
O novo filme de Pedro Almodóvar é, como todos os anteriores, excessivo. Excessivo nas cores, excessivo nas formas, excessivo nas vozes, excessivo nos corpos, excessivo nos planos, excessivo na opulência.
É uma história de mulheres em que mais uma vez se demonstra que há uma sociedade à superfície e que, na profundidade, existe uma realidade com regras femininas, ditadas pelas mulheres mães e pelas mulheres filhas que depois são mães, em que os homens são catalizadores das acções, a causa e a consequência do universo feminino e da forma como ele governa o mundo. Porque a vida é feita de regras que não são impostas, apenas existem. As almas deambulam pela terra à procura da paz eterna, os sentidos são o motor dos destinos traçados, em ciclos contínuos e quase sempre repetitivos.
Mais uma vez somos testemunhas de acontecimentos extremos, contados com as câmaras a amplificarem as palavras, os risos, as lágrimas, os cabelos, as mamas, os rabos, os sapatos, as bocas, as rugas, as pinturas a escorrer pelas caras, os pimentos, o tomate, o sangue, as batas e os lenços e as meias até aos joelhos, o vento, as portadas de madeira, os corpos gordos, velhos, suburbanos, doentes, sem pudor, com a naturalidade e a cumplicidade de quem sabe que a ficção não é mais que uma imagem desbotada da vida.
Não foi o filme de que mais gostei. Mas gostei bastante.
A estética almodovariana merece este magnífico comentário, que subscrevo.
ResponderEliminarSerá a PAZ (que as almas procuram) também um excesso nos nossos tempos?
A paz nunca é um excesso, mas nasce dos excessos.
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