Muito se tem falado sobre o fenómeno da emergência de blogues, com denúncias anónimas de males públicos e privados, antros de maledicência e de egos ressentidos, crispados e mal amados.Haverá milhares deles assim. Como há milhares de pessoas assim. Mas o que preocupa o jornalismo ortodoxo, exclusivista e bem pensante, tanto como os políticos, enredados ou não em jogos pouco claros, é o pouco conhecimento que têm do fenómeno blogosférico, travestido de desprezo e arrogância (como se prova pelas declarações lamentáveis do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro), e a indisfarçável incapacidade de o controlar.
Não é admissível que se façam insinuações e ataques mais ou menos encapotados ao bom-nome das pessoas em blogues, a coberto de anonimatos ou não. Para isso, se se provarem crimes de difamação, existem leis e, caso não existam aplicadas à blogosfera, deverão ser estudadas e criadas pelos órgãos legislativos próprios.
O problema da credibilidade das pessoas e das instituições, que tanto tem preocupado os nossos fazedores de opinião, estende-se que nem fogo em palha seca a todos os media, com especial destaque à imprensa escrita.
Só para citar um exemplo recente, as notícias sobre o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça relativamente à condenação do jornal Público, obrigando-o a pagar uma indemnização ao Sporting Clube de Portugal apesar do reconhecimento da verdade das notícias publicadas. Entretanto saiu um artigo no site do clube negando o facto de o Supremo Tribunal de Justiça ter reconhecido a veracidade das acusações por parte do Público. Até hoje, embora eu não conheça todas as notícias que saíram sobre o assunto, não me lembro de ter lido nada sobre a correcção ou incorrecção do desmentido do Sporting.
Afinal em que ficamos? Em quem podemos acreditar?
Essa é a verdadeira tragédia: não acreditamos no governo, porque só diz o que lhe interessa, independentemente dos factos; não acreditamos na oposição porque só desdiz o governo, independentemente das razões que lhe poderão assistir; não acreditamos nos media porque a informação é cirurgicamente manipulada, para servir determinados interesses, mesmo que não nos apercebamos bem de quais.
De facto, como diz JPN no respirar o mesmo ar, em Portugal respira-se e vive-se na suspeita e de suspeitas.
(pintura de Anne Karin Glass: suspicion)
Na generalidade estou de acordo,mas não podemos desesperar.Os meus serra da estrela são da minha confiança.Em dias de maior crise olhamos os quatro nos olhos uns dos outros e vamos à luta com as estrelas.
ResponderEliminarQuanto ao caso do Supremo, o Tribunal, logo no dia seguinte, emitiu um comunicado em que dizia não ter afirmado que os factos tinham sido provados. O que o acórdão dizia era qualquer coisa como "é indiferente se os factos foram ou não provados...".
ResponderEliminarJá no que diz respeito ao PGR, a avaliar pelo vídeo, estamos como os chineses há 40 anos: vamos de Mao para Piao.
Também penso que não é caso para desesperar!
ResponderEliminarVivemos num país suspeito… ou suspeitamos que vivemos?
Não, não desesperamos, mas torna-se cada vez mais difícil estarmos informados!
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