04 março 2007

Qualificação e recertificação

O Bastonário da Ordem dos Médicos multiplica-se em intervenções críticas à política de saúde deste governo, preocupando-se cada vez mais com política e cada vez menos com saúde. Atentemos nas declarações de Pedro Nunes, com intervalo de 5 meses entre a primeira e a última:

  • Pedro Nunes reiterou que a Ordem não tem reparos a fazer à proposta em discussão pública, nomeadamente em relação à possibilidade de encerramento de 14 urgências hospitalares, mas realçou que gostaria que a reforma fosse mais ambiciosa. (24/10/2006)
  • Para o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), padece de ambição na rede do interior e não reflecte a realidade do país. Mede distâncias entre sedes concelhias mas não valoriza as aldeias, diz-nos Pedro Nunes, para quem este relatório não se compreende sem estar montado um sistema de transportes que o complete. (22/02/2007)
  • Mas, porque a queremos, não aceitamos ver encerrar um serviço útil e insubstituível para uma população abandonada no interior, pelo único critério de só realizar três ou quatro atendimentos numa noite, justificou, lembrando que um desses atendimentos pode ser o filho único de alguém que fica sozinho ou o velho que não consegue ir mais longe. (01/03/2007)

Esclarecedor, não é? No entanto, no que diz respeito à qualidade da medicina que se pratica, uma das áreas base de intervenção obrigatória da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes não considera importante a implementação de sistemas de recertificação dos médicos, com exames periódicos, com sistemas de acumulação obrigatória de um determinado número de créditos, dados por cursos de actualização, devidamente analisados e certificados internacionalmente, ou com outro tipo de sistemas.

  • A Ordem não está a pensar, de maneira nenhuma, em implementar um sistema destes, afirmou Pedro Nunes ao JN, antes de presidir ao juramento de Hipócrates de 180 licenciados da Universidade de Coimbra. Nunes argumentou que os médicos já são muito avaliados pelos utentes. (04/03/2007)

As carreiras médicas são entendidas, pelo menos por agora, como uma valorização hierarquizada em que, aos diferentes graus, se acede por concurso público e, portanto, pela prestação de provas. Mas, com excepção do concurso para Assistente Eventual (por exemplo na carreira médica hospitalar), os outros concursos são voluntários, pelo que após a entrada na carreira, se o médico não quiser, pode nunca mais prestar quaisquer provas até à sua reforma.

O conceito de recertificação é diferente, mais vasto, e não deve ter nada a ver com as funções, hierarquizadas ou não, num qualquer serviço, público ou privado.

Penso que todos teríamos a ganhar se o Bastonário se debruçasse mais sobre estes problemas.

4 comentários:

  1. lino09:52

    Triste classe profissional que tal bastonário tem. E pobres de nós, que só os temos a eles para tratarem das nossas maleitas.

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  2. Sofia Loureiro dos Santos18:18

    Felizmente há muitos profissionais que o são, na verdadeira acepção da palavra.

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  3. Ricardo S21:36

    A questão é que em tudo se faz política. Até no futebol, os dirigentes fazem política.

    P.S.: gosto mais deste "template". É mais convidativo...

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  4. Sofia Loureiro dos Santos21:40

    Tudo é política, mas talvez a política da Ordem devesse ser mais virada para a qualidade no exercício da profissão.

    Este template é mais legível e mais personalizado. Obrigada.

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