12 agosto 2007

Identidade

Matei a lua e o luar difuso
quero os versos de ferro e de cimento
e em vez de rimas, uso
as consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
a todo coração que se debate aflito
e luta como sabe e como pode:
dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
têm maior duração,
gasto as horas e os dias
a endurecer a forma da emoção.


(poema de Miguel Torga; fotografia de penedos)

4 comentários:

  1. Dona Gata19:52

    Belíssima selecção para comemorar o centenário. Não sou uma total incondicional do Torga porém ,aquilo de que gosto, gosto mesmo muito.
    Beijinhos

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  2. Sofia Loureiro dos Santos21:40

    Miguel Torga, para mim, é tão tosco, altivo, duro, ingénuo, iberista, universal e aventureiro como a própria essência do ser português. Nem sempre bom, nem sempre agradável, mas sempre o nosso eu profundo, enraizado, agreste, de terra e pedras, mais do que de água e erva.

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  3. que poema eclesiástico, sempre que o leio fico extremamente comovido e admirado com a fermosura deste lindo e agreste poema. Mesmo, mesmo maluco esta sensação que me dá quando leio esta obra, parece que me estou a masturbar com muita intensidade, o que me dá muito prazer ehehe!!

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  4. Tómas Turbando15:45

    Concordo com o Óscar Ralho, prazer sou o Tómas Turbando, e tou aqui para apresentar a minha opinião formal e concreta. Nos meus tempos livres eu gosto de ir ler poemas do Miguel Torga para me satisfazer, admiro muito os poemas dele e espero que algum dia ele possa o conhecer :), por favor Deus.

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