A propósito da última crónica de Maria Filomena Mónica (MFM) no Público de ontem, já li vários comentários.
As elites não gostam do povo que dirigem. Concordo. Também penso que MFM não gosta do povo, de 1928 ou de agora. Mas isso não impede que tenha razão.
Quase todos nós, que vivemos na grande cidade, somos descendentes dos camponeses que, em 1928, compunham a maior parte da população analfabeta, ignorante, católica, temerosa, pouco dada a aventuras e riscos, invejosa e medrosa. Por muito que gostasse do meu avô, que para mim era das melhores pessoas do mundo, não posso deixar de lhe reconhecer muitos destes defeitos.
É claro que havia excepções, sobretudo algumas mulheres que, apesar da tacanhez e limitação de objectivos dos seus maridos e senhores, lutaram pela calada, trabalhando como escravas, dia e noite, para que os seus filhos pudessem estudar, desenvolver ambições e melhorar a vida.
É claro que existiram homens empreendedores, generosos, voluntariosos, mas eram (e são) uma escassa minoria. E também concordo com MFM no retrato que traça de Salazar, tão tacanho como todos os seus súbditos, exercendo a sua tacanhez e a sua pobreza de espírito durante tantos anos, pobre e honrado, sem sair da sua toca, sem olhar em redor, sem ter curiosidade de alargar os seus horizontes.
Também podemos falar das elites, de que MFM não falou nesta crónica, mas às quais já se referiu em vários outros textos, entrevistas, livros, da mesma forma ríspida e pouco abonatória, que transformou na sua marca registada.
O estilo pode ser pouco simpático, a forma pedante, mas o conteúdo é realista.
As elites não gostam do povo que dirigem. Concordo. Também penso que MFM não gosta do povo, de 1928 ou de agora. Mas isso não impede que tenha razão.
Quase todos nós, que vivemos na grande cidade, somos descendentes dos camponeses que, em 1928, compunham a maior parte da população analfabeta, ignorante, católica, temerosa, pouco dada a aventuras e riscos, invejosa e medrosa. Por muito que gostasse do meu avô, que para mim era das melhores pessoas do mundo, não posso deixar de lhe reconhecer muitos destes defeitos.
É claro que havia excepções, sobretudo algumas mulheres que, apesar da tacanhez e limitação de objectivos dos seus maridos e senhores, lutaram pela calada, trabalhando como escravas, dia e noite, para que os seus filhos pudessem estudar, desenvolver ambições e melhorar a vida.
É claro que existiram homens empreendedores, generosos, voluntariosos, mas eram (e são) uma escassa minoria. E também concordo com MFM no retrato que traça de Salazar, tão tacanho como todos os seus súbditos, exercendo a sua tacanhez e a sua pobreza de espírito durante tantos anos, pobre e honrado, sem sair da sua toca, sem olhar em redor, sem ter curiosidade de alargar os seus horizontes.
Também podemos falar das elites, de que MFM não falou nesta crónica, mas às quais já se referiu em vários outros textos, entrevistas, livros, da mesma forma ríspida e pouco abonatória, que transformou na sua marca registada.
O estilo pode ser pouco simpático, a forma pedante, mas o conteúdo é realista.
Sofia, se isto fosse assim, aplicava-se a todos os países do mundo. a Espanha, em 1928, era um país com 80% de camponeses, mas esta discussão seria ali impossível, pois ninguém se lembraria de caracterizar o povo espanhol como tacanho, miserável, etc. Salazar é fruto do seu tempo e não especificamente da sociedade portuguesa da época. Tem de comparar com Mussollini, Hitler, Horthy ou Franco, ditadores bem mais sanguinários e que admiravam (sem excepção) Salazar. Ninguém se lembraria de dizer que Hitler é igual ao povo alemão de 1933, mas a ligação entre povo português-Salazar ocorre a MFM. Claro que Salazar era tacanho, avesso ao risco, mas o povo português da época não era: emigrou em massa, portanto, tinha coragem; era conservador e católico, mas isso não é sinónimo de tacanho; os camponeses eram quase todos analfabetos, mas não incultos.
ResponderEliminarSofia,
ResponderEliminarAs minhas opiniões por várias vezes reparei serem diferentes da suas. Mas vale a pena passar por aqui.
Continuação do bom trabalho!
Luis Naves: Obrigada pelo teu comentário. Espero que não te importes mas vou transcrever o teu comentário e comentá-lo noutro "post", porque me parece uma discussão interessante.
ResponderEliminarJoão Moutinho: Obrigada por visitar o blogue. O facto de haver opiniões diferentes só enriquece a mente!