20 outubro 2007

E que tal pensar nisso?

Seria muito interessante que o Ministro da Saúde aproveitasse o relatório da auditoria ao SIGIC para rentabilizar mesmo os hospitais e centros de saúde, para aumentar os tempos dos blocos operatórios, fidelizar os funcionários ao seu local de trabalho e acabar com a promiscuidade entre o público e o privado.

Como se deduz do relatório, o tempo de espera para cirurgia diminuiu à custa de uma gestão centralizada e informatizada das listas de espera, pois o acesso ao sistema não melhorou, não houve aumento de produtividade das unidades hospitalares, nem individualmente dos cirurgiões, tendo os custos aumentado na fase inicial e reduzido numa fase posterior, não parecendo ter havido quaisquer ganhos.

Seria também muitíssimo interessante que o Bastonário da Ordem dos Médicos, em vez de invectivar o Ministro por causa da alteração do código deontológico para que os cumpridores da lei não fossem penalizados pela sua ordem profissional, ou sobre o inacreditável argumento da diminuição da produtividade médica pela implementação de um sistema biométrico de controlo de assiduidade, se preocupasse com a defesa e remodelação das carreiras médicas, pilares fundamentais da qualidade de prestação médica no nosso país.

Com a alteração dos vínculos de trabalho e de relação laboral entre os médicos e o seu empregador Estado, é indispensável que a Ordem dos Médicos se sente com o Ministério, com os sindicatos e com outras estruturas representativas da classe para regular e remodelar os graus da carreira, a atribuição de graus, as funções de cada grau, porque será ela, a Ordem, o tronco comum da formação médica, pré e pós graduada.

As unidades privadas de saúde devem ter, tal como as públicas, garantia de poder contratar médicos com qualidade e em contínua formação, assim como os médicos que trabalham para as unidades privadas devem ter assegurados os seus direitos a formação contínua e progressão na carreira. Para além disso, é necessário repensar o treino de especialistas, nomeadamente a idoneidade formativa dos serviços ou grupos de serviços.

Essas são preocupações que têm directa repercussão na saúde das populações. E que tal pensar nisso?

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