Antão( que tive o desgosto de ter como assistente no ISEG, quando ele era qualquer coisa M-L e eu aquilo que hoje sou) e Frasquilho.
    Apenas um pormenor: Não li o original, mas "Directors" não costumam ser Directores, mas sim Administradores ou Executivos ou Administradores Executivos.
    Jocas grandes

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  2. Sofia Loureiro dos Santos11:46

    Lino, obrigada. De economia percebo mesmo muito pouco, mas é tudo uma questão de ler com atenção os documentos. Quanto à tradução, provavelmente tem toda a razão mas não posso reivindicar a autoria, que está bem explícita no link ao documento.

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