Tenho um livro na mesa-de-cabeceira, ou dois, ou três, que me acodem de longe, silenciosamente fazem-se lembrados, quando relutantemente apago a luz e tento dormir.Nem sempre venço as insónias. Com os olhos decididamente fechados, correrias loucas substituem os mares de Finisterra, gente frenética na vez de Jaime Ramos, o mar tão longe dos meus dedos, que lhe sinto o sal, o arrepio gelado na pele, o vento nos braços, o sol que queima nos ombros. Vagarosamente me embalo, recordo o Pico, o sotaque açoriano, o jantar tardio, num terraço da Horta.
Mais constante e fiel que qualquer amigo, que qualquer amante, o livro não nos abandona. Pelo contrário, nós abandonamo-lo, sem culpa nem remorsos, acumulando poeira, mas acordando no imediato momento em que lhe dirigimos o olhar. Revive e transforma-se, murmurando ondas e borbulhando charutos, escondendo pistas e mastigando mistérios.
Tenho muitos livros na minha mesa-de-cabeceira, amizades velhas e confortáveis, compondo almas dentro de mim.
(pintura de Ardyn Halter: in the library)
Gostei desta descrição!:)
ResponderEliminarBom fim-de-semana!
Bj
Um dos meus maiores prazeres ainda é ler. Diversão certa!
ResponderEliminarbjs,
Sandra
Perguntam habitualmente se tenho algum livro que considere como o meu livro, aquele para a vida, costumo responder que não, nenhum livro merece essa honra, porque tenho apenas uma vida inteira de livros.
ResponderEliminarExactamente, somos feitos de muitos livros, filmes, conversas, cores, chuvas, praias..
ResponderEliminarObrigada a todos pelos comentários.
Também para mim os livros são "velhas amizades". Também eu os abandono e os retomo numa conturbada relação da qual saio sempre a ganhar. O que não faço é dizê-lo tão bem como tu.
ResponderEliminarBeijinhos.
Hummm... Ainda bem que não é só a minha mesa de cabeceira que parece uma estante lol
ResponderEliminarLivros, revistas, tudo serve para descontrair ou viajar (no sentido mais lato) um pouco.
É uma coisa deliciosa, ler!
Acho que foi uma das melhores coisas que aprendi :))
Beijinhos