Não percebi nada da trapalhada sobre a retirada do projecto-lei de Zita Seabra que defendia a suspensão e o fim dos julgamentos de mulheres acusadas do crime de aborto.
Primeiro não percebo o que é que uma notícia no jornal, por mais venenosa, conspirativa e de política baixa que seja, tem a ver com a desistência, por uma deputada, da apresentação de uma proposta de decreto-lei.
Depois não percebo porque é que quem não é favorável à despenalização do aborto não quer que as mulheres sejam acusadas e condenadas. Se o aborto é considerado um crime, tem que ser penalizado e quem o pratica acusado e condenado a cumprir a pena estabelecida por lei. Se todos estão de acordo que é chocante condenar em tribunal a penas de prisão mulheres que abortaram, então é porque é chocante considerar o aborto um crime.
E ainda não percebo como é possível Zita Seabra ser a protagonista deste episódio. Devo afirmar que não conheço em pormenor a posição de Zita Seabra sobre este assunto. Mas Zita Seabra foi durante anos e anos membro do PCP e deputada por esse partido às diversas assembleias. Que me lembre, a posição do PCP foi e tem sido sempre a favor da despenalização do aborto, defendendo uma alteração legislativa sem necessidade de recurso a referendo. Sabendo que o PCP é sempre unânime nas suas decisões, fala sempre no plural (mesmo na campanha para a Presidência da República falava sempre na “nossa candidatura”), sempre depreendi que Zita Seabra era a favor da despenalização do aborto.
Ter-me-ei enganado? Não devo ter percebido mesmo nada!
Primeiro não percebo o que é que uma notícia no jornal, por mais venenosa, conspirativa e de política baixa que seja, tem a ver com a desistência, por uma deputada, da apresentação de uma proposta de decreto-lei.
Depois não percebo porque é que quem não é favorável à despenalização do aborto não quer que as mulheres sejam acusadas e condenadas. Se o aborto é considerado um crime, tem que ser penalizado e quem o pratica acusado e condenado a cumprir a pena estabelecida por lei. Se todos estão de acordo que é chocante condenar em tribunal a penas de prisão mulheres que abortaram, então é porque é chocante considerar o aborto um crime.
E ainda não percebo como é possível Zita Seabra ser a protagonista deste episódio. Devo afirmar que não conheço em pormenor a posição de Zita Seabra sobre este assunto. Mas Zita Seabra foi durante anos e anos membro do PCP e deputada por esse partido às diversas assembleias. Que me lembre, a posição do PCP foi e tem sido sempre a favor da despenalização do aborto, defendendo uma alteração legislativa sem necessidade de recurso a referendo. Sabendo que o PCP é sempre unânime nas suas decisões, fala sempre no plural (mesmo na campanha para a Presidência da República falava sempre na “nossa candidatura”), sempre depreendi que Zita Seabra era a favor da despenalização do aborto.
Ter-me-ei enganado? Não devo ter percebido mesmo nada!
Cuidado Sofia que este seu «post» pode ser bastante inintelegível para a maioria dos seus leitores.
ResponderEliminarEntão a Zita Seabra saiu do PCP há mais de 16 anos e é do PSD para aí há uns oito/dez anos e a Sofia ainda quer aprisioná-la nas posições do PCP ?
A verdade é pura e simplesmente esta : ela não se limitou a mudar de partido, mudou também de posição sobre a questão da despenalização do aborto.
É triste mas é verdade: em 1984, enquanto deputada do PCP, defendia um projecto do PCP de despenalização (como agora já é sustentado pelo PS mas na altura os deputados do PS ou se abtiveramn ou votaram contra) e considerava muito insuficiente o projecto do PS (que corresponde à lei que hoje em dia está em vigor).
Mas nos últimos anos,nas discussões na
AR e desde que lá se senta na bancada do PSD, Zita Seabra já acha que a lei em vigor é suficiente e que não é preciso mudá-la, tendo-se transformado numa opositora da despenalização.
Tirando isto,o seu «post» tem toda a razão quanto ao resto, ou seja esta palermice de abandonar uma ideia só porque ela acha que um jornal forjou uma intriga ou desenvolveu uma manobra.
No fim, talvez ainda se descubra é que foi o próprio PSD que não achou graça à ideia da Zita Seabra (que aliás não tem pés nem cabeça e não visa resolver o problema de fundo mas apenas evitar que haja notícias sobre julgamentos de mulheres).
Obrigada pelo comentário, Adriana Serra.
ResponderEliminarO meu espanto é precisamente o facto de Zita Seabra ter mudado de partido E de opinião sobre a despenalização do aborto. Salvaguardando, embora, que todos nós temos o direito a mudar de opiniões, tão grandes mudanças levantam a suspeição de que as opiniões eram mais do partido do que próprias. Há assuntos sobre os quais as opiniões não se dividem partidariamente, sendo o da despenalização do aborto um deles.
Vamos esperar que a Zita se abra a outras ideias...
ResponderEliminarPelo exemplo junto, nunca se sabe!!!
Cara Sofia Loureiro dos Santos: está a ser no minimo ingenua. Leia as cronicas de Zita Seabra do Correio da Manhã (revista Vidas, de 15 em 15 dias) e olhe bem para o que a Athea (editora de que ela é proprietária) tem publicado. Informe-se. E prepare-se para vê-la fazer campanha pelo "não".
ResponderEliminarCara Adriana Serra: assino por baixo, em relação a tudo o que escreveu.
Como vai longe o tempo onde estes ex-renovadores deixaram uma aura de empatia por também terem querido ajudar a partir o Muro…
ResponderEliminarMuitos deles, hoje, abdicaram daqueles “tais” princípios, que por mais que se mude, nunca se perdem, digo eu. Tal como acontece agora com a Zita Seabra, muito metida numa lógica politiqueira. Diria mesmo…lá vem aquela miserável face da natureza humana.
Quanto à despenalização da prática do aborto, prá frente!
Provavelmente a posição da Zita Seabra é semalhante à da maoria dos Portugueses nesta questão.
ResponderEliminarUm aborto é sempre um mal. Em princípio ninguém o fará de ânimo leve.
Só a prática do aborto já penaliza quem o faz.
No fim de contas, representa uma espécie de ideal absurdo, criminalizar o acto mas não as pessoas que o praticam. Só que assim não vamos a lado algum.
Obrigada a todos pelos comentários. Sabine, apesar de já me ter apercebido, por muito ingénua que seja ou mal informada que esteja, que Zita Seabra tem um leque bastante alargado de opiniões volantes, nunca deixa de me espantar a forma como se deixa de defender algo que tenha a ver com valores tão essenciais como este. E não me parece que as escolhas editoriais da Athea tenham a ver com isso. Já o que diz sobre as crónicas escritas no “Correio da Manhã” é diferente; fiquei siderada com uma que li, tal era o vazio e a idiotice do que dizia!
ResponderEliminarEmigrante: precisamente por cambalhotas tão extraordinárias é que a simpatia pelos chamados renovadores se volatilizou.
João Moutinho: não me parece que a posição de Zita Seabra seja idêntica à de muitos portugueses porque Zita Seabra NÃO tem posição. O que diz depende do partido a que pertence.
Impaciente Português: tenho alguma curiosidade em ver a evolução ideológica de Zita Seabra. Pelos vistos, é uma pessoa que não se nega a reciclar ideias!
ResponderEliminarA reciclagem tem as suas virtudes, o que não sucede com a "carneirice" partidária, vício antigo de que, parece, a D.ª Zita ainda se não libertou...
ResponderEliminarMalhas que os partidos tecem e que enredam cabeças pouco amigas de pensar!