O artigo é duro e demolidor, arrasando muito do que foi dito sobre a performance de Dalila Rodrigues nesse cargo, sobre as suas posições no que respeita a lei de financiamento dos museus, a sua pretensão relativamente à autonomia financeira do MNAA e sobre as suas posições anteriores, noutros aspectos da política cultural deste governo. É, sem dúvida, um ataque pessoal, que responde passo por passo ao que tinha sido divulgado nos media, fundamentado e concretizado.
Numa pesquisa pela Internet, dei apenas por dois blogues que reagiram a este artigo, acusando Luís Raposo de baixeza e apelidando-o de megafono da brigada do reumático.
Não conheço Dalila Rodrigues nem Luís Raposo, para além do que se lê na imprensa. Não tenho qualquer conhecimento especial da problemática dos museus portugueses, para além do que qualquer utilizador observa. Mas não posso deixar de comparar as críticas concretas de Luís Raposo com os elogios generalistas e generalizados a Dalila Rodrigues.
Quanto ao ataque pessoal, parece-me que quem foi insultado pela própria Dalila Rodrigues, que comentou o abaixo-assinado como uma forma de os signatários defenderem o seu lugar de directores, tem o direito de se defender. Ou não?
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
26 agosto 2007
Direito à indignação
No Público de ontem saiu um artigo assinado por Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e signatário de um abaixo-assinado que se demarcou das afirmações de Dalila Rodrigues, posto a correr por altura do episódio da não renovação da comissão de serviço, como directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Skoda - o carro musical
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...
-
Durante muito tempo achei que não se deveria dar palco a André Ventura e aos seus apaniguados. O que dizem é de tal forma idiota, mentiros...
-
Há uns dias recebi um e-mail do Blogger, essa entidade que se rege por algoritmos e regras que ninguém sabe muito bem como foram e são feita...
-
Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...
Na "mouche"!
ResponderEliminarMesmo não tendo uma opinião formada independente sobre o assunto, muitas das acusações de Luís Raposo a Dalila Rodrigues no tal artigo aparecem fundamentadas e esperava que quem as quisesse refutar tivesse igual procedimento com igual fundamento.
E, pelo menos os dois blogues linkados acham o que acham, mas, de argumentação, apenas acham "porque sim"!
Ora a "achar que sim porque sim" já nascemos todos, o resto é apenas estilo de prosa...
Meu caro a.teixeira
ResponderEliminarDecerto por lapso meu, não ficou claro no meu texto sobre o artigo de Luis Raposo que este era o primeiro de alguns outros.
O -I tinha essa intenção, certamente falhada.
A partir de amanhã, no meu blogue, lá estarão os meus textos, que procurarão levar a discussão um pouco mais longe do que "porque sim" ou "porque não".
Cumprimentos
Bem me parecia que o Senhor A. Teixeira não tem uma opinião formada e independente sobre o assunto. Mais honesto seria, então, calar-se. Mas não, ousa contradizer-se quanto à sua suposta ignorância (deveríamos supor "espírito crítico"?) quando evoca as "acusações fundamentadas" de Luís Raposo. Se as considera fundamentadas, diga-nos então porquê? Você toma uma posição, mesmo sem ter uma opinião formada sobre o assunto. Há algo mais estupidamente arrogante ignorante do que isso? Não achamos "porque não", como você acha "porque sim" ao senhor Raposo. Contrariamente à sua "opinião formada" sem opinião formada (estranha contradição), nós esclarecemos os pressupostos de uma verborreia que se resume, apenas, a um ataque pessoal, vazio de argumentos esclarecidos e válidos, exangue de propostas, de ideias e pensamentos críticos; só o azedume na boca do Raposo. E na sua? O azedume de um aspirante a... sabe-se lá o quê?
ResponderEliminarCitando a Sofia Loureiro dos Santos: "Quanto ao ataque pessoal, parece-me que quem foi insultado pela própria Dalila Rodrigues, que comentou o abaixo-assinado como uma forma de os signatários defenderem o seu lugar de directores, tem o direito de se defender. Ou não?"
ResponderEliminarClaro que têm o direito de se defender, mas se acha que o direito de defesa se traduz no insulto gratuito, azedo e ignóbil do Senhor Raposo, engana-se. Há uma distância enormíssima entre os supostos "insultos" da Dra. Dalila Rodrigues e os insultos vergonhosos do Dr. Luis Raposo, que por si só se situa nos antípodas da honestidade intelectual que seria expectável para quem se arroga de uma superioridade moral acima de qualquer suspeita. Porque se a competência da Dra. Dalila Rodrigues é praticamente inquestionável, então deveríamos esperar dos seus opositores a mesma equivalência de argumentos, o mesmo mérito nas críticas que lhe dirigem. Em última instância, o que estaria em causa nesta situação concreta, seria a de o confronto de uma facção de museólogos "à antiga portuguesa", eternos dependentes do estado e das suas migalhas, contagiados pela esquizofrenia colectivista em relação ao mundo real, sem pretensões de maior autonomia porque não teriam capacidade de a conseguir e muito menos de a reivindicar, contra modelos de gestão modernos, responsáveis, baseados no mérito, abertos ao escrutínio da opinião pública e às expectativas do mundo contemporâneo. Um modelo reivindicado pela Dra. Dalila Rodrigues para o MNAA, e não para o MNA.
Acha mesmo que a política cultural depende só do Estado? Acredita tanto assim nos políticos e tão pouco na sociedade civil? Acha mesmo que a sociedade deve demitir-se da sua responsabilidade? Acha mesmo que o que se conquista por mérito próprio deve ser distribuído pelos que estão sentados à espera que chova? É cristã ortodoxa? Ateísta convicta, adepta da sociedade corporativista? Ou serão reminiscências do salazarismo? Terá nascido depois do 25 de Abril sem que lhe tivessem ensinado nada sobre a memória desses tempos? Seja o que for, então acorde, porque já estamos no século XXI, e isso é irreversível. A liberdade de expressão é de todos, mas esgota-se quando atinge o aviltamento gratuito e insano e a lucidez.
O infeliz comentário de Sofia Loureiro com o título "Direito à Indignação", e as suas posições de sobranceira ignorância em relação a matérias culturais que ela própria qualifica de "insignificantes", como é o caso da exoneração de Dalila Rodrigues (então porque as comenta?) já são por demais conhecidas na blogosfera. A sua postura e raciocínio, qualquer coisa entre o nada e lugar nenhum, aposta, ainda assim, na defesa e crença na magnanimidade e clarividência das tutelas da cultura, na obediência cega e conformista, no apaziguamento da crítica social e esclarecida, enfim, no obscurantismo q.b., que nada tem a ver com a liberdade de expressão, e muito menos com um suposto direito à indignação.
ResponderEliminarPalavras pomposas que intitulam um artigo de uma mesquinhez intelectual confrangedora, que aplaude as críticas "concretas" de um obscuro Luís Raposo contra o "abstraccionismo lírico" generalizado e generalista da populaça que apoia a Dalila Rodrigues. Uma populaça que agrupa os mais eminentes intelectuais do país aos mais anónimos cidadãos. Uma gente abstracta, equidistante, volatizada algures entre os resultados reais obtidos e comprovados no imenso acréscimo do número de visitantes do MNAA, das exposições de elevada qualidade e do significativo aumento das receitas criadas, sem um tostão do moribundo IMC.
Mediatização? e porque não? Ou a cultura é um reduto restrito e paralisado, um feudo de uma suposta élite ou de uma meia dúzia de botas de elástico? O Raposo é como aqueles porquinhos em segunda mão que se compram a um euro na feira popular e se oferecem à tia com Alzheimer, por altura do Natal. Poupe-nos!
OK, Formiga Bargante.
ResponderEliminarO lapso foi meu e não seu e, de facto, não vi o cardinal que pôs no fim do título do seu poste. Mas olhe que também não me estava a referir exclusivamente a si… Fico então à espera dos seus textos que desejo que levem o debate para mais longe do que a fundamentação até agora apresentada.
Cumprimentos
Quanto ao comentário tonto que aparece assinado pelo nome clara de sousa:
ResponderEliminarHá uma diferença substantiva entre confessar a minha ignorância quanto à fiabilidade dos dados utilizados num debate e compreender, por outro lado, o método argumentativo que cada uma das partes emprega. Francamente não sei se entende a diferença e com a mesma franqueza lhe digo que duvido e que também não interessa.
Fugindo às abstracções, que devem ser terreno difícil para si, o que me interessa que responda(m), concretamente, é à questão se os dados sobre os números de visitantes do MNAA mencionados por Luís Raposo no artigo estão adulterados? Ou estarão manipulados para dar uma impressão desfavorável do desempenho de Dalila Rodrigues? Ou o número de visitantes é um indicador de gestão pouco relevante de um Museu? Se sim, então quais são os que o são?
Se alguém se dispuser a pegar nestas questões, ainda bem. O que escreveu, que é extremamente parecido com o conteúdo dos dois comentadores que lhe sucederam, é apenas o primeiro episódio de um chorrilho de disparates com adjectivos em excesso…
Meu caro A.Teixeira
ResponderEliminarRelativamente ao número de visitantes dos museus nacionais, posso afirmar com toda a certeza que os argumentos invocados pelo director do MNA são falsos.
E Luis Raposo, que sabe disso, é intelectualmente desonesto.
No meu blogue, e se procurar por IPM, encontrará muitos textos sobre este tema, o qual me chama a atenão há já muito tempo, não é de agora.
Oportunamente, ainda esta semana, terei oportunidade de desmanchar a pseudo-argumentação de Luis Raposo, na análise que estou a fqzer ao texto de tão ilustre personagem.
Cumprimentos
Tem todo o direito a defender-se. Concordo. Agora como é que se defendem de um argumento lógico é que eu já não sei.
ResponderEliminarFico sempre espantada (e incomodada) com a ferocidade de alguns comentários aos posts, independentemente dos textos dos mesmos.
ResponderEliminarA não recondução de Dalila Rodrigues para o cargo de directora do MNAA levantou um coro de protestos e uma onda de solidariedade por ela. Não me revi nessa posição pois penso que ela própria deveria ter pedido a demissão, como expliquei num post anterior. A maioria da argumentação partia do pressuposto de que as causas da não recondução só poderiam ser políticas pois não estava em causa a competência de Dalila Rodrigues. Na mesma altura houve um conjunto de outros directores que fizeram um abaixo-assinado demarcando-se das posições de Dalila Rodrigues, nomeadamente quanto à nova lei orgânica do IMC. Dalila Rodrigues reagiu insultando-os, pois eu considero um insulto chamar "lambe-botas" a alguém. Luís Raposo, um dos signatários do documento, escreveu um artigo defendendo-se das acusações e atacando Dalila Rodrigues, explicitou o que pensava sobre o financiamento dos museus nacionais e pôs em causa as declarações de Dalila Rodrigues e dos seus apoiantes quanto à sua "performance" à frente do MNAA.
Ao contrário de Sofia Freitas, mesmo tendo nascido antes do 25 de Abril, não sendo cristã ortodoxa nem ateísta convicta, acreditando na sociedade civil e nas funções do estado, para mim nada é inquestionável. Por isso gostaria de ver discutidos os critérios de avaliação da gestão de museus, por exemplo, gostava de saber se o que Luís Raposo diz é mentira, sobre o número de visitantes do museu ou sobre os mecenas do MNAA.
Fiquei a saber, por Luís Afonso, que a minha sobranceria ignorante, o meu raciocínio e a minha postura entre nada e coisa nenhuma, é por demais conhecida na blogosfera! Infelizmente não tem razão, porque a minha mesquinhez intelectual, segundo o "sitemeter", é conhecida apenas por 68 pessoas (em média) por dia!
Clara de Sousa escolheu comentar um comentador, com o mesmo azedume de que o acusa.
Agradeço os comentários de A. Teixeira, de Carlos Freitas e da Formiga Bargante. Lerei com atenção os seus argumentos.
Em conclusão: "A liberdade de expressão é de todos, mas esgota-se quando atinge o aviltamento gratuito e insano e a lucidez (?)." - citação de Sofia Freitas.
Ajuíze quem lê.
Conheço o Luís Raposo : é um académico de qualidade, um historidador respeitado, excelente professor e competentíssimo Director do Museu de Arqueologia. Tudo o que ele escreve merece, pelo menos , ser lido com atenção.O texto é factual. Que o desmintam. Quanto à Directora do MNAA a cena que acaba de passar nos telejornais ( em companhia do Presidente do PSD) diz ( quase) tudo...
ResponderEliminarRicardo Leite Pinto
Meus caros
ResponderEliminarA partir de hoje, no meu blogue, factos e números sobre o "rigor" de Luis Raposo.
Gostaria de contar com os vossos comentários.
Cumprimentos
Já fui tomado por precipitado ao não ver um I... Agora prefiro que termine as suas exposições para lhe colocar as minhas questões… E que, já indo no número IV, faça como Deus e descanse ao VIIº dia…
ResponderEliminarCumprimentos
A.Teixeira, não espere. Os dados e o que Luís Raposo dizia é verdade. Claro como água. Ou depois destes dias todos já não tinha vindo à tona a realidade. E para demorar tanto a vir é porque a explicação do que estava errado é bem bem bem elaborada... Já se percebeu que os apoiantes da Dalila Rodrigues são amigos que pouco percebem das questões museológicas.
ResponderEliminarFui ver o blog do formiga bargante e, para já, só encontro dados que reforçam as afirmações do Raposo. As comparações das subidas e descidas dos visitantes só se podem fazer através de percentagens. Ou será que o patrão da Guarda, para ser igual ou melhor do que a Dalila, teria de subir num ano de 4 mil para 100 mil ? O contrário também é verdadeiro, porque se me vierem dizer que o Louvre subiu num ano 200 mil visitantes, isso se calhar só quer dizer uns 5%. A Dalila não foi a melhor, mas foi a 3ª melhor o que para mim já é muito bom. O problema é que, por este andar, o tal Raposo até tem razão em todos os outros argumentos que apresenta. Fui ver o que está no site dos museus e também aí confirmei que até Junho deste ano o museu da Dalila é o 4º e não o 2º como parece que era em 2006. E mesmo quando tiramos os "outros" e os "livres", a situação é a mesma, só com uma troca entre a Arqueologia (que descer para 3º) e Conimbriga (que sobe para 2º). Não sei o que se passou com os subsídios que ela diz que conseguiu e que o Raposo diz que já existiam. Também não conheço os outros dados sobre custos e benefícios dos museus de que ele fala. Agora que fico confuso, lá isso fico. Acho que isto começa a cheirar a esturro.
ResponderEliminarPACHECO PEREIRA DISSE ( in Abrupto)
ResponderEliminarEm toda a campanha interior do PSD deve estar presente que um candidato a dirigente do PSD é um candidato a Primeiro-ministro. Marques Mendes, no seu "passeio" pelo Museu Nacional de Arte Antiga, esqueceu-se disso porque foi dar caução a um acto que é inadmissível numa funcionária pública no exercício das suas funções. Esta é uma questão de Estado, que já o presidente da República tratou com pouco cuidado.
Ao fazer o que fez (e já antes em várias alturas tinha procedido igualmente mal), Dalila Rodrigues colocou-se numa situação insustentável. Não é suposto uma funcionária pública abandonar o dever de lealdade e isenção e, se queria fazer o que fez, poderia muito bem fazê-lo noutra condição, noutro estatuto, de outra maneira. Tudo aquilo era possível, com Marques Mendes visitando o Museu ao lado de Dalila Rodrigues, ambos como cidadãos e políticos, no pleno exercício dos seus direitos, criticando o Governo como entendessem, mas Dalila Rodrigues não poderia estar ali como directora do Museu, mesmo demissionária, nem poderia colocar-se ao lado do líder da oposição na casa do Estado que gere, para atacar o Governo legítimo do seu país. Insisto: é uma questão de Estado.
Obviamente que o texto de Luis Raposo diz, de facto, toda a verdade (ou, o que é pena, ainda não diz toda verdade...)e acerta, como nenhum outro, na mouche!
ResponderEliminarProva disso: alguém, até agora, exceptuando ataques desesperados e apenas gratuitamente insultuosos (estou a falar do Alexandre Pomar e duma espécie de blog chamado "Formiga Bargante"), desmentiu, com factos e com seriedade, o que aí está escrito?
Aliás, o silêncio (mais um) de Dalila Rodrigues não poderia ser mais esclarecedor.
Força, Luis Raposo e restantes colegas, continuem o vosso trabalho sério e respeitado!
O espectáculo degradante da visita de Marques Mendes ao MNAA fez, em definitivo, cair a máscara aquela senhora, se é que tal ainda era necessário.