Em Portugal tudo se adia até ao último minuto, até não ser já mais possível adiar mais.Adiam-se as horas de estudo, adia-se o pagamento das contas, adia-se o começo das reuniões, adia-se o princípio e o fim das obras, adia-se a hora do despertar.
Por isso somos tão bons, nós, portugueses, na hora H. Fazemos das fraquezas forças, improvisamos, inventamos, imaginamos e concretizamos, com excelentes resultados, quantas vezes diferentes do que prevíamos. Obviamente apenas naquilo que se não pode adiar mais.
Com a crise é a mesma coisa. Desde há muitos anos que estamos em crise, que não saímos da crise, que a crise é cada vez maior, ai meu Deus que temos que poupar, que gastamos mais do que produzimos, que não temos chefias, que não temos organização, que agora é que é, que Bruxelas nos castiga, que já não há mais oportunidades, que isto é que vai ser um horror, que temos que apertar o cinto, agora é que vão ser elas!
Pois o dia chegou! Desde manhã que ouvimos na rádio e lemos nos jornais, que o Orçamento de Estado vai ser um horror, que vamos ter aumento de impostos, para os pensionistas e para os deficientes, que vamos pagar mais nos medicamentos, para além das taxas moderadoras e de utilização, que vai aumentar a electricidade, que vão diminuir os salários e as reformas, que há uma greve de professores sem precedentes, e que amanhã vai continuar a greve sem precedentes, que somos feios, gordos, pobres, ignorantes, endividados, preguiçosos e eu sei lá que mais.
Está, portanto, tudo a postos para tirarmos algum coelho do chapéu, termos alguma ideia luminosa de equilibrista. E que seja depressa, porque já estamos mesmo no último segundo possível…
hehe... não sei é humor ou desespero, mas está bem achado... porém talvez o coelho seja simplesmente isto: Portugal é, desde a sua fundação um país improvável... a verdade é que ainda cá estamos.
ResponderEliminarE vamos continuar. Mas há dias de exagero!
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