No caso dos voos da CIA não sei muito bem que investigação é que o governo vai terminar, se nunca a começou. Agora que o PGR resolveu enviar para o DCIAP documentos que lhe foram entregues pelo jornalista Rui Costa Pinto a propósito de uma reportagem sobre esse assunto, e que o relatório da comissão do parlamento europeu sugeriu que se investigassem indícios de voos ilegais, o Ministro Luís Amado dá por terminado o incidente, fruto apenas da má vontade e sede de protagonismo de Ana Gomes! Parece-me um “timing” infeliz, para não dizer mais. Aliás tudo na reacção do governo a este assunto foi muito infeliz, para não dizer desastroso e suspeito.O folhetim embusteiro da co-incineração soma segue e continua. Após a divulgação dos resultados dos testes de co-incineração realizados na SECIL do Outão terem demonstrado, mais uma vez, que não havia perigo para a saúde pública com a queima de resíduos perigosos, o tribunal vem parar outra vez o processo para pedir mais um estudo de impacto ambiental? O que é que se modificou no ambiente desde o outro estudo? NADA DE NADA. Como é possível continuarmos nesta demagogia que atrasa a implementação de medidas importantes para a melhoria ambiental, com argumentos totalmente falaciosos?
José Sá Fernandes deve estar bem satisfeito com a confusão instalada na Câmara de Lisboa. Em primeiro lugar porque conseguiu que se investigassem negócios muito pouco claros (que já devem existir há décadas), honra lhe seja feita. Em segundo lugar porque o BE deve ser a única formação política, talvez em conjunto com o PCP, que ficará satisfeita com novas eleições. O PS, o PSD e o CDS só têm a perder com eleições agora e devem estar a pensar numa coligação silenciosa de interesses para manter esta maioria até às próximas eleições.
Os voos da CIA e a co-incineração têm o mesmo problema: são dois folhetins!
ResponderEliminarNo 1.º caso os prisioneiros foram entregues ao destinatário e o folhetim continua.
No 2.º caso, todos sabemos que a co-incineração é perfeitamente inócua em Portugal!
Em França já é repensada (ver artigo publicado no jornal “Le Monde”, de 11 de Novembro do ano que passou!) porque a ligam ao aparecimento de certas formas de cancro, pouco vulgares, entre as populações vizinhas das incineradoras.
Como, por acaso, a Secil tem aqui perto, no Outão, uma chaminé “milagrosa” – em pleno Parque Natural da Arrábida – digamos que ficaria muito mais descansado se a dita chaminé estivesse no Palácio de S. Bento! (Estaria?!?).
OU ‘TÃO a brincar com os relatórios... ou com a Saúde Pública!
De acordo consigo "impaciente", mas esqueceu-se dum terceiro "folhetim" mencionado por Sofia Lureiro dos Santos.
ResponderEliminarNão é que o seja (folhetim) porque tudo indica tratar-se duma triste realidade mas pelo andar das carruagens neste nosso país, tudo indica que brevemente nem de folhetim se irá tratar mas duma obra inacabada.
Tem toda a razão, J.F.!
ResponderEliminarEscapou-me a Câmara de Lisboa!
Como nos casos de corrupção não consta que o rato possa parir uma montanha... (des)esperemos!!!
Como dizia o Solnado dos velhos tempos: pois!!!
ResponderEliminarOu, voltando a citar Raúl Solnado, “isto não melhoreia... só piorreia!”.
ResponderEliminarImpaciente, Lino, JF, não posso concordar convosco. O problema da SECIL no Parque Natural da Arrábida é uma coisa, a co-incineração é outra. Se me disserem que a SECIL nunca deveria ter sido construída em pleno Parque Natural, estou plenamente de acordo. Mas defender que a co-incineração piora a saúde pública naquela zona, assim como em Estarreja, não é verdade. Está aliás demonstrado que melhora a qualidade do ar. Se a solução co-incineração não é a melhor não sei, mas até agora parece não haver muitas outras soluções. Aliás não há nenhuma porque o governo de Durão Barroso terminou com a implementação desta solução e não se avançou com nenhuma alternativa. Por isso é que pedir um novo estudo de impacto ambiental quando não houve nenhuma alteração nas condições ambientais, é pura e simplesmente uma mistificação.
ResponderEliminarEm toda a Europa é essa a solução adoptada. No entanto, não passa pela cabeça de ninguém ficar satisfeito com esta solução. É preciso procurar outras melhores. Se em França estão a estudar o assunto, tanto melhor. Mas isso não me impede de achar que a luta que tem existido neste país contra a co-incineração não tem nada a ver com a saúde pública, tem apenas a ver com a instrumentalização política de um assunto sensível. Ou já se esqueceram das comissões científicas independentes que a assembleia da República nomeou, no tempo de Guterres, e que depois desautorizou e desnomeou porque os resultados eram diferentes dos que a própria assembleia esperava?
Com as minhas desculpas, Sofia Loureiro dos Santos, mas não posso estar de acordo consigo quando diz que este problema "não tem nada a ver com a saúde pública, tem apenas a ver com a instrumentalização política de um assunto sensível".
ResponderEliminarTrata-se na realidade dum assunto político e também económico,sem dúvida instrumentalizado por quem dele (por ser sensível)quer retirar os seus dividendos políticos. Mas trata-se acima de tudo dum problema de saúde pública e também ambiental, no caso do Outão, como o é na actualidade já com a cimenteira SECIL, sem queima de resíduos perigosos.
Embora seja uma posição assumida em 2006, mantem-se plena de actualidade a que foi tomada pela Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, que pode ser consultada em
http://www.co-incineracao.online.pt/ANMSPublica.html
Sofia,
ResponderEliminarNão consigo estar de acordo com a co-incineração e explico porquê!
Como em muitas outras coisas, a dita Europa não é exemplo para ninguém...
A percentagem de países que utilizam a energia nuclear é muito grande e, até agora, sem grandes problemas, mas eu, porque sou céptico quanto à SERIEDADE DE PROCESSOS utilizados por cá, não gostaria de ter uma central dessas à porta!
J.F.: devo ter-me explicado mal. O problema do tratamento de resíduos perigosos é, obviamente, um problema de saúde pública. O modo como este problema tem sido abordado pelos partidos políticos, pelos governos e por algumas associações de cidadãos é que, na minha opinião, não tem tido nada a ver com a saúde pública e tem tido tudo a ver com a instrumentalização política de um assunto sensível e importante. De 1999 a 2001 foram desenvolvidas actividades pela CCI, mandatadas pela Assembleia da República, que consistiram em revisão e disponibilização de literatura sobre o assunto, testes na cimenteira de Souselas, tudo isto acompanhado de comissões de acompanhamento locais e grupos de acompanhamento médicos, testes conduzidos na Maternidade Bissaya Barreto, etc.
ResponderEliminarOu seja: “as razões apresentadas contra a co-incineração, com base numa hipotética defesa da saúde pública, não tiveram acolhimento, nem do Grupo de Trabalho Médico, em Dezembro de 2000, nem no Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo em 1 de Agosto de 2001, nem pela Direcção Geral do Ambiente da Comissão Europeia (ENV.D.2) em 18 de Julho de 2001. Finalmente, a OCDE vem em Novembro de 2001, recomendar explicitamente que Portugal deve avançar com o processo de co-incineração.”: http://paginas.fe.up.pt/~jotace/destaque/BalancoActividadeCCI.pdf
http://paginas.fe.up.pt/~jotace/destaque/balancoactiv.htm
http://paginas.fe.up.pt/~jotace/home.htm
http://paginas.fe.up.pt/~jotace/destaque/cronoactiv.pdf
Finalmente, e mais actualizados, temos os resultados dos testes no Outão: http://www.secil.pt/pdf/A-1350-06-Secil-K9port%20(1).pdf
Impaciente: Temos que basear os nossos conhecimentos em conhecimentos de outros, desde que a demonstração seja honesta e científica. A Europa é exemplo para muitas coisas. Em Portugal os cidadãos deveriam mobilizar-se para que as soluções implementadas fossem efectuadas com segurança. Para isso deveriam servir as comissões de acompanhamento locais.