A propósito deste “post”, recebi um comentário do Luís Naves que transcrevo na totalidade, para se tornar mais fácil entender o meu comentário ao comentário dele.
Sofia, se isto fosse assim, aplicava-se a todos os países do mundo. a Espanha, em 1928, era um país com 80% de camponeses, mas esta discussão seria ali impossível, pois ninguém se lembraria de caracterizar o povo espanhol como tacanho, miserável, etc. Salazar é fruto do seu tempo e não especificamente da sociedade portuguesa da época. Tem de comparar com Mussollini, Hitler, Horthy ou Franco, ditadores bem mais sanguinários e que admiravam (sem excepção) Salazar. Ninguém se lembraria de dizer que Hitler é igual ao povo alemão de 1933, mas a ligação entre povo português-Salazar ocorre a MFM. Claro que Salazar era tacanho, avesso ao risco, mas o povo português da época não era: emigrou em massa, portanto, tinha coragem; era conservador e católico, mas isso não é sinónimo de tacanho; os camponeses eram quase todos analfabetos, mas não incultos.
É verdade que este raciocínio se pode aplicar a todos os povos do mundo, e a todos os seus governantes, figuras “ilustres” em todas as áreas, da política, da literatura, das ciências exactas, das ciências militares, etc. Sei muito pouco de sociologia, mas parece-me um excelente tema de estudo as relações entre as tais figuras “ilustres” (sejam elas quem forem) e o povo que lhes deu origem.
No seu artigo de opinião, MFM não afirmou que o povo português, de 1928 ou de qualquer outra época, só poderia ter originado um ditador como Salazar. MFM não afirmou que o mesmo povo nunca poderia dar origem a outro tipo de governante, em que outros defeitos ou qualidades desse mesmo povo estivessem representadas, ou que fosse mesmo o contrário das características dele. Aquilo que ela disse, e eu concordo, é que Salazar era o espelho do povo em que nasceu e foi criado.
Concordo com o Luís quando diz que estas análises devem ter em conta as circunstâncias e a época. Já não sei se concordo que a emigração em massa é uma prova de espírito aventureiro, embora exija imensa coragem. Parece-me que a emigração, naquela época, resultou da penúria e miséria em que se vivia, ou seja, terá sido mesmo uma questão de sobrevivência.
O analfabetismo e a ignorância, extremamente fomentados e usados pela Igreja Católica, foram factores muitíssimo importantes para o tipo de vida e condições em que se aceitava viver, em que se achava normal viver. A subserviência aos poderosos, comandantes do espírito e da carne, o relacionamento pouco saudável com as hierarquias, não as enfrentando abertamente mas fazendo-o pela calada, boicotando passivamente o poder, sempre foram características nossas.
É difícil olharmos para nós próprios e reconhecermo-nos em traços de que não gostamos. Conhecer os nossos defeitos colectivos pode ser a chave para nos orgulharmos das nossas qualidades colectivas.
Sofia, se isto fosse assim, aplicava-se a todos os países do mundo. a Espanha, em 1928, era um país com 80% de camponeses, mas esta discussão seria ali impossível, pois ninguém se lembraria de caracterizar o povo espanhol como tacanho, miserável, etc. Salazar é fruto do seu tempo e não especificamente da sociedade portuguesa da época. Tem de comparar com Mussollini, Hitler, Horthy ou Franco, ditadores bem mais sanguinários e que admiravam (sem excepção) Salazar. Ninguém se lembraria de dizer que Hitler é igual ao povo alemão de 1933, mas a ligação entre povo português-Salazar ocorre a MFM. Claro que Salazar era tacanho, avesso ao risco, mas o povo português da época não era: emigrou em massa, portanto, tinha coragem; era conservador e católico, mas isso não é sinónimo de tacanho; os camponeses eram quase todos analfabetos, mas não incultos.
É verdade que este raciocínio se pode aplicar a todos os povos do mundo, e a todos os seus governantes, figuras “ilustres” em todas as áreas, da política, da literatura, das ciências exactas, das ciências militares, etc. Sei muito pouco de sociologia, mas parece-me um excelente tema de estudo as relações entre as tais figuras “ilustres” (sejam elas quem forem) e o povo que lhes deu origem.
No seu artigo de opinião, MFM não afirmou que o povo português, de 1928 ou de qualquer outra época, só poderia ter originado um ditador como Salazar. MFM não afirmou que o mesmo povo nunca poderia dar origem a outro tipo de governante, em que outros defeitos ou qualidades desse mesmo povo estivessem representadas, ou que fosse mesmo o contrário das características dele. Aquilo que ela disse, e eu concordo, é que Salazar era o espelho do povo em que nasceu e foi criado.
Concordo com o Luís quando diz que estas análises devem ter em conta as circunstâncias e a época. Já não sei se concordo que a emigração em massa é uma prova de espírito aventureiro, embora exija imensa coragem. Parece-me que a emigração, naquela época, resultou da penúria e miséria em que se vivia, ou seja, terá sido mesmo uma questão de sobrevivência.
O analfabetismo e a ignorância, extremamente fomentados e usados pela Igreja Católica, foram factores muitíssimo importantes para o tipo de vida e condições em que se aceitava viver, em que se achava normal viver. A subserviência aos poderosos, comandantes do espírito e da carne, o relacionamento pouco saudável com as hierarquias, não as enfrentando abertamente mas fazendo-o pela calada, boicotando passivamente o poder, sempre foram características nossas.
É difícil olharmos para nós próprios e reconhecermo-nos em traços de que não gostamos. Conhecer os nossos defeitos colectivos pode ser a chave para nos orgulharmos das nossas qualidades colectivas.
E como, de 1928 aos anos 60, nada mudou na cabeça de Salazar, os portugueses continuaram a emigrar…
ResponderEliminarEssa leva de emigrantes, rumo à Europa, quando a anterior opção era o Brasil ou as Colónias, teve, porém, uma causa ocasional diferente – a Guerra Colonial – enquanto a causa remota – a miséria – se mantinha.
Embora os tempos tenham mudado, a emigração portuguesa continua! Poucos emigram por prazer; a maioria continua a tentar fugir à miséria nacional, acabando, muitos deles, por cairem na miséria europeia...
É mais um exemplo "miserável" da “Globalização”!!!
Precisamente ao contrário do ditado popular em que se costuma alertar para que se evite culpar o mensageiro pela mensagem (porque dela ele costuma estar inocente), o problema das ideias apresentadas por Maria Filomena Mónica talvez esteja no estilo insuportavelmente pedante (e fico-me por aqui quanto aos adjectivos que me ocorrem usar…) da própria proponente. Por vezes – e esta parece ser uma delas - ela até pode ter razão…
ResponderEliminarHá mais uma diminuição da imigração do que um reforço da emigração por motivos económicos. É mais um dos aspectos da(s) crise(s).
ResponderEliminarO A. Teixeira tocou precisamente no ponto: a forma e o conteúdo!