11 janeiro 2007

Ética

Não é fácil existirem debates desapaixonados quando nos referimos à IVG. Tudo o que diga respeito a valores ou crenças é acalorado e desafiador.

Ao fundamentarmos as nossas atitudes e opiniões, para além da paixão, devemos socorrer-nos de toda a informação disponível sobre o assunto.

Estudos estatísticos da magnitude do aborto clandestino, as suas consequências nas mulheres que os praticam, sociais e económicas, a curto, médio e longo prazo, estudos e relatórios do que se passa ou passou nos países que adoptaram uma legislação mais liberal, a forma como a IVG é assumida em termos de serviços de saúde, comunicações e artigos científicos sobre as várias vertentes.

A responsabilidade da informação detalhada e rigorosa é de todos. Aos médicos pede-se rigor na análise, transparência e clareza nas exposições, linguagem simples, acessível e exigente. Não se pode aceitar que profissionais de saúde usem palavras sem terem o cuidado adicional de transmitirem o seu significado, falem de sindromas não reconhecidas na literatura científica da especialidade, apontem trabalhos científicos sem revelar quem os fez, onde estão publicados, onde se podem ler, principalmente quando pretendem proporcionar informação científica.

Ao desinformar-se a população apenas se está a contribuir para o aumento do medo, da culpa e dos mitos.

O papel dos médicos neste debate, enquanto investidos do seu papel profissional, deverá ser o de informar e não o de brandir ameaças veladas à saúde futura de quem decidir interromper a gravidez, sem revelar em que se baseiam tais afirmações.

Enquanto meros cidadãos podem assumir a acalorada e intensa paixão dos que defendem valores, sejam eles quais forem. Mas há uma linha de demarcação que não deve ser transposta, em nome da ética e da honestidade intelectual.

7 comentários:

  1. lino09:16

    Bem dito, Sofia.
    No site dos Médicos Pelo Sim há um testemunho de uma psiquiatra a insurgir-se sobre declarações do caquético Gentil Martins sobre os médicos que apoiam a despenalização e que assistem as mulheres que decidem abortar. Ele, como muitos outros, não fizeram o juramento de Hipócrates, fizeram o juramento dos hipócritas. Reclamam-se seguidores de Cristo, mas esquecem que o tipo de homens que Jesus mais fustigou foram os da laia deles, precisamente os hipócritas. Até os comparou a sepulcros caiados, branquinhos por fora mas cheios de podridão por dentro.

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  2. Sofia Loureiro dos Santos22:45

    Considero muito grave que se usem discursos pseudocientíficos para convencer outros de uma certa ideologia. No "Glória Fácil" a Fernanda Cãncio encontrou a fonte de todos esses "artigos" científicos: (http://gloriafacil.blogspot.com/2007/01/um-cientista-autntico-srio-isento-etc.html).

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  3. luis11:59

    será que a ciência só poderá estar ao serviço dos adeptos do "sim"?...será que quando existirem artigos com base cientifica , a favor do "não" estes serão imediatamente catalogados como "pseudocientificos" em que o autor será imediatamente acusado de deturpar os factos ,de não ter objectividade cientifica ?
    será que para os defensores do "sim" fé e ciência juntas ,
    é uma blasfémia ??

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  4. Sofia Loureiro dos Santos13:12

    Luis: A ciência não está ao serviço dos adeptos do "sim" ou do "não". A ciência serve para informar e esclarecer. As decisões que cada um de nós toma não são científicas. Por isso deve ter-se muito cuidado na forma como se usa o termo "ciência". Alguns dos adeptos do "não", quanto a mim, não o têm feito de maneira ética.

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  5. luis18:56

    Para os adeptos do "sim",Sofia, a ciência tem que estar inteiramente do vosso lado,não pode ser de outra forma ,porque não acredito que se a Ciência afirma-se , preto no branco , que o que se iria dicidir dia 11 de Fevereiro , era a destruição de "vidas humanas" vocês estivessem de acordo com tal montruosidade !por esse motivo , sempre que surgir algum artigo ciêntifico apoiando as posições do "não" , é natural que vocês logo o apelidem de pseudocientifico. Quanto aos adeptos do "não" ,que com Fé acreditam que o que se vai decidir no dia 11 de Fevereiro,são vidas humanas, vamos utilizar todos os argumentos para evitar esta mostruozidade , com Ética ou sem ela, e ninguem nos pode condenar ,pois racionalmente , não existe maior valor humano que defender vidas humanas indefesas.

    A ciência informa e esclarece , mas tambem tem duvidas , que é o que a faz avançar

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  6. Sofia Loureiro dos Santos19:50

    É verdade, a dúvida faz avançar a ciência. Ao contrário da fé, que nunca tem dúvidas e nunca se engana. A fé não precisa de demonstrar nada, não necessita da ciência. Portanto, não entendo a preocupação dos que se movem pela fé em invocar o apoio de artigos científicos! Tenho pena que defendam a vossa opinião "com ou sem ética". É esse o respeito que têm pelos que pensam de forma diferente: são obrigados a seguir a fé dos outros.

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  7. luis22:10

    é evidente que não são obrigados a seguir a fé dos outros,pois ter fé tambem é um acto de liberdade, só a segue quem quer...mas questão não é essa, segundo o nosso prisma , como é que alguem pode invocar a ética, quando estão a por em causa vidas humanas,que raio de ética é essa ... mas isto é o que vemos segundo o nosso prisma ,pelo vosso decerto que se vê de maneira diferente , ao que dizem ,até tem a luz da Razão,mas enfim, são prismas ...
    O que para nós é sagrado para vocês é uma treta. Se vocês não nos respeitam, como é que podem exigir ética...

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