Ao longo destes últimos 30 anos houve alguns temas que ninguém abordou. Um deles foi Salazar.Pois é altura de se arejarem os fantasmas guardados nos armários da memória. Salazar e o Estado Novo podem e devem ser falados, em múltiplas abordagens e por múltiplas personagens.
Desde as visões históricas e rigorosas, com programas de televisão e rádio, livros, exposições, museus, teatros, cinemas, concursos, etc, conduzidos por historiadores, artistas, defensores e detractores, com conhecimentos e sem eles, enfim, o que é preciso é falar aberta e apaixonadamente de uma fatia de 50 anos do século XX português.
A revolta dos historiadores contra um concurso de televisão parece-me totalmente descabida. Um concurso é um concurso, um programa de entretenimento, que nunca pretendeu ser mais que isso.
Poderia ser melhor, ter outros intervenientes, outros objectivos? Muito provavelmente sim, tal como a grande maioria dos programas de televisão. Não é este concurso nem o seu formato que estão em causa, mas a falta de outro tipo de programas, com outros formatos, que deveria ser o cerne da questão.
A existência de um museu do Estado Novo, aproveitando a casa em ruínas de Salazar, não tem nada de especial. O aproveitamento que alguns fazem e farão disso é idêntico ao aproveitamento que alguns fazem quando se fala da resistência à ditadura e do 25 de Abril.
A História é um património comum, que deve ser usada e estar ao alcance de todos, sem paternalismos, complexos ou preconceitos.
Destapou-se qualquer coisa com cheiro a mofo? Areje-se!
A mim não me incomoda nada o concurso, que só vê quem quer e eu nunca quis. Nem o museu. O que me incomoda é que haja tantos compatriotas meus a votar no António para melhor português de sempre. Assim como me incomoda que haja tanta gentinha a rejubilar com o regresso do "desejado" Paulinho das feiras. Concordo que é necessário tirar as aranhas do sótão e falar do homem. Mas vamos com calma, que os alemães levaram 50 anos até conseguirem falar abertamente do ditador deles.
ResponderEliminarTem razão Lino, a mim também me incomoda tudo isso. Mas a verdade é que tudo o que não é abertamente conhecido é mitificado. Salazar é mitificado, provavelmente por quem nunca viveu nesses anos nem imagina o que era Portugal nessa época. Mais uma razão para informar, desmistificando.
ResponderEliminarMuito Bem!
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