
“A herança de Eszter” é uma história contada na primeira pessoa, cuja acção decorre em dois planos temporais: o primeiro num dia, o segundo em 20 anos.
Com uma rara elegância de linguagem, mas de uma arguta e melancólica realidade, a narradora discorre sobre os seus pensamentos, que dissecam as fibras sentimentais do desencontro que foi a sua vida, toda ela na esperança de que um dia se realize no entendimento daquele que lhe suspendeu a existência.
É um livro agridoce, muito bem escrito, de uma aparente simplicidade, em que se espelha o intrincado mundo de amores e ódios, coragem e abnegação, mentiras e desespero, que nos deixa presos às páginas e ao mesmo tempo numa leve e funda tristeza.
Já “As velas ardem até ao fim” tem uma estrutura narrativa semelhante, com poucos diálogos, em que parece estarmos inseridos na cabeça do narrador e, ao transformarmo-nos nele, sentimos e vivemos os seus percursos, lembramos e somos lúcidos depois de uma longa e intemporal auto análise, de examinarmos e reexaminarmos todos os cambiantes do que foi marcante, mesmo que, na altura, não o tenhamos sentido como tal.
Autor húngaro, que se opôs ao nazismo e ao comunismo, deambulou pela Europa e acabou por se fixar nos Estados Unidos, suicidou-se com 89 anos, só e esquecido. Que eu saiba, em português, só estão traduzidos estes dois livros. É pena. Gostaria que houvesse mais.
(Estátua de Sándor Márai em Košice, Slovakia)
Com uma rara elegância de linguagem, mas de uma arguta e melancólica realidade, a narradora discorre sobre os seus pensamentos, que dissecam as fibras sentimentais do desencontro que foi a sua vida, toda ela na esperança de que um dia se realize no entendimento daquele que lhe suspendeu a existência.
É um livro agridoce, muito bem escrito, de uma aparente simplicidade, em que se espelha o intrincado mundo de amores e ódios, coragem e abnegação, mentiras e desespero, que nos deixa presos às páginas e ao mesmo tempo numa leve e funda tristeza.
Já “As velas ardem até ao fim” tem uma estrutura narrativa semelhante, com poucos diálogos, em que parece estarmos inseridos na cabeça do narrador e, ao transformarmo-nos nele, sentimos e vivemos os seus percursos, lembramos e somos lúcidos depois de uma longa e intemporal auto análise, de examinarmos e reexaminarmos todos os cambiantes do que foi marcante, mesmo que, na altura, não o tenhamos sentido como tal.
Autor húngaro, que se opôs ao nazismo e ao comunismo, deambulou pela Europa e acabou por se fixar nos Estados Unidos, suicidou-se com 89 anos, só e esquecido. Que eu saiba, em português, só estão traduzidos estes dois livros. É pena. Gostaria que houvesse mais.
(Estátua de Sándor Márai em Košice, Slovakia)
Dois belíssimos livros. O autor ficou esquecido durante mais de 40 anos, mas agora tornou-se um dos mais lidos na Hungria. é um êxito editorial nos países de língua alemã, espanhola, francesa ou inglesa. Por isso, é natural que sejam traduzidas outras obras.
ResponderEliminarEspero bem que sim. É importante a divulgação de autores que, por um motivo ou por outro, têm sido esquecidos. A editora "Cavalo de Ferro" tem feito um bom trabalho nesse campo.
ResponderEliminarFico com vontade de ler «as velas ardem até ao fim». Titulo adequado para o livro de alguem que se suicida aos 89 anos.
ResponderEliminarÉ um livro sobre a amizade entre os homens e o amor que os (des)une. É um livro sobre a maturidade e a (des)esperança. É lindo e melancólico, como melancólica é a noite das velas que ardem até ao fim...
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