23 fevereiro 2007

Inutilidade

Ontem discutia-se sobre o significado da poesia, sobre o ser poeta, sobre o artifício da linguagem, a transfiguração da palavra, sobre a mensagem poética.

Só, perante a minha inutilidade como definidora ou catalogadora de actividade tão íntima, tão exigente, tão manipuladora, em frente das palavras que brotam não sei se das vísceras, se da pele, se de algo mais transparente e sinuoso que tenha nome, não me sinto poeta, não me sinto artística, não me sinto mais do que a pobre e miserável tentativa de me olhar, de arrancar de mim esse desacerto, esse desconcerto, esse desassossego que me angustia.

Serei um poeta? Ou serei apenas infinitas possibilidades de mim, fraccionadas umas, expostas outras, hipersensíveis, que se entrechocam e se moldam sem que o eu que me analisa o compreenda?

Serei um poeta? Ou serei apenas o conjunto de emoções pouco atractivas, violentas, repressivas, que se enfeitam e transformam em vazio e nada?


(Ira-Ono: masks)

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