24 outubro 2006

Credores e devedores



É verdade que os bancos, apesar do aumento da percentagem de crédito malparado, continuam a ter lucros fantásticos e que, se investem o que investem em publicidade ao crédito, para férias, para telemóveis, televisores, sofás, computadores, automóveis e casa, é porque o que perdem é irrisório em relação ao que ganham.

É verdade que a violência, seja ela de que tipo for, que algumas empresas de cobranças difíceis utilizam para “incentivar” a liquidação de dívidas, à banca ou a outros agentes que emprestam dinheiro a juros, é totalmente inaceitável.

Mas também me parece estranho que quem contrai empréstimos e deixa de os pagar não recorra a todos os meios possíveis e a todas as ajudas existentes para pagar as suas dívidas. Dá-me a sensação de que se reteve a mensagem de que não faz mal gastar mais dinheiro do que o que se tem, de que é obrigatório consumir determinado tipo de coisas, de que não é necessário estabelecer prioridades, pois pode sempre pagar-se a partir do próximo ano, sem juros, ou ter à disposição imediata 3000€, para não ter que se optar entre a mobília nova e as férias na Tailândia.

Na verdade, quando falamos de Estado, esquecemos que o Estado é uma entidade colectiva, formada por todos os cidadãos.

(o anúncio do Joe Berardo é absolutamente repugnante!)

4 comentários:

  1. impatient tout court02:12

    Também existiu um Luís (XIV) que dizia: “L’Etat c’est Moi!”.

    Esse, pelo menos, assumia!!!

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  2. contribuinte14:31

    Pois mas a acreditarmos nas notícias recentes, como a que passo a transcrever, publicada no Público on-line de 23/10 também têm presentes do estado, ou seja de todos nós.

    "O fisco perdoou à banca IRS e IRC que devia ter sido entregue às Finanças pela retenção na fonte de juros pagos a investidores em obrigações emitidas por sucursais no exterior, noticia hoje a edição do “Jornal de Negócios”.


    Segundo o jornal, o perdão fiscal incide sobre o passado e sobre os rendimentos de todas as emissões obrigacionistas que ocorram até 31 de Dezembro deste ano, passando a ser exigido o cumprimento da lei apenas a partir de Janeiro de 2007.

    A situação foi comunicada pelo gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, há cerca de duas semanas, à Associação Portuguesa de Bancos, que em Junho suscitou esta questão junto do Ministério das Finanças."

    Depois disto, só posso perguntar:

    Expliquem-me isto como se eu fosse muito Burro...

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  3. Sofia Loureiro dos Santos18:45

    Provavelmente não soube explicar-me bem, mas vou tentar esclarecer.
    A política fiscal no que diz respeito à contribuição da banca é, para mim, incompreensível e já aqui a questionei. Mesmo o crédito malparado é um montante irrisório quando comparado com o que ganha, e isso é comprovado pelos enormes lucros que tem. Mas o que eu questiono é a atitude das pessoas perante o facto de deverem dinheiro, seja a quem for. É o facto de se recorrer ao crédito para se ir de férias, e depois outra vez ao crédito para se inovar o mobiliário, e depois outra vez ao crédito para um ecran de plasma. O que a me incomoda é essas mesmas pessoas aparecerem como vítimas. São de facto vítimas, mas delas próprias. Tudo isto não retira, obviamente, as situações aflitivas que muitas pessoas vivem decorrentes do desemprego, da carestia de vida, etc.

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  4. impaciente convicto23:25

    Mas o Estado é o principal devedor, desde que me conheço e, pela História, há exemplos suficientes para crer que é um mal congénito!
    Todos os Orçamentos são caóticos mas todas as despesas podem caber no caos sistemático!
    Exemplos não faltam: Expo, Europeu de Futebol, CCB, Casa da Música, submarinos (entre outros!) são um óptimo exemplo da delapidação do Erário Público...
    De facto, o Estado somos todos nós e o exemplo vem de cima!!!

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