Joaquim Pina Moura, membro do PS e deputado na Assembleia da República, vai assumir o lugar de presidente do Conselho de Administração na empresa Media Capital (proprietária da TVI, Rádio Comercial, Rádio Clube Português, entre outros) substituindo Miguel Paes do Amaral.Pelo que julgo saber, esta empresa privada é constituída por um grupo de accionistas privados, o maior deles o grupo Prisa (espanhol, liderado por Jesús de Polanko Gutiérrez – 73,70%). Ou seja, a soma do grupo de accionistas estrangeiros é de 91,24%, restando 8,76% que, depreendo, serão outros pequenos investidores bolsistas, não tendo qualquer participação de capitais referentes a empresas públicas portuguesas. Portanto o governo, este ou qualquer outro, para além de fazer cumprir as leis portuguesas que regulam os meios de comunicação e o funcionamento das empresas, não tem qualquer outro controlo sobre esta empresa.
O presidente do Conselho de Administração é, obviamente, uma pessoa importante na definição de muita coisa dentro do grupo. Tal como o anterior presidente, também português, Miguel Paes do Amaral, cujo alinhamento ideológico era diferente do de Pina Moura, assim como o de Luís Nobre Guedes, Presidente da Assembleia Geral.
Joaquim Pina Moura já declarou que vai deixar o seu cargo de deputado, que não sei se seria compatível com as funções de presidente de uma empresa de comunicação, assim como os cargos que exerce no PS.
O grupo Impresa, pelo que sei uma empresa privada portuguesa que integra empresas proprietárias de canais de televisão (SIC), jornais e revistas (Controljornal), rádios, etc, tem como presidente do Conselho de Administração Francisco Pinto Balsemão, membro fundador do PPD/PSD.
Não sei se Francisco Pinto Balsemão tem ou não cargos no PSD, e se os deixou ou não. Mas também não vi ninguém preocupar-se com esse eventual problema, ao contrário da onda de indignação perante o assumir do cargo de Pina Moura.
Marques Mendes chama a isto falta de vergonha do PS, na sua ânsia de controlar a informação. Bem, mas então não se pode ter a mesma opinião sobre o controlo informativo da parte da Impresa? Ou da anterior presidência do grupo Media Capital? Ou só é permitido aos membros/simpatizantes de partidos que estão na oposição terem presidências em grupos comunicacionais privados?
Ou é porque o grupo Media Capital tem como accionista principal uma empresa espanhola? Onde estão a concorrência e o mercado e a globalização e o estreitamento ibérico em termos empresariais? Não há qualquer problema em grupos económicos poderosos adquirirem e controlarem jornais, televisões, rádios, utilizando-os para tentar condicionar/manipular o poder político, mas não é admissível que haja pessoas engajadas politicamente à frente de empresas privadas de comunicação?
Qual é a lógica de tudo isto? A falta de independência e de coluna vertebral não está na filiação política ou na falta dela.
Informação é poder, e todos tentam obtê-lo. Nalguns países os jornais declaram abertamente a sua simpatia ideológica. Não é isso que lhes tira credibilidade, mas sim a falsa imparcialidade e demagogia de quem só entende a democracia enviesadamente.
A falta de vergonha existe bem patente no editorial que José Manuel Fernandes escreveu no Público de ontem. E Marques Mendes, mais uma vez, mostrou total incapacidade na liderança de uma oposição credível, dizendo inanidades, que fazem encolher os ombros e/ou suspirar de tristeza.
Tem toda a razão.
ResponderEliminarRespeito a diferença de opinião,mas não suporto camaleões.
É preciso defender o quadrado - resistir - com um cravo em riste.
Exactamente.
ResponderEliminarConcordo inteiramente consigo cara Sofia.
ResponderEliminarDo BE, do PCP e do PP ainda compreendo as críticas, mas do PSD é que acho que não fazem mesmo sentido nenhum. A não ser que também vá pedir ao seu colega de partido, Pinto Balsemão, para sair do Grupo Impresa...
Obrigada, Ricardo S, mas a onda de indignação das "virgens ofendidas" continua...
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