06 maio 2007

No fundo dos relógios

Demoro-me neste país indeciso
que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar.


(poema de Filipa Leal; pintura de Frank Ettenberg: Cities of the Mind)

3 comentários:

  1. Bernardo Moura12:07

    Muito bonito!

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  2. Sofia Loureiro dos Santos15:43

    "A Cidade Líquida e outras texturas" é um livro belíssimo (Deriva Editores, 2006)

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  3. Vasco Pontes14:54

    olá sofia,
    bom poema, belo tema. infelizmente, as mais das vezes, não nos demoramos neste país indeciso
    ...estamos presos nele e na nossa indecisão
    beijos

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